i

O Sua Leitura indica o quanto você está informado sobre um determinado assunto de acordo com a profundidade e contextualização dos conteúdos que você lê. Nosso time de editores credita 20, 40, 60, 80 ou 100 pontos a cada conteúdo – aqueles que mais ajudam na compreensão do momento do país recebem mais pontos. Ao longo do tempo, essa pontuação vai sendo reduzida, já que conteúdos mais novos tendem a ser também mais relevantes na compreensão do noticiário. Assim, a sua pontuação nesse sistema é dinâmica: aumenta quando você lê e diminui quando você deixa de se informar. Neste momento a pontuação está sendo feita somente em conteúdos relacionados ao governo federal.

Fechar
A matéria que você está lendo agora+0
Informação faz parte do exercício da cidadania. Aqui você vê quanto está bem informado sobre o que acontece no governo federal.
Que tal saber mais sobre esse assunto?
Carlos ramalhete

Casamento

  • Porcarlosgazeta@hsjonline.com
  • 10/02/2016 23:01

Tolkien escreveu que cônjuges são “companheiros de naufrágio”. Poucas metáforas são tão aptas: o casal vive em conjunto o naufrágio da própria natureza humana, marcada pela concupiscência e tantas vezes surda à razão; perfaz uma sociedade miniaturizada, nuclear, em que se reproduzem os conflitos e as soluções das sociedades maiores; expressa em gestos e atitudes a esperança que sobrepuja o momento e faz do amor nascer a próxima geração. O casamento é voltado para o futuro: para os filhos, para os netos um dia, para a velhice dos noivos, para a perpetuação da espécie e da sociedade. É um voto de esperança, uma abertura ao amanhã.

Nada nele é fácil; fora dos contos de fadas, não existe “e foram felizes para sempre”. A vida de casal é uma perpétuo movimento de abertura ao outro e negação de si mesmo, cedendo mais do que pareceria possível em qualquer outro contexto, numa união em que quanto mais nos doamos mais recebemos. É por isso que, quando nos casamos, juramos estar juntos “nos bons e nos maus momentos”. Eles se sucedem e se alternam, sem lógica definida, e é o apoio mútuo nos maus momentos que torna possível o gozo pleno dos bons momentos. Mais ainda, diria eu: é aquele que torna estes possíveis.

Enquanto houver vida, um e outro a cuidam e alimentam como uma vela numa tempestade

O casamento tem um início claro, festejado e perfeitamente definido: a hora em que, diante de Deus e dos homens, aqueles dois jovenzinhos entregam-se um ao outro. A pele viçosa, os cabelos negros, os músculos fortes, com a vida pela frente, e cada um deles deixa de ser dono de si mesmo, entregando-se, ao contrário, àquele que por sua vez entrega-se a ele. A mão que se pede e se dá é lisa e forte, mas um dia será enrugada e frágil. O corpo que acompanha a mão, por definição, é fértil e potente, mas um dia estará fraco e ressequido, ainda ao lado daquele com quem se fez essa mútua doação. A mente, jovem, tem certezas candentes e pouca razão, mas ao lado da de seu cônjuge aprenderá ao longo dos anos até que alcancem juntas uma sabedoria que só os anos podem trazer.

Não há, todavia, um fim planejado. O casamento não acaba enquanto houver vida; aqueles jovenzinhos tornam-se adultos, pais, avós, membros plenamente produtivos da sociedade, e estarão juntos até que a morte os separe. Qualquer outra coisa que os separar será percebida como um ataque, uma traição àquele voto tão mais verdadeiro por ter sido feito no calor da juventude. Enquanto houver vida, um e outro a cuidam e alimentam como uma vela numa tempestade, crescendo lado a lado, envelhecendo lado a lado, santificando um ao outro.

Nesta quinta faz exatamente 20 anos que eu, então um rapaz de barba preta, me entreguei a uma linda mocinha. Em troca, ela me deu o melhor presente que já recebi: ela mesma. Deus é bom.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]

Receba Nossas Notícias

Receba nossas newsletters

Ao se cadastrar em nossas newsletters, você concorda com os nossos Termos de Uso.

Receba nossas notícias no celular

WhatsApp: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Comentários [ 0 ]

O conteúdo do comentário é de responsabilidade do autor da mensagem. Consulte a nossa página de Dúvidas Frequentes e Política de Privacidade.