Você sabe quantos metros o Oceano Atlân­­tico vai subir se o Polo Norte terminar de descongelar? Nenhum, porque o Polo Norte é feito de gelo flutuante. Ele derrete e fica no mesmo nível. Pense nisto na próxima vez que estiver diante de um copo com gelo.

Você sabe quantos metros o Oceano Atlântico vai subir se a Groelândia terminar de descongelar? Algo ao redor de sete metros, porque neste caso é água que vai adicionar-se ao mar. Ainda mais importante, esse volume enorme de água doce no Atlântico Norte pode desligar a corrente do Golfo que leva calor do Equador para a Europa. Já aconteceu em eras geológicas anteriores. A natureza tem dessas coisas. Se a Terra se aquecer, a Europa vai esfriar, e a Groelândia é uma parte importante disso.

Há um ano, o engenheiro Alberto Behar, da Nasa, usou um novo instrumento para conhecer o mecanismo pelo qual a água derretida dos glaciares da Groelândia desce por buracos no gelo para o oceano. Ele jogou 90 patinhos de borracha que irão descer para o mar e depois serão devolvidos quando e se forem achados por pescadores. Se você quiser ver onde fica o Glaciar Jakobshavn, aponte seu Google Earth para N 69º10’ W 51º 10’ e conheça o glaciar por onde passam 7% de todo o gelo que desce da Groelândia. Até agora ninguém devolveu nenhum patinho de borracha.

Não é a primeira vez que nosso inofensivo companheiro da banheira singra os sete mares. Em 1992, 29 mil patinhos de borracha caíram de um navio de carga no meio do Pacífico. Desde então, eles já foram encontrados em todo o planeta. Havaí, América do Sul, deram a volta pelo Polo Norte e chegaram à costa leste americana, seu provável destino antes de caírem do navio. Em 2003, um dos patinhos foi encontrado na Escócia, depois de dar a volta na Corrente do Golfo, que ainda não se desligou.

Esse caso traz uma mensagem interessante sobre o lixo que jogamos no ambiente. Esses patinhos todos foram ao mar em algum ponto do Pacífico, durante a mesma tempestade da noite de 10/01/1992. No entanto, al­­guns foram para a América do Sul e outros para o Polo Norte. O lixo se espalha a distâncias e de maneiras inimagináveis, especialmente aquele que não se degrada nunca. Alguns desses patinhos (acompanhados de tartarugas-azuis e sapos-verdes) passaram alguns invernos aprisionados no gelo do Ártico, antes de seguir sua viagem errante de mais de 17 mil km.

Não tente repetir o experimento de Behar na banheira de casa a menos que conheça um bom encanador.

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