A esperança que temos é a mola propulsora de nossa vida. Que é que você espera da vida? Como ela se torna melhor? Quem poderia ajudá-lo para isso? São essas as perguntas de todo mundo. Deus mesmo é a esperança. Ele não é um castigador, um fiscal de nossos pecados e nem mesmo da desordem estabelecida na sociedade em que vivemos. Ele não deseja castigar, mas transformar aquilo que está errado: Ele vem salvar. Esta é a esperança anunciada pelos profetas.

Com a vinda de Jesus começou irreversivelmente a realização dessa esperança, a realização da profecia. João Batista não percebe bem o que Jesus está fazendo. Manda perguntar se Ele é o Messias, ou se é para esperar outro. Jesus aponta os sinais que está realizando: aquilo que os profetas anunciaram. Daí a conclusão: já não precisamos aguardar outro. Ora, Jesus apenas iniciou. Implantou. A plantação ainda deve crescer. Com a paciência e firmeza do agricultor, devemos esperar o amadurecimento de seu Reino na história. Com o "sofrimento e a paciência dos profetas que o anunciaram".

A esperança suscita em nós alegria confiante. Deus deu início à realização de seu projeto. Quando se olha com objetividade o que a palavra de Cristo já realizou no mundo, apesar das constantes recaídas de uma humanidade inconstante, reconhecemos que ela foi eficaz. Devemos também olhar para os sinais que se realizam hoje: a transformação impulsionada pelo evangelho de Cristo se reflete na nova consciência do povo, que assume sua própria história na construção de uma sociedade mais fraterna.

A esperança fundamenta uma firmeza permanente, confiante de que Deus erradicará o mal que ainda persiste. A esperança exterioriza-se na celebração, expressão comunitária de nossa alegria e confiança. A esperança do cristão é Jesus. Ele é aquele que devia vir. Não precisamos ir atrás de outros messias, oferecidos pelo mundo do consumo, por promessas políticas ambíguas e assim por diante. Consumo e política são propostas humanas, e podemos servir-nos delas conforme convém, com liberdade. Mas o Messias vem de Deus; Ele merece nossa adesão, NELE PODEMOS ACREDITAR. Chama-se Jesus.

Feliz quem não se deixa abalar em relação a Ele. Esperamos que o amor e a justiça que Cristo veio trazer ao mundo, e nos quais somos chamados a participar ativamente, realizem o plano de Deus para a humanidade, desde já e para sempre, "assim na terra como no céu". A Liturgia de hoje é profundamente cristocêntrica. Se convém alegrar-nos e não ter medo diante do cumprimento do plano de Deus é porque a manifestação definitiva em Jesus Cristo é uma revelação do amor e da ternura de Deus, como os anunciou o profeta. A perspectiva da plena realização suscita, portanto, alegria.

Dom Moacyr José Vitti CSS, arcebispo metropolitano.

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