Estamos festejando o Dia do Papa, Sucessor de Pedro. Mas não podemos esquecer que ao lado de Pedro é celebrado também Paulo, ou seja, missionário, por excelência. No Evangelho, o apóstolo Simão responde pela fé de seus irmãos. Por isso Jesus lhe dá o nome de Pedro. Este nome é uma vocação: Simão deve ser a pedra (rocha) que deve dar solidez à comunidade de Jesus (cf. Lc 22,32). Esta "nomeação" vai acompanhada por uma promessa: "As portas do inferno não poderão nada contra a Igreja, que é uma realização do Reino dos Céus" (= de Deus).

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Pedro é o fundamento institucional da Igreja. Paulo aparece mais na qualidade de fundador carismático. Sua vocação se dá na visão de Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor, ele se transforma em apóstolo e realiza, mais do que os outros apóstolos inclusive, a missão que Cristo lhes deixou, de serem suas testemunhas até os extremos da terra (At 1,8). Apóstolo dos pagãos, Paulo torna realidade a universalidade da Igreja, da qual Pedro é guardião. A segunda leitura da festa é o resumo de sua vida de plena dedicação à evangelização entre os pagãos, nas circunstâncias mais difíceis: a palavra tinha que ser ouvida por todas as nações. Não esconder a luz de Cristo para ninguém! O mundo em que Paulo se movimenta estava dividido entre a religiosidade rígida dos judeus farisaicos e o mundo pagão, cambaleando entre a dissolução moral e o fanatismo religioso. Neste contexto, o apóstolo anunciou o Cristo Crucificado como sendo a salvação: loucura para os gregos, escândalo para os judeus, mas alegria verdadeira para quem nele crê. Missão difícil! No fim de sua vida, Paulo pôde dizer que "combateu o bom combate e conservou a fé, a fidelidade", a sua e a dos fiéis que ele ganhou.

Como Cristo, o bom Pastor, não deixa as ovelhas se perderem, assim também o apóstolo, o enviado de Cristo, conserva-lhes a fidelidade. Pedro e Paulo representam duas dimensões da vocação apostólica, diferentes mas complementares. As duas foram necessárias, para que pudéssemos comemorar amanhã os fundadores da Igreja Universal. Esta complementariedade dos carismas de Pedro e Paulo continua atual na Igreja, hoje: a responsabilidade institucional e a criatividade missionária. Pode até provocar tensões, mas é uma tensão fecunda.

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Hoje, sabemos que os pastoreio dos fiéis, não é monopólio dos "pastores constituídos" como tais a hierarquia. Todos os fiéis são um pouco pastores uns para com os outros. Devemos conservar a fidelidade a Cristo, a nossa e a dos nossos irmãos, na solidariedade do "bom combate". E qual será, hoje, o bom combate? Como no tempo de Pedro e Paulo, uma luta pela justiça e verdade em meio a abusos, contradições e deformações. Por um lado, a exploração desavergonhada, que até se serve dos símbolos da nossa religião; por outro, a tentação de largar tudo e de dizer que a religião é um obstáculo para a libertação. Nossa luta é, precisamente, assumir a libertação em nome de Jesus, sendo fiéis a Ele; pois na sua morte realizou a solidariedade mais radical que podemos imaginar.