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Rio de Janeiro – Vinte anos atrás, estive na Suécia e fiquei espantado com a preocupação ali reinante a respeito dos pingüins. Povo civilizado, que já resolveu para os próximos mil anos todas as questões nacionais, os suecos não se ocupam nem se preocupam em resolver problemas – que não os têm –, mas em criar problemas: um deles, naquela época, era o dos pingüins do Pólo Sul. Deus também é testemunha do quanto admiro e prezo os pingüins, embora só os conheça de geladeira. Achei emocionante a campanha que então se fazia. Evidente, a nobre alma sueca tinha seus motivos para tal e tanto.

Dez anos depois, novamente estive na Suécia: os pingüins não estavam em moda. Ninguém falava neles, nem se recolhia dinheiro para salvá-los. As baleias haviam subido de cotação, e em todos os lugares se realizavam palestras, seminários, simpósios e colóquios em favor das baleias. Mais uma vez, invoco Deus como testemunha: aprecio (à distância) esses nobilíssimos animais que os compêndios e os problemas de palavras cruzadas xingam de "cetáceos". O fato é que os suecos estavam realmente preocupados com os cetáceos.

Há quatro ou cinco anos, estive uma terceira vez na civilizada terra sueca e, para meu espanto, nenhum pingüim ou baleia estava na ordem do dia. A preocupação era com a Amazônia – mania que afinal se espalhou pelo resto do mundo. Foi, aliás, na Suécia que, pela primeira vez, ouvi a expressão "pulmão vegetal da humanidade" – aqui para nós, belíssimo achado que mereceria um Prêmio Nobel à parte.

Recebi convite agora para ir uma quarta vez ao civilizado país da Escandinávia. Recusei o convite por motivo de saúde, mas também por temor de que os suecos estejam agora preocupados em saber quem pagou o dossiê contra o Zé Serra. Uma causa nobre como as outras.

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