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Editorial

Os desafios do PIB

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  • 02/03/2006 18:02

Despejadas durante o carnaval, duas informações relevantes correm o risco de passarem despercebidas: o Brasil só cresceu 2,3% em 2005, mas a nota de classificação do país melhorou. Trata-se de dois registros complementares: o governo conseguiu sanear as finanças públicas, pagando seus compromissos pontualmente, o que contribuiu para melhorar a avaliação externa dos possuidores de títulos da dívida brasileira e influiu na classificação de risco das agências internacionais. Porém o baixo crescimento mostra uma virtual estagnação que bloqueia a melhoria nas condições de vida da maioria do povo.

Reconhecendo essa realidade negativa, o presidente Lula declarou que o ano passado "foi muito sofrido" e se dispôs a aproveitar a pausa do feriadão para repensar seu governo, visando a evitar a repetição do baixo desempenho em 2006. O problema é a limitação de meios ao alcance, passados três anos do mandato de quatro, em que faltou um projeto estratégico – na avaliação de observadores como o professor Estefano Garelli, da Escola de Negócios de Lausanne; Vinod Thomas, ex-diretor do Banco Mundial para o Brasil, e Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge.

A tabela publicada sábado por este jornal mostra que enquanto China e Índia crescem em torno de 9% a 10%; os demais países emergentes, a 6%; e a América Latina, a 4,6%; o Brasil – após exibir um padrão histórico de forte expansão – agora se situa na retaguarda, com 2,3%, superando apenas o Haiti. Cruzado com a expansão demográfica para medir o aumento de renda, esse índice cai para 0,8%, representando estagnação virtual que torna insuficiente o esforço de combate à exclusão com programas emergenciais tipo Bolsa-Família, assinala o Banco Mundial. É que o rompimento da "cortina da pobreza" requer um conjunto de políticas públicas voltadas para o crescimento – como fizeram no passado os países vencedores e hoje Coréia do Sul, China e Índia, entre outros.

No Brasil dos últimos 20 anos, desde o Plano Cruzado, decisões de curto alcance – algumas populistas, outras francamente ineptas – estabeleceram um perfil de avanço em solavancos, as políticas de "go and stop" ou "vôo de galinha", perpetuando a estagnação. A resultante dessa série de desencontros pode ser vista aqui mesmo em Curitiba: conforme nota abaixo, o comércio considera insuportável a degradação do centro da cidade tomado por marginais e pessoas em situação de risco social.

Excusando-se de respostas sólidas, os dirigentes governamentais voltam a repetir, como fizeram no início de 2005, que "no ano passado não crescemos, mas vamos consegui-lo em 2006", etc. Infelizmente, se vê o contrário: a falta de apoio retraiu o agronegócio, derrubou a renda e o consumo e põe em risco a própria industrialização. Por isso só um projeto nacional que corrija pontos de estrangulamento tais o câmbio desregulado, custo excessivo do Estado e crédito escasso e caro – assentado em ações viáveis e de continuidade – trará a retomada da economia e o esperado desenvolvimento.

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