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Opinião 1

Um presidente mórmon?

Hoje é um dia emblemático na história dos Estados Unidos: pela primeira vez dois representantes de grupos minoritários disputarão a Presidência daquela que é, ainda, a potência hegemônica do sistema internacional. De um lado, Barack Obama, afrodescendente; do outro, Mitt Romney, um mórmon. E, incrivelmente, nas duas chapas, os candidatos a vice-presidente são católicos. Nunca houve tanta diversidade numa eleição, evidenciando um enorme sinal de maturidade daquela sociedade que, até a década de 60, ainda lutava arduamente para que todos os seus cidadãos tivessem direitos civis e a sua enorme divisão racial diminuísse.

Será uma votação apertada. Barack Obama, que em 2008 encantou o mundo com o seu discurso sobre "esperança e mudança", luta para se manter no cargo por mais quatro anos, sem muitas proposições quanto ao rumo a seguir. "Osama bin Laden está morto e a GM está de pé", alardeia o vice-presidente Joe Biden, como mantra para justificar o acerto das políticas adotadas.

Do outro lado, o ex-governador de Massachusetts ataca visceralmente as enormes lacunas abertas por uma administração que não cumpriu muitas das promessas realizadas na campanha eleitoral. Novamente, a economia – ou melhor, o bolso –, no entanto, é o que determinará o resultado da eleição. Neste quesito, Romney, em qualquer pesquisa, leva maior vantagem. O empresário, consultor e político, apesar de eventuais questionamentos quanto às suas mudanças de opinião em diversos assuntos, ainda representa a expectativa redentora de uma reviravolta econômica nos Estados Unidos, particularmente no sentido de alcançar uma melhor estabilidade, reduzir o desemprego e frear o quadro recessivo que, por certo, tem um impacto internacional de enormes consequências. O mundo precisa que a economia dos EUA se recupere o mais rápido possível.

Mas quem é Mitt Romney? Muito se tem falado – negativamente – a seu respeito. Talvez a mídia norte-americana, em sua maioria mais liberal que conservadora, tenha contribuído na construção da imagem de um candidato que não tem as mesmas capacidades de oratória de seu concorrente. Recentemente, observou-se que a maior parte dos eleitores brasileiros tem preferência mais acentuada por Obama. Trata-se mais de uma predileção devida ao histórico do candidato que pelo real conhecimento das qualificações de Romney e seu impressionante currículo acadêmico e de realizações empresariais e filantrópicas.

Romney é membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – apelidados de mórmons, em razão de um livro considerado sagrado e que, segundo afirmam seus seguidores, foi traduzido pelo fundador da religião, Joseph Smith, graças ao dom e ao poder de Deus. O que esperar de um presidente mórmon? Em primeiro lugar, um senso mais aprofundado de patriotismo. Os mórmons norte-americanos são reconhecidos por seu apego e zelo pelos Estados Unidos e pelo sentido histórico que para eles o país representa. Ademais, haverá o retorno a alguns princípios básicos, característicos do espírito norte-americano, com um incentivo acentuado à autossuficiência, livre mercado e redução do tamanho do Estado, além de um apego maior aos valores morais.

Marcus Vinícius de Freitas é professor de Direito e Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

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