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Valorizamos mesmo a educação?

  • PorFabio Carneiro
  • 20/05/2020 16:31
Governador Carlos Massa Ratinho Junior entrega a nova sede do Colégio Estadual Bandeirantes, em Campina Grande do Sul e libera recursos para pavimentação de ruas da cidade – Campina Grande do Sul, 13/02/2020 – Foto:  Rodrigo Félix Leal/AEN
Educação terá ano atípico por causa da pandemia de Covid-19.| Foto: Rodrigo Félix Leal/AEN

Em tempos de pandemia, as escolas se desdobram em mil formatos para atender às demandas e manter o processo educacional vivo. Essa preocupação atingiu inclusive o ensino público, que, apesar de enfrentar muitas questões burocráticas, teve de se adequar a essa nova realidade.

Os discursos em prol da educação são sempre muito inflamados, mas se encontram em “piloto automático”, ou seja, estão muito presentes na fala, mas as pessoas realmente sentem o que clamam? Pensando na corrente hierárquica de uma escola particular, a banda toca da seguinte maneira: as instituições de ensino estão atendendo no formato remoto; não foi esse o serviço contratado pelos pais, mas, como dizem, “é o que tem pra hoje”. Esses pais, por consequência, pressionam as instituições para a redução das mensalidades e sabemos que a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, forçando a todos priorizarem os seus custos e eliminarem os seus gastos.

Essa corrente pressiona os mantenedores a tomar uma atitude diante desse cenário conturbado, geralmente cedendo às exigências dos pais e reduzindo as mensalidades, mantendo assim a instituição de ensino respirando por aparelhos, caso ainda haja algum disponível. Nessa redução de receita, cada escola opta por direcionar essa redução, seja impactando o lucro da instituição ou simplesmente repassando esse déficit aos profissionais de educação, reduzindo seus salários em troca de oxigênio empresarial. Milhares de professores terão seus salários reduzidos como resultado da pressão feita pelos pais, mas o discurso “em prol da educação” segue inflamado.

Valorizar e fazer valer os discursos em prol da educação seria, nesse momento, primordial. Falo por tantos colegas de profissão que, passando por essa situação, agonizam pensando no futuro próximo que há de chegar. Não sinto essa mesma dor; posso dizer que leciono em uma instituição que entendeu esse delicado equilíbrio e optou pela condição humana daquele profissional que sempre carregou todo esse piano e esteve à frente do campo lutando por essa linda bandeira chamada educação. Entendendo essa cadeia de ocorrências, que rapidamente vai derrubando cada peça desse quebra-cabeça, fica mais claro para compreendermos e refletirmos sobre as partes e o todo.

Fabio Carneiro é professor de Física no Curso Positivo.

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