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Editorial

O fim da zona de conforto

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  • 14/09/2010 21:01

Duas reportagens publicadas ontem pela Gazeta do Povo revelam que os deputados estaduais do Paraná não parecem estar muito preocupados com o julgamento que os eleitores fazem de suas atitudes. Por causa disso, sentem-se imunes a um possível revés eleitoral nas eleições de outubro.

A primeira notícia é sobre a descoberta de um documento que comprova que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Justus (DEM); o primeiro-secretário da Casa, deputado Alexandre Curi (PMDB), e o ex-presidente do Legislativo estadual e atual presidente do Tribunal de Contas do estado, Hermas Brandão, mantiveram duas funcionárias fantasmas na estrutura do comando da Casa. Desde o começo da série Diários Se­­cretos, publicada pela Gazeta do Povo e pela RPC TV em março, esta é a primeira vez que se encontram provas de que fantasmas estavam lotados na presidência e na primeira-secretaria da Casa.

Como se não bastasse essa descoberta, o deputado Stephanes Júnior (PMDB), que coordena a subcomissão do Conselho de Ética da Assembleia responsável por analisar o pedido de cassação de Justus e Curi, realizado pelo PV em junho, reclama que o grupo tem tido dificuldades para ter acesso às investigações relacionadas ao caso. Segundo o parlamentar, há cerca de um mês foi en­­caminhado requerimento à presidência da Assem­­bleia para obter dados da sindicância que revelam que duas servidoras fantasmas estiveram lotadas na presidência e na primeira-secretaria, mas até agora não teria havido resposta.

Com base nesses novos fatos, se antes a situação da atual Mesa Diretora já era insustentável, agora mostra-se abusiva e desrespeitosa com os cidadãos paranaenses. A substituição de todos os seus membros e, principalmente do presidente e do primeiro-secretário, tornou-se uma questão de ordem pública, não apenas ética, mas também da responsabilidade dos parlamentares com o dinheiro público. Além disso, o comportamento reiterado da Mesa Executiva em não ceder informações ao Conselho de Ética é uma obstrução às investigações e reforça a necessidade da mudança.

A segunda notícia, também de grande relevo e que deve chamar a atenção da população, diz respeito ao recesso branco que teve início hoje e vai até a realização das eleições em 3 de outubro. Isso significa que, por decisão conjunta dos líderes partidários, não haverá sessões plenárias até lá para que os parlamentares tenham mais tempo para trabalhar em suas campanhas. Ou seja, para trabalharem, em período legislativo, em causa própria, recebendo salário pago com dinheiro público. Como já dito neste espaço anteriormente, os interesses particulares eleitorais de nossos representantes não justificam o recesso. Afinal, deputados foram eleitos para quatro anos de mandato e são pagos para representarem a sociedade integralmente nesse período.

Demonstra também a total falta de preocupação dos deputados com a opinião pública o fato que dos 54 parlamentares apenas um propor que os dias de recesso sejam descontados do salário de todos eles, justamente um dos poucos que não estão concorrendo à reeleição, Jocelito Canto (PTB). "Não adianta brincarmos de transparência. Temos de mostrar que algo está sendo feito. Precisamos dar o exemplo em respeito aos cidadãos", disse que ele, que se justificou: "Não sou contra fazer campanha, mas, então, que se desconte do salário dos deputados estes 20 dias de recesso".

Esse comportamento impõe um preço muito caro à sociedade, que corre o risco de ver projetos importantes não serem votados ainda neste ano, ou, então, se forem votados, isso ocorrer sem o necessário debate aprofundado. Aliás, por que não aproveitar esse momento de grande debate político, que é o período eleitoral, para realizar transformações decisivas para a política paranaense, como as requeridas pelo movimento "O Paraná que Queremos": a contratação de empresa renomada de consultoria para revisão da estrutura de cargos da Assembleia Legislativa; a aprovação de norma que determine o preenchimento de cargos administrativos da Assembleia exclusivamente com servidores concursados; e a aprovação de norma que estabeleça mandato fixo, não coincidente com o mandato parlamentar para os cargos de direção administrativa, com possibilidade de apenas uma recondução.

Diante de mais esses desmandos, a sociedade não pode esmorecer nem se calar. Precisa se manter mobilizada e saber que a mudança só virá com o tempo. O exercício da cidadania só virá com o passar dos anos, pois, infelizmente, não é possível mudar décadas de práticas abusivas em apenas alguns meses. Mas os parlamentares e governantes têm de saber que estamos alertas. E é por meio de ações, como a mobilização realizada por milhares de paranaenses que aderiram ao "Movimento Paraná que Queremos" e também aderindo ao movimento do voto consciente, realizando uma escolha bem fundamentada nas eleições de outubro com base em pesquisas sobre a vida pregressa dos candidatos e de suas propostas, que podemos fazer a diferença e tirar os ocupantes de cargos políticos atuais dessa zona de conforto, que os permite achar que são intocáveis.

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