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O horrendo anglicismo “empoderar” vem tomando o lugar do verbo “fortalecer” no discurso político. É sintomático: fortalecer é tornar forte, e tudo o que se diz “empoderar” as pessoas as torna mais fracas. O “poder” que estaria na raiz da palavra é sempre um poder alheio, ao qual, por fraqueza absoluta, alguém se veria obrigado a recorrer. A mulher “empoderada”, por exemplo, aparentemente é um ser tão tremendamente frágil e incapaz que percebe como agressão o “fiu-fiu” com que algum homem, ainda que grosseiramente, expressa que a beleza dela o faz seu prisioneiro. Ela, então, precisaria de ajuda estatal, de campanhas publicitárias, de sei lá mais quantos agentes externos a protegê-la de algo que sua avó usaria, naquele judô tão tipicamente feminino, como fonte de poder para si mesma.

O mesmo vale para aqueles que percebem como ataque qualquer referência a cores escuras ou a cabelos crespos, que se irritam e se sentem ameaçados pelo uso de turbantes ou trancinhas, e por aí vai. São pessoas que precisam desesperadamente fortalecer-se, porque esse “empoderamento” todo as deixou frágeis demais para o convívio social.

O dito “empoderamento” na verdade é um vitimismo raso, que usa como massa de manobra política as supostas vítimas que enfraquece

Ninguém tem – nem poderia jamais ter – o direito de não ser ofendido, porque ofender-se é um processo mental subjetivo, não um fenômeno objetivo externo. Quando o João se ofende com o que o José diz, é na cabeça do João que algo acontece. O José pode perfeitamente não ter nem ideia da existência do João, que dirá dos mecanismos mentais dele, quanto mais da ofensa percebida. O problema não é o José, mas a importância desmedida que o João dá às bobagens que lhe cheguem aos ouvidos. Ao fazê-lo, o João se enfraquece e vira uma vítima, que precisa de ajuda a cada passo.

Ninguém consegue entrar na cabeça do próximo para irritá-lo ou ofendê-lo. Só quem pode dar esse poder aos outros é a própria pessoa. Quem sai por aí distribuindo a todos o poder de tirá-lo do sério, evidentemente, está pedindo para sofrer. A vida em sociedade exige uma casca mais grossa, um autocontrole mais eficiente, uma capacidade maior de não estar nem aí para as besteiras que os outros dizem.

O dito “empoderamento” na verdade é um vitimismo raso, que usa como massa de manobra política as supostas vítimas que enfraquece. O mundo delas se torna um ambiente ameaçador e sombrio, em que tudo é perigoso, mau ou ofensivo. Aí, claro, seu terror vira uma agressividade inócua e incessante, num frenesi constante de reclamações, protestos e acusações absurdas.

Isso é fraqueza. É incapacidade de convivência social. Mais valeria fortalecer-se que cair nesse vitimismo autodestrutivo.

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