Rio de Janeiro – Assisti a alguns debates dos presidenciáveis. Houve agressividade de parte a parte, mas ninguém beijou a lona. O conteúdo era chato, e meu pensamento resvalou para outras coisas. Na véspera do acidente que levou o Titanic para o fundo do oceano, houve uma reunião no salão nobre do navio a fim de se escolher a cor que deveria predominar no baile que os passageiros estavam programando para a noite anterior à chegada ao porto final. Ignoro se houve primeiro turno.

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Havia dois grupos: um a favor do amarelo, outro a favor do verde. Registrou-se um empate técnico. Chamaram o comandante do navio para desempatar. Àquela hora, seguramente, o iceberg que arrebentaria o navio já estava em rota de colisão com o casco do Titanic. O comandante ficou em cima do muro: os passageiros podiam vir de amarelo ou de verde.

Não sei se o intróito desta crônica tem mesmo a ver com o que desejo comentar. Nasci nu, como todo mundo, mas, antes mesmo dos primeiros abrolhos pela vida afora, vesti-me de pessimismo. Sei, o pessimismo é inútil, conheço todas as frases que o condenam, inclusive aquela: o otimista pode perder, mas o pessimista já começa perdendo.

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Faço as duas introduções – a do Titanic e a do meu pessimismo – para declarar diante da nação e do povo que o pior nos espera. Marchamos para o segundo turno, perdemos tempo discutindo entre Alckmin e Lula, mas, de algum ponto da noite, o monumental iceberg já se desprendeu de sua geleira e caminha, silenciosamente, em nossa direção. Nada vai dar certo, com este ou com aquele vencedor. E a culpa não será exatamente deles, esforçados candidatos àquilo que antigamente chamavam de curul presidencial (não estou certo, mas acho que, embora pareça palavrão, curul significa cadeira mesmo).