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Editorial

O Muro de Berlim, seus restos e seus herdeiros

  • PorGazeta do Povo
  • 10/11/2019 00:01
Alemã tenta arrancar pedaços do Muro de Berlim, em novembro de 1989. Os cidadãos que usaram marretas e outras ferramentas para derrubar o muro aos poucos ficaram conhecidos como “Mauerspechte” (pica-paus de muro).
Alemã tenta arrancar pedaços do Muro de Berlim, em novembro de 1989. Os cidadãos que usaram marretas e outras ferramentas para derrubar o muro aos poucos ficaram conhecidos como “Mauerspechte” (pica-paus de muro).| Foto: Jean-Philippe Lacour/AFP

Em novembro de 1989, os burocratas do Partido Comunista da Alemanha Oriental buscavam uma solução para o caso dos alemães orientais que tentavam chegar ao Ocidente pela Hungria, que havia aberto sua fronteira com a Áustria, e desenharam novas regras, afrouxando apenas ligeiramente as exigências para a saída temporária do país e permitindo pontos de tráfego entre as duas Alemanhas, incluindo certas passagens entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Mas o que ocorreu depois escapou completamente às previsões dos líderes comunistas: uma série de respostas imprecisas de um porta-voz em uma entrevista coletiva deu a entender que todo alemão oriental poderia ir para o lado ocidental a partir daquele momento. Foi a senha para que a população da parte comunista se aglomerasse nos postos de passagem ao longo do Muro de Berlim, exigindo a abertura dos portões. Do outro lado, eram aguardados com comida, flores e champanhe. Não demorou para que os alemães começassem a derrubar o muro propriamente dito.

Três décadas atrás, graças a um “acidente de percurso” provocado por um burocrata mal informado, a população da Alemanha Oriental cumpriu o pedido que Ronald Reagan havia feito a Mikhail Gorbachov dois anos antes, e começou a conquistar a liberdade que os povos sob a Cortina de Ferro desejavam havia décadas. Tentativas anteriores tinham fracassado. O levante húngaro de 1956 e a Primavera de Praga, em 1968, pereceram sob os tanques soviéticos. O movimento polonês pela democracia em 1981 foi suprimido por uma lei marcial. Mas os buracos no dique comunista começaram a aparecer aos poucos, a partir de 1985, com a perestroika (“reestruturação”) e a glasnost (“transparência”) defendidas por Gorbachov. A queda do Muro de Berlim foi um catalisador para que também as ditaduras fossem caindo, às vezes de maneira pacífica, como na Revolução de Veludo tcheca; ou de forma violenta, como na Romênia, onde a revolta popular terminou com a execução do ditador Nicolae Ceaucescu. As Alemanhas se reunificaram em 1990. A linha-dura ainda tentou uma sobrevida com o golpe de agosto de 1991 contra Gorbachov, mas perdeu a guerra: em dezembro daquele ano, a União Soviética deixou de existir, ao mesmo tempo em que também a Iugoslávia se fragmentava.

O Muro de Berlim caiu, mas a ideologia que ajudou a construir o império soviético continua sua trajetória de destruição

Não poderia haver outro fim para um regime assassino, responsável por dezenas de milhões de mortes, que se propõe a suprimir as liberdades mais essenciais, aniquilando as individualidades em benefício do Estado, erodindo as células mais básicas da sociedade e criando desconfiança mútua – só com o fim do regime comunista, muitos alemães descobriram que amigos e até parentes tinham sido membros ou colaboradores da Stasi, a polícia política secreta da Alemanha Oriental. Mas há prisões mentais das quais é muito difícil escapar. Enquanto vários dos antigos países comunistas abraçaram as liberdades democráticas com entusiasmo, e prosperaram graças a elas, em outros há recaídas – seja ideológicas, de volta ao socialismo, seja autoritárias, retomando a tradição de “governos fortes”. A própria Rússia é caso emblemático, com Vladimir Putin, um ex-agente da KGB, dominando a política local há 20 anos e suprimindo a dissidência sem nenhum escrúpulo.

E, fora da antiga Cortina de Ferro, a ideologia que ajudou a construir o império soviético continua sua trajetória de destruição. A China já rivalizou com a União Soviética pela liderança no mundo comunista, e hoje usa seu pujante crescimento econômico para convencer o mundo a fechar os olhos à manutenção de uma ditadura feroz. Também três décadas atrás, poucos meses antes da queda do Muro de Berlim, os chineses promoviam o massacre da Praça da Paz Celestial; hoje, seguem reprimindo protestos por democracia – como tem ocorrido em Hong Kong – e promovem violência contra minorias étnicas, além de usar a tecnologia para monitorar seus cidadãos nas mídias sociais e desenvolver técnicas de reconhecimento facial para controle político que teriam maravilhado os alemães da Stasi.

Além da Ásia, também a América Latina foi terreno fértil para ditaduras comunistas e socialistas. Os cubanos sofrem desde 1959 com o regime assassino instaurado por Fidel Castro, que quase lançou o mundo em uma guerra nuclear ao receber mísseis soviéticos em 1962 e se tornou o centro da desestabilização política na região, financiando guerrilhas que tentariam levar a ditadura de esquerda a outros países, inclusive o Brasil. Em 1990, enquanto o socialismo desmoronava na Europa, os socialistas latino-americanos criavam o Foro de São Paulo para articular a esquerda na região e buscar por aqui a hegemonia política perdida no Leste Europeu. Membros do Foro governam ditatorialmente na Venezuela e na Nicarágua, além de Cuba. Na Bolívia, Evo Morales se apega ao poder em um processo eleitoral cheio de irregularidades. E, no Brasil, os agora soltos Lula e José Dirceu já se encontraram, com o ex-ministro buscando a radicalização do discurso e falando na “retomada do governo”. Ainda há muitos lugares onde os ventos que trouxeram a liberdade na Alemanha de 30 anos atrás precisam continuar soprando.

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Comentários [ 3 ]

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  • T

    Teodoro Jacob Winkler

    ± 0 minutos

    De novo. Que ventos da liberdade? Doce ilusão, se estamos cada vez mais perto de Orwell em 1984. Esse muro de fato não caiu. Ele foi derrubado para dentro pela KGB, num fingimento para que os demoníacos comunistas pudessem sair mais facilmente e espalhar suas *******pelo mundo inteiro. Não percebem que já contaminaram quase tudo? ONU, igrejas, universidades, parlamentos, imprensa (Gazeta do Povo no meio) etc etc etc.

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    • M

      Maquiavel

      ± 6 horas

      Comunismo/Socialismo = 100 milhões de mortos, violência, destruição, pobreza, fome, tortura, falta de liberdade, vida sem perspectiva, e tudo o que de pior pode existir!!

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      • M

        Marcos eisenschlag

        ± 7 horas

        Sabe qual e' a diferenca entre os socialistas do leste europeu e os latino americanos? Os latino americanos se aliaram ao narcotrafico e o terrorismo. O terrorismo permite o acesso as armas pelos traficantes, os traficantes trazem o dinheiro e o socialistas o lavam em seus governos, devolvendo para os terroristas. E' teoria da conspiracao! dira' o isentao. Veja o acobertamento do ataque a AMIA na Argentina, o procurador "suicidado" Nisman e a participacao das FARCS no Foro de Sao Paulo. Sao "Dialogos Cabulosos"...

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