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Editorial

Menos ideologia e mais gestão nas eleições municipais

  • PorGazeta do Povo
  • 17/11/2020 22:12
Eleitora vota no Pará no último domingo (15): partidos do Centrão elegeram mais prefeitos e vereadores do que em 2016.
Eleitora vota no Pará no último domingo (15): partidos do Centrão elegeram mais prefeitos e vereadores do que em 2016.| Foto: Tarso Sarraf/AFP

Mesmo com o segundo turno ainda por resolver em muitas cidades importantes, incluindo alguns dos maiores centros urbanos do país, analistas políticos já se dedicam a encontrar “vencedores” e “perdedores” das eleições municipais deste ano. É um trabalho que, de fato, já pode ser feito, especialmente em relação aos partidos que mais ganharam ou perderam prefeituras, em número e importância. Ainda assim, tal análise tem de levar em conta uma série de nuances que fazem do pleito municipal um evento um pouco diferente das eleições para a Presidência da República, governos estaduais, Congresso Nacional e Assembleias Legislativas.

Entre essas diferenças não está apenas o fato de que a proximidade entre candidatos e eleitores na disputa municipal torna muito mais frequente o voto por afinidade – a chance, por exemplo, de alguém escolher um candidato que conhece pessoalmente é muito maior em uma eleição para vereador que numa disputa para deputado federal. Também é importante compreender o papel das ideologias e convicções sobre temas importantes na disputa municipal.

Muitos eleitores mais ao centro tenderão a relativizar as opiniões de um candidato sobre grandes temas caso ele tenha se mostrado um bom gestor ou demonstre bom conhecimento de quais são os problemas da cidade

Como já lembramos neste espaço, gestores municipais têm uma reduzida margem de manobra em comparação com Executivos e Legislativos federal e estaduais, e isso também faz do voto na eleição municipal uma escolha menos ideológica para boa parte da população. Isso porque, independentemente da opinião do prefeito ou vereador sobre determinado tema sensível, nem sempre esse prefeito ou vereador terá chance de colocar em prática essas convicções simplesmente por não estarem ligadas a assuntos de competência municipal. As exceções mais evidentes talvez sejam o alcance das regulamentações econômicas, que afetam o clima para negócios nas cidades, e a educação, já que municípios são responsáveis pelo ensino infantil e pelos primeiros anos do ensino fundamental, e temas de comportamento aplicados à educação, como a ideologia de gênero, podem ganhar ou perder espaço de acordo com o perfil dos eleitos.

Evidentemente, tanto à direita quanto à esquerda há um eleitorado cativo que se guia pela ideologia em todas as escolhas eleitorais que faz, e isso explica, por exemplo, o fato de candidatos de esquerda e extrema-esquerda estarem no segundo turno em cidades importantes, como Guilherme Boulos (PSol) em São Paulo e Manuela D’Avila (PCdoB) em Porto Alegre, repetindo o que Marcelo Freixo (também do PSol) fizera no Rio de Janeiro em 2016. No entanto, os candidatos extremistas, ainda que consigam aumentar suas votações do primeiro para o segundo turno, encontram muito mais dificuldade em vencer pleitos municipais porque boa parte dos eleitores está menos interessada em ideologia que em uma gestão eficiente.

Isso quer dizer que muitos eleitores mais ao centro tenderão a relativizar as opiniões de um candidato sobre grandes temas de comportamento ou econômicos caso ele tenha se mostrado um bom gestor ou, se ainda não chegou a ocupar cargos públicos, demonstre bom conhecimento de quais são os problemas da cidade. Há vagas nas creches? Os postos de saúde funcionam bem? O lixo é recolhido devidamente? O transporte coletivo é eficiente? No pleito municipal, essas questões pesam muito mais para um número maior de eleitores que as opiniões dos candidatos sobre assuntos nos quais eles não terão nenhuma influência estando sentados em cadeiras de prefeito e vereador. E gestores bem avaliados existem em todos os campos do espectro político.

Também por essas características é muito difícil transpor os resultados de 2020 como uma prévia da eleição de 2022. A única relação que se pode fazer com alguma segurança neste momento diz respeito apenas ao “palanque”, ou seja, em quantos municípios um pré-candidato de 2022 (seja à Presidência, ao governo estadual ou a um cargo legislativo) poderá contar com o apoio do prefeito. De resto, trata-se de uma disputa bastante diferente, pois os grandes temas, incluindo a pauta de costumes, assumem muito mais relevância. A opinião de um candidato a presidente, deputado federal ou senador sobre assuntos como aborto, descriminalização das drogas e questões identitárias importa muito mais porque os detentores de tais cargos efetivamente terão poder de ditar políticas públicas sobre esses temas, ao contrário de prefeitos e vereadores. Os critérios de escolha mudam, e por isso não só é prematuro, mas também é impreciso fazer prognósticos para 2022 com base nos resultados deste ano.

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Comentários [ 9 ]

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    Pedro

    ± 0 minutos

    Da mesma forma que muita coisa mudou de 2018 para cá, muita coisa deve mudar até as eleições de 2022. É preciso cautela nos prognósticos.

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    Glecio

    ± 10 horas

    Esse é um artigo realmente interessante e verdadeiro.

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    Walter

    ± 19 horas

    Difícil relacionar quantidade de prefeitos que apoiam determinado candidato a presidente e ao seu sucesso na eleição. Ideologia de esquerda posta de fora do jogo, resta saber um candidato que preze pelos recursos públicos e trabalhe pensando em um País melhor no médio e longo prazos. Isso é que o eleitor, em sua maioria, deseja.

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  • M

    Marcos R O Arakaki

    ± 21 horas

    Impossível escolher um gestor sem ideologia. isso será o guia, um socialista vai quebrar o estado, aumentar o número de funcionários públicos, favorecer mais alguns.....

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  • P

    Paulo César de Castro Silveira

    ± 22 horas

    1- É impressionante que em municípios com mais de 200.000 eleitores, tantos ganharam com mais de 70 por cento dos votos. O recorde foi MDB em Aparecida de Goiânia com 95 por cento dos votos. Escrevam sobre isto. E 2- Em 10 municípios com mais de 200 mil eleitores, no Estado de São Paulo, o PT não elegeu NENHUM vereador.

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    LEONARDO BARBASKI

    ± 23 horas

    Ainda bem. O que precisamos é de bons gestores, que façam o que se espera de um prefeito - administrar o orçamento municipal, olhando todos os bairros, as pastas que ele é responsável. Lembrando que prefeito não é responsável por segurança pública por ex, educação médio e superior, parte da geração de empregos depende mais do estado e seus altos impostos... Enfim, só pra falar do q vários candidatos vieram falando q iam fazer - e não poderiam caso eleitos.

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  • P

    Pzig

    ± 24 horas

    Aqui temos o rabo abanando o cachorro. Com tantos problemas estruturais a se resolver nas cidades dão foco a assuntos marginais porém polêmicos para chamar a atenção,

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    Adriano Fritz

    18/11/2020 9:54:39

    O brasileiro não sabe votar isso é fato! Se soubesse não estaríamos nessa draga há quase 20 anos, seja por burrice ou por falta de opção o que mais fazemos é votar errado nos deixamos enganar sempre embalados no sonho de um salvador da pátria que irá resolver todos os nossos problemas! Quem fez o sistema se beneficia dele para se manter exemplo simples é que nem sempre o mais votado escolhido pela maioria ganha tem o tal de coeficiente eleitoral que leva um bando de incapazes para o legislativo! Pra ficar apenas num exemplo!

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  • T

    TIAGO

    18/11/2020 2:02:37

    Ao dizer "menos ideologia" vc já tem a sua ideologia. Vc é adepto da ideologia de 'menos ideologia'.

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