No episódio ocorrido no Rio de Janeiro quarta-feira à noite, quando três edifícios vieram abaixo em pleno centro da cidade, as causas exatas da tragédia vão depender dos laudos técnicos que serão elaborados. Ainda assim, já é possível elencar algumas hipóteses que levaram ao desmoronamento dos prédios, a principal delas a realização de reformas em um dos andares do maior deles, o Liberdade, de 20 andares. As obras em questão possivelmente teriam afetado um dos pilares de sustentação, provocando o seu desabamento e levando com ele mais dois edifícios contíguos.

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Além de se lamentar a perda de vidas humanas e a destruição do patrimônio de dezenas ou até centenas de proprietários de imóveis no local, o fato remete a uma inevitável preocupação: a quantas anda a fiscalização dos órgãos responsáveis por eventuais obras que possam vir a ser feitas em construções dessa natureza. No caso específico do Edifício Liberdade, construído em 1940, as informações dão conta de que não havia registro de qualquer reforma, o que levanta a suspeita da realização de melhorias em caráter clandestino.

A verdade é que o crescimento vertical das cidades brasileiras se constitui em um desafio à capacidade de organismos como prefeitura e Crea em acompanhar o ritmo do andamento de obras civis, estejam elas no início, já concluídas ou quando se tratar de reformas. Inadmissível é aceitar que três prédios no centro do Rio desmoronem por um motivo que poderia ser evitado. Se novos procedimentos de fiscalização devem ser adotados ou corrigidos os atuais, o importante é evitar que tragédias dessa natureza se repitam.

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Mas não é apenas o trabalho de acompanhamento dos órgãos técnicos que é importante. A própria sociedade pode dar a sua parcela de contribuição em nome da segurança coletiva. A começar pelas entidades ligadas ao setor imobiliário e os próprios condomínios. Cada qual ao seu jeito tem condições de promover, por exemplo, campanhas de orientação em torno dos cuidados que devem ser tomados quando de empreendimentos que podem acabar provocando danos estruturais graves aos imóveis.