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Artigo

Yago Martins e a máfia dos mendigos

  • PorMariana Diniz Lion
  • 30/11/2019 21:00
Yago Martins e a máfia dos mendigos
| Foto: Pixabay

A polêmica começa com o título desconfortável do livro, que desacomoda nossa zona do conforto: A Máfia dos Mendigos – Como a caridade aumenta a miséria.

As redes sociais explodiram no dia do lançamento – a obra foi acusada de servir ao anticristo. O autor, rechaçado por alas conservadoras e esquerdistas. Uns, alegando falta de cristianismo. Outros, falta de alinhamento social. Nada mais lastimável e inexato, vindo de pessoas que se contentaram em (literalmente) julgar um livro pela capa.

E é nesse tom de provocação que Yago Martins desenvolve a obra que pode se tornar uma das maiores referências de nosso país quando o assunto é sustentabilidade social. Pastor batista cearense, Yago foi além do clichê na pesquisa jornalística e fez o que poucos fazem: colocou a própria pele em jogo.

Durante o ano de 2017, o pastor levou uma vida dupla. Não só ministrava na igreja, dirigia cultos, esforçava-se no lar, dava aulas, fazia pós-graduação e produzia seu conteúdo para a internet, especialmente seu canal no YouTube, mas também emaranhava a barba mal feita e, maltrapilho, frequentava as ruas de Fortaleza como mais um dos milhares entes sem rosto que se refugiam no concreto das grandes metrópoles.

Ler os contos de uma vida na rua, vivida cruamente, não só nos coloca frente a frente com aquilo que é desconhecido para a maioria de nós, mas também nos transforma em espectadores de nossas próprias inseguranças. Quem nunca imaginou a derrocada extrema de perder tudo o que se tem, ter que morar ao léu e viver “da caridade de quem me detesta”? Para Yago, essa experiência foi mais do que imaginativa – teve comprovação empírica.

O mais engraçado, entretanto, é que Yago não atribui um peso gigantesco ao desprivilégio material – concede, sim, a devida gravidade à condição de miserável, sem, contudo, deixar que se depositem ali as maiores fontes de angústia.

Em entrevista sobre o livro para o podcast do Instituto Mises Brasil, onde é especialista, o autor afirma que o mais surpreendente é descobrir, através do extremo, que a falta material não é assim tão dolorosa. Ao contrário. Na rua há roupa em abundância, embora sem opção de estilo. Na rua há comida em abundância, embora sem requinte. Na rua há o torpor confortável de “não pertencer” – não ser visto ou aceito como parte da sociedade ativa e, portanto, não precisar gerenciar os deveres (e direitos) comuns aos seres sociais.

Há um mergulho anestesiante na falta de propósito. E, segundo o autor, essa é a angústia principal do morador de rua.

Não ter sequer a perspectiva de angariar recursos suficientes para uma vida de provisões razoáveis está no pódio das aflições inerentes a estes irmãos, mas não no primeiro lugar.

O campeão da desolação é o sentimento de não ser, efetivamente, alguém. A falta de significado e o adormecimento da vontade são os maiores grilhões de quem mora na rua e já se despersonalizou pela vida dura do andarilho.

Neste contexto, o autor se vale de sua missão teológica e incentiva tanto crentes como ateus a se debruçarem sobre esta tão nobre tarefa – interagir com o desfavorecido, a ponto de deixar em segundo plano a necessidade puramente material do morador de rua e priorizar conscientemente a conexão humana, resgatando o mendigo como cidadão e estendendo-lhe a mão para recuperar, o quanto antes, sua essência social e consciência individual.

Mariana Diniz Lion, advogada pós-graduada em Economia e Ciências Políticas, é especialista do Instituto Mises Brasil.

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Comentários [ 12 ]

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  • L

    Lucas

    ± 3 horas

    Já falaram algumas vezes sobre esse livro aqui na GP, provavelmente pra promover a leitura do livro. A reflexão é interessante. A maioria dos "caridosos" o fazem pra massagear o próprio ego, que nada mais é do que lavo as minhas mãos, a minha parte eu tô fazendo. Mas será que tá mesmo? Ou tá só SE fazendo de "santo" e ajudando a manter essa população nas ruas? Entendo que a reflexão do livro seja essa. Tantos se incomodam com o aumento da população em situação de rua, mas poucos querem efetivamente ajudar a tirá-los de lá! Li no UOL sobre um abrigo em SP que auxilia essa população dando abrigo e oferecendo curso profissionalizante pra tentativa de reinserção social, pouco se ouve sobre isso.

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  • V

    Vitor Chvidchenko

    ± 3 horas

    Faltou a matéria falar sobre o tema principal do livro, que está no seu título: "A máfia dos mendigos - como a caridade aumenta a miséria". Como é exatamente essa "máfia"? E de que forma a caridade está contribuindo para manter (ou aumentar) a miséria? (Nota: não estou dizendo que não concordo com a tese, pelo contrário). A matéria não falou nada nem sobre um tópico nem sobre o outro.

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  • A

    ANTONIO

    ± 15 horas

    Mais do que fome, sono e frio a falta de perspectiva mata muito mais.

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  • R

    Rômulo Viel

    ± 21 horas

    Interessante...

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  • A

    ALMJ

    ± 22 horas

    Em outras palavras: as vezes é mais importante conversar alguns minutos com um morador de rua, dando-lhe atenção, do que dar uns trocados.

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  • D

    Decio mango

    ± 23 horas

    A verdade as vezes dói....

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  • F

    Filipe Niel de Castro Ribeiro

    ± 23 horas

    Eu havia tido contato com o material do Yago antes da publicação do livro. Quando o lançamento foi anunciado, e a capa veio à tona, assistí entristecido a materialização do ditado "não se julga um livro pela capa". O conteúdo do livro é muito bom, faz refletir e buscar um novo caminho na prática da caridade.

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  • M

    Marcos Aurélio da Rocha

    ± 24 horas

    Excelente livro . Recomendo

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  • M

    Marcos Aurélio da Rocha

    ± 24 horas

    Excelente kivri. Recomendo

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  • C

    Carlos Felippe Vernizze

    ± 1 dias

    O autor tem posicionamentos teológico-filisóficos tão distorcidos em seu canal do YouTube que não consigo reunir ânimo algum para ler seu livro.

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  • S

    Senor Rodriguez

    ± 1 dias

    Esse trabalho traz luz sobre a questão dos moradores de rua.

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  • W

    Wilbur Archibald III

    ± 1 dias

    Em acompanho o pastor Yago em seu canal no YouTube Dois dedos dedos de teologia, ele é um cara sensato.

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