Na semana finda, moradores de Foz do Iguaçu se mobilizaram em um protesto contra o assassinato de dois jovens – Johny André de Matos, 18 anos, e Marcos Antônio Holdefer, 22, mortos com mais de 20 disparos. Presos, os autores, igualmente de pouca idade, 22 e 24 anos, alegaram aos policiais que mataram Johny e Marcos Antônio, que lanchavam nas proximidades de uma danceteria, "por engano". Na manifestação, no Centro de Foz, lamentos de dor e de revolta dos familiares e amigos pela perda irreparável de duas vidas inocentes e um único e dramático apelo: chega de violência, queremos paz!

Paz, em resumo, é o que anseiam os paranaenses, e todos os brasileiros, apreensivos com a violência generalizada que faz dos cidadãos reféns do medo, verdadeiros reclusos em suas casas, diante da insegurança que grassa do portão para fora. A violência do cotidiano é, em última análise, consequência da profunda crise social em que se vê mergulhada a sociedade, deixando transparecer a desconfortável impressão de que o bem está, irremediavelmente, perdendo a luta contra o mal. Realidade que assusta, oprime e contra a qual se percebe um crescente e uníssono clamor por mais segurança e paz.

Esse é exatamente o grande objetivo da campanha "Paz Sem Voz É Medo", que o Grupo Paranaense de Comunicação está lançando hoje em todo o Paraná. Através de seus veículos, os jornais Gazeta do Povo, Jornal de Londrina e Gazeta Maringá; as emissoras da RPC TV; as rádios 98FM e Mundo Livre FM e o canal ÓTV, o GRPCom faz um convite aos paranaenses a colaborarem na construção de uma cultura de paz. Um chamamento à união de toda a sociedade, autoridades, imprensa e demais forças vivas em prol de um novo amanhã. Um tempo que restitua ao cidadão aquilo que parece estar sendo irremediavelmente perdido, que é o sentimento de se sentir livre do estigma da insegurança e do perigo que hoje virou uma sombra incômoda do dia a dia.

Para tanto, está claro que é preciso vencer a apatia, superar o sentimento de impotência e resignação com que vem sendo encarado o caos urbano, como se fosse uma realidade sem volta. Diariamente somos impactados por formas diversas de violência: no âmbito doméstico, na agressividade gratuita do trânsito e até no recinto das escolas; em escala maior nos deparamos com o crime organizado e seus derivativos, em particular o tráfico de drogas, fator de crescente desagregação social. Uma realidade que está diante dos olhos de todos e contra a qual não se pode ficar calado. Afinal, uma sociedade precisa ter voz para vencer o medo e lutar pelos seus direitos.

O propósito maior da Campanha "Paz Sem Voz É Medo", que irá se estender pelos próximos meses, é justamente este. Provocar uma ampla discussão em torno das questões que envolvem o fenômeno dos crescentes índices de violência urbana. A partir daí, buscar então caminhos viáveis pelos quais a sociedade organizada possa dar a sua parcela de contribuição na necessária e urgente empreitada em prol de um Paraná mais seguro e menos violento. Um desafio sem dúvida instigante e para o qual todos podem e devem ser partícipes.

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