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Assembleia Legislativa do Paraná
O prédio da Assembleia Legislativa do Paraná, no Centro Cívico. Imagem ilustrativa.| Foto: André Rodrigues/Arquivo/Gazeta do Povo

A ideia de bem comum tende a ser comumente um incômodo para os que nela se inspiram. De um jeito bom. Antes de pensar sob o ponto de vista econômico (totalmente integrado à biologia e às ciências humanas, tal qual definido por Jean Tirole), penso no excelente nome de editoria que “bem comum” escreve. Em vez de “cotidiano” ou “todo dia” – este último, um clássico da minha produção –, poderíamos chamar as notícias sobre buracos de “bem comum”, bem trivial, bem humano.

Quando argumento que “bem comum” incomoda, é porque, seja qual for o papel que ocupamos, somos convidados a suspender – ainda que de modo limitado – nossos entendimentos sobre o mundo. Leia devagar o que vem a seguir. Se é o que eu penso, é o que eu penso e é meu. Se é o que você pensa, é o que você pensa e é seu. A pegadinha está aqui: se é meu ou seu, não é nosso, não é bem comum.

Economia do bem comum é o título do livro de Tirole, ganhador do Nobel de Economia de 2014. A cópia que me chegou é da editora Zahar, com selo da República da França. Sustentado pela pesquisa econômica, o texto me esclareceu algo lindo: pelo menos em laboratório, somos mais frequentemente honestos e generosos do que egoístas (exceto quando temos exemplos muito ruins por perto). E mais: tendemos a nos engajar em causas que não nos trazem recompensas que soem troca, porque não gostamos de parecer gananciosos.  Pulo do gato: ao mesmo tempo, quando vamos às urnas e somos vistos na cabine de votação, temos prazer. O voto por correio nos Estados Unidos diminuiu a participação. O pessoal queria mesmo encontrar os vizinhos na calçada, usar um adesivo no peito.

Há alguns anos, o professor Belmiro Valverde Jobim Castor (autor de Tamanho não é documento, dentre outros títulos) procurou qual era a localidade mais pobre de Curitiba e região metropolitana. Usou por parâmetro os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Deu de cara com um bairro paupérrimo de Piraquara. Lá, instalou uma escola de primeiro mundo, com dinheiro da filantropia dos Estados Unidos. Nomes como os do arquiteto Manoel Coelho e dos jornalistas Aroldo Murá e Michelle Thomé assinaram projetos. Em funcionamento, o Centro de Educação João Paulo II passou a oferecer educação em período integral, com três refeições por dia, ao mesmo custo que o governo gastava por criança na rede pública.

Quem me recomendou a leitura sobre o bem comum foi o secretário de Planejamento e Obras Estruturantes do Paraná, Valdemar Bernardo Jorge. Ele e uma equipe do estado identificaram os municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e criaram o programa Paraná Produtivo. Nisso o programa se assemelha ao centro de educação de Belmiro, pelo nivelamento por cima: uma plataforma de business intelligence passou a funcionar com dados coletados de fontes diversas, como tabelas do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), para tornar claras e mensuráveis as fraquezas e fortalezas das regiões. Só funciona se os atores locais quiserem participar, e se estiverem dispostos a dividir as vantagens e riscos. Isso é bem comum.

Vinicius Sgarbe é jornalista.

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