| Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

“E como vocês da imprensa estão se sentindo? ”. Foi essa a pergunta que Dona Ilaíde, a mãe do goleiro Danilo da Chapecoense, devolveu durante entrevista para o repórter Guido Nunes, a quem relatava a angústia e desespero pelo qual passou na última semana. Ela, num momento em que enfrenta possivelmente a maior dor de toda a sua vida – a dor da perda de um filho –, mas ciente de que a classe jornalística também está num luto particular pelos 21 profissionais que iriam cobrir a Copa Sulamericana e que morreram na tragédia, teve a delicadeza de olhar para quem estava diante dela e oferecer o seu consolo de mãe. Ali, Dona Ilaíde foi a personificação da maternidade – da mulher que se entrega na dor, que acolhe a quem precisa. Ali, Dona Ilaíde foi um singelo retrato da Mãe da Humanidade, aquela que nos oferece o colo e nos convida a sermos firmes, porque tudo vai ficar bem. Paulo Briguet reflete sobre a fatalidade da queda do avião da Chapecoense, mostrando o amor e a compaixão que brotam da experiência do sofrimento.

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A cruz e a confiança

Não há no mundo quem não tenha uma cruz a carregar. É claro que determinadas situações, pelo tamanho da tragédia, chocam mais do que outras. Mas todos temos uma história pessoal de dores e sofrimentos que nos trazem alguma lição, nem que seja a de continuar vivendo a despeito de... Nesse sentido, o maior desafio, especialmente para quem passou por uma terrível tragédia, é manter a confiança de que a vida tem sentido, de que Deus não joga dados para decidir o rumo das coisas e que Ele nos ama. Mateus de Castro faz essa importante reflexão num momento de tanta comoção e lágrimas como o que estamos vivendo.

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Quando um pai enterra seu filho

Martim Vasques da Cunha comenta o romance “O Doce Amanhã”, de Russell Banks. A estória, contada do ponto de vista de seis personagens diferentes, trata de uma tragédia, ocorrida numa cidadezinha americana, que ceifou a vida de várias crianças. Martim destaca a inafastável – e redentora – experiência de ter de lidar com os eventos traumáticos que o destino nos reservou.