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Editorial

A indecisão de Marina

Apesar de Marina Silva ser ideologicamente mais próxima do PT, a campanha difamatória conduzida contra ela no primeiro turno abalou as chances de um acordo com Dilma

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  • 10/10/2014 21:02

Marina Silva, a candidata do PSB que ficou em terceiro lugar na eleição à Presidência da República, adiou a declaração (inicialmente prevista para quinta-feira passada) de apoio ao tucano Aécio Neves na disputa que ele trava neste segundo turno com a petista Dilma Rousseff, candidata à reeleição. Marina, que com suas teses não conseguiu empolgar eleitores suficientes para ir ela mesma ao segundo turno, mas obteve expressivos 20 milhões de votos, condiciona agora a sua adesão a Aécio à aceitação, por parte deste, de vários pontos do programa derrotado nas urnas.

Até aí, nada a condenar. Nas melhores democracias do mundo, apoios e coalizões se dão precipuamente em torno de programas, bem ao contrário do costumeiro neste Brasil em que os partidos, grandes, pequenos ou nanicos, preferem trocar as respectivas adesões por cargos no futuro e eventual governo. Logo, se sinceras as exigências da candidata derrotada, não há de se estranhar que seus milhões de eleitores sejam também representados no programa de Aécio. Trata-se, no caso, até de respeitar o pensamento de uma corrente minoritária (mas expressiva) do eleitorado, insuficiente para eleger a candidata, mas que via nela a possibilidade de adoção de algumas de suas ideias.

O currículo político-ideológico de Marina, no entanto, a coloca muito mais perto do PT que do PSDB. As páginas desse currículo mostram-na ligada a movimentos da esquerda radical; como militante do PT desde os tempos da criação do partido; eleita para vários mandatos, de vereadora a senadora, pelo PT; no exercício do cargo de ministra do Meio Ambiente no governo Lula; e, também, em atitude passiva diante do escândalo do mensalão, que envolveu a legenda. Em seguida, já filiada ao Partido Verde, candidatou-se em 2010 à Presidência, obtendo praticamente o mesmo índice de votos que alcançou no pleito do dia 5 passado. Naquela ocasião, coerente com a posição pessoal e de sua nova legenda, levantou a mesma plataforma ambientalista que defendia como ministra. Estas e tantas outras bandeiras também fazem parte do ideário da Rede Sustentabilidade, partido que não conseguiu homologação a tempo, levando Marina a integrar-se ao PSB como vice na chapa de Eduardo Campos, a quem, com sua morte trágica, substituiu como candidata à Presidência.

Por isso, não surpreende que, entre as demandas apresentadas por Marina a Aécio, esteja inclusive um aceno ao Movimento dos Sem-Terra (MST) e a outros movimentos sociais, além do recuo em outros itens da pauta tucana, como a redução da maioridade penal. A alguns pode parecer que Marina esteja querendo, na prática, substituir um programa bem-sucedido o suficiente para ir ao segundo turno por outro que nem isso conseguiu.

Mas, se a ideologia pessoal empurra Marina mais para o lado do PT, a campanha difamatória movida por seu ex-partido, quando ela se mostrava a opção mais viável para derrotar Dilma, parece ter destruído todas as pontes que poderia haver entre as candidatas. Marina foi impiedosamente esmagada pelo marketing petista; vê-la abraçada a Dilma faria pensar em um caso clássico de síndrome de Estocolmo.

Em 2010, Marina preferiu a neutralidade entre Dilma e o tucano José Serra. Agora, a situação é um pouco diferente: várias das legendas que se uniram em torno de Marina já fecharam com Aécio, incluindo o próprio PSB, apesar de algumas dissidências. Resta a definição da própria Marina, que precisa calcular o risco: se ela está adiando o anúncio apenas para tentar arrancar de Aécio mais concessões programáticas, e se o tucano julgar que pode vencer mesmo sem o apoio formal da ex-ministra, ela pode acabar desvalorizada.

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