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Integração internacional, a lição de Adam Smith que o Brasil reluta em aprender

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Contêineres no Porto de Paranaguá (PR). (Foto: ChatGPT sobre foto de Roberto Dziura Jr/Agência Estadual de Notícias)

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Em 9 de março, o mundo econômico comemorou o aniversário de 250 anos da primeira publicação de A Riqueza das Nações, em 1776, de autoria do filósofo e economista escocês Adam Smith. Esse livro foi um marco na fundação da teoria econômica moderna e seu sucesso até hoje decorre das explicações que Smith ofereceu sobre por que algumas nações são ricas e outras são pobres. O autor começa por esclarecer que a verdadeira riqueza de uma nação está centrada na capacidade de produzir bens materiais e serviços capazes de satisfazer as necessidades da população e o investimento em capital destinado a formar a infraestrutura física e a infraestrutura empresarial.

 Adam Smith demonstrou com notável maestria que a prosperidade material depende primordialmente das quantidades que cada trabalhador consegue produzir por hora trabalhada, ou seja, a produtividade/hora do trabalho. Mas o trabalhador não trabalha sozinho para produzir matérias-primas e transformá-las em bens e serviços finais aptos ao consumo e ao investimento. O trabalhador depende de ferramentas e máquinas que, por sua vez, também dependem de serem produzidas em etapa anterior a seu uso no processo produtivo. A grande contribuição de Smith está em sua descoberta de que a divisão do trabalho, pela qual cada trabalhador se dedica a uma dada tarefa repetidamente, leva ao aumento da produção por hora. Ou seja, a repetição leva à especialização, e esta faz aumentar as quantidades produzidas por tempo trabalhado.

É útil lembrar que esse problema já se apresentava ao homem antigo que, intuitivamente, descobriu ser mais vantajoso dividir as tarefas, de forma a fazer que cada um se especializasse em uma determinada atividade por meio da repetição. Antes disso, para obter seu alimento, cada homem desempenhava as três tarefas de pescar, caçar e coletar frutos. O trabalho era cansativo e a produção era baixa, o que fez o homem descobrir que seria mais vantajoso que um se dedicasse somente à pesca; outro, somente à caça; e um terceiro, somente à coleta de frutos. O resultado foi a constatação de que a concentração em uma dada tarefa melhorava as habilidades e, por efeito, aumentava a produção por hora. O conceito de produtividade nasceu ali: fazer mais produto com menor esforço de trabalho.

O fechamento de um país ao comércio exterior e as barreiras para a importação de bens e serviços são práticas altamente prejudiciais, capazes de manter o país no atraso e na pobreza

A Revolução Industrial que se firmou no século 18 e se consolidou no século 19 introduziu a divisão do trabalho no interior das fábricas: o operário se especializou e o aumento da produção total nas mesmas horas trabalhadas ocorreu em alta proporção. Adam Smith tratou essa questão da produtividade de forma brilhante e com o uso de técnica econômica e argumentativa naquela que é a primeira grande obra de macroeconomia: A Riqueza das Nações. Sendo obra intelectual com rigor teórico e precisão em seus conceitos técnicos, fundada em observação e investigação, o livro mudou o curso da história e provocou enorme impacto sobre a prosperidade material e o bem-estar social.

O princípio da divisão do trabalho e da especialização como indutor de maior produtividade foi transposto para o ambiente das nações e estudado com rigor por economistas e filósofos, quando na aplicação desse princípio se percebeu que as nações têm recursos naturais diferentes, climas diferentes e vocações diferentes em termos do sistema de produção de bens e serviços. Surgiu daí a teoria das vantagens comparativas, mostrando que os países produzem determinados bens e serviços com mais eficiência e maior produtividade do que outros, tornando vantajoso para todos que cada um se dedique àquilo que sabe fazer melhor, que intensifiquem o comércio entre si e promovam as trocas num vasto mercado internacional.

A terra, o clima, a posição geográfica, a bacia hidrográfica, a costa marítima, a fertilidade do solo e os recursos naturais vários são os primeiros elementos que promovem as diferenças de capacidade produtiva e eficiência econômica entre as nações. Como exemplo, há o caso das nações com vocação para produzir alimentos, mas que não produzem petróleo, enquanto outras têm vocação para produzir petróleo, mas não produzem alimentos. Se todos os países precisam de alimentos e de petróleo, o comércio internacional beneficia a todos à medida que se faz com bases em regras de direito internacional e acordos pactuados livremente.

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Em um mundo no qual não foram necessários mais de 300 anos para haver explosão de descobertas, invenções, inovações e revolução nos processos produtivos, o fechamento de um país ao comércio exterior e as barreiras para a importação de bens e serviços são práticas altamente prejudiciais, capazes de manter o país no atraso e na pobreza. O Brasil, que já foi exageradamente fechado e pouco intenso nas trocas comerciais, vem no atual governo adotando postura hostil aos países que mais teriam a contribuir para o crescimento econômico e o desenvolvimento tecnológico brasileiro, a começar pelo distanciamento e hostilidade do governo Lula à maior potência econômica e tecnológica do mundo: os Estados Unidos.

Os esquerdistas e todos quantos apoiam o PT e o atual governo Lula são solidários com políticas e relações externas contrárias aos interesses do Brasil e, por isso mesmo, são aliados de ações governamentais que prejudicam o crescimento e a redução da pobreza. O distanciamento brasileiro das nações desenvolvidas, o protecionismo comercial, a aliança do governo atual com as piores ditaduras (como o Irã, Cuba e Venezuela) e seu apoio implícito a grupos terroristas (como o Hamas) reduzem a entrada de capitais estrangeiros produtivos (investimentos no território nacional que geram produto, renda, emprego e impostos) e impedem a absorção de tecnologias estrangeiras decisivas para a evolução nesta época de quarta revolução tecnológica. Se o Brasil não ampliar a abertura ao comércio exterior e não evoluir na integração e aliança com as nações desenvolvidas, o atraso e a pobreza continuarão como as marcas desta nação.

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