Quando se aproxima uma visita esperada, a maioria das pessoas não dorme muito bem. Quando a visita é temida, as pessoas ficam inquietas. Quando é desejada, ficam agitadas. Porém, há uma diferença: a tensão do medo paralisa, a tensão do desejo desperta a criatividade. O evangelho deste domingo alude às duas atitudes. Anuncia cataclismos cósmicos, que encherão os homens de medo. Mas para os cristãos tudo isso significa "coragem: vossa salvação chegou" (21,28). Por isso, o cristão vive a espera "daquele dia" num espírito de "sóbria ebriedade", fazendo coisas que ninguém faria, mas sabendo muito bem por quê. Ora, nós esperamos uma visita querida e ficaríamos muito penados se o visitante não nos encontrasse despertos para sua vontade, mas apenas ocupados com as nossas veleidades.
Como a moça que espera o seu namorado chegar não mais pensa em suas próprias coisas, mas está toda em função dele, assim nós já não vivemos para nós, mas para Ele que por nós morreu e ressuscitou. Na ânsia pela vinda do Senhor, sempre podemos crescer mais, e é Ele que nos deixa crescer, para que sua chegada seja preparada do modo mais perfeito possível. A idéia do crescimento é muito valiosa em nossa vida cristã. É o remédio contra o desespero e contra a acomodação: contra o desespero de quem acha que sempre será inaceitável para Deus; e contra a acomodação dos que dizem: "Ninguém é perfeito, portanto..." Não somos perfeitos, mas nem por isso a perfeição deixa de ser nossa vocação.
O caminho do cristão não consiste em uma perfeição alcançada e acabada, mas numa contínua conversão para a santidade de Deus, que é sempre maior do que nós. O importante é nunca ficarmos satisfeitos com o que fizemos e somos, mas cada dia de novo procurar voltar daquilo que foi errado e progredir naquilo que foi bom. Assim, a idéia do dia definitivo não paralisa o cristão, mas o torna inventivo. Desinstala. Quem acha que não precisa mudar mais nada em sua vida, não é bem cristão.
Alguém pode achar que está praticando razoavelmente bem os deveres para com sua família, em termos de educação; para com seus empregados, em termos de salário; para com sua esposa, em termos de carinho e fidelidade; e até com a Igreja, em termos de contribuição para com suas necessidades financeiras; estando entretanto cego por aquilo que lhe é exigido para estruturar melhor a sociedade, para que a justiça seja promovida e não contrariada. Tal pessoa ainda pode crescer muito.
Por um lado, sabemos que o mundo é passageiro. Não é o nosso último destino. Por outro, o que podemos fazer de nossa vida, o sentido que podemos dar à nossa vida, é neste mundo que o devemos fazer. O que importa, no fim de tudo, é o que fizermos neste mundo, a justiça e o amor que fizermos brotar nesta lavoura que é a história da humanidade, os frutos que Deus espera de nós. Por isso, Jesus nos lembra desde já a sua vinda, para que tenhamos sempre o verdadeiro fim diante dos olhos: "Deus nossa justiça", o amor e a justiça de Deus tomando conta de tudo.
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