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Na UEM, abstenção no vestibular realizado em maio foi de 46,7%.
Na UEM, abstenção no vestibular realizado em maio foi de 46,7%.| Foto: Divulgação/UEM

A pandemia de Covid-19 gerou abstenção recorde nos vestibulares das principais universidades públicas das maiores cidades do interior do Paraná, as estaduais de Londrina (UEL), Maringá (UEM) e Ponta Grossa (UEPG), o que gera incerteza para o concurso da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que fará sua avaliação no dia 18 de julho, em fase única.

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Os vestibulares da UEL, UEM e UEPG foram todos realizados em maio. Na universidade de Londrina, 42% dos candidatos inscritos não apareceram para fazer as provas; em Maringá, a abstenção foi de 46,7%; e em Ponta Grossa, de 34%.

Procurado pela Gazeta do Povo, o Núcleo de Concursos da UFPR (NC/UFPR) preferiu não estimar uma abstenção no vestibular de julho. “A situação pandêmica atual cria um quadro instável que não permite especulação, e qualquer estimativa não tem base concreta. Só teremos ideia real após o prazo para o candidato baixar seu comprovante de ensalamento”, informou o NC/UFPR, em nota.

O próximo vestibular da UFPR conta com aproximadamente 40 mil inscritos, estando no padrão esperado pelo núcleo. O NC/UFPR destacou que é difícil inclusive fazer comparações com vestibulares anteriores, pois este ano a avaliação será em fase única, em função da pandemia. No concurso anterior, houve 12,5% de abstenção na primeira fase e mais 5,6% na segunda. “Não faz sentido apenas somar estes índices e fazer comparação”, destacou o órgão, vinculado à Pró-reitoria de Graduação da UFPR.

“Não há o que se possa fazer, em relação a prevenir ou mitigar abstenções, a não ser adotar rigorosamente o protocolo de biossegurança. Estamos fazendo o que é possível, pensando na questão da segurança dos candidatos e de todos os envolvidos. Por isso, seguiremos à risca o protocolo de biossegurança”, finalizou o NC/UFPR.

A UEPG foi a primeira das universidades estaduais dos três maiores municípios do interior a fazer seu vestibular e teve uma abstenção inferior à da UEL e da UEM. Ainda assim, o índice foi mais de duas vezes superior ao registrado no vestibular anterior da instituição, realizado antes da pandemia e no qual 14% dos inscritos não compareceram para fazer as provas.

“A UEPG foi a primeira universidade pública do Paraná a realizar o vestibular durante a pandemia. É claro que a pandemia foi um dos fatores que influenciaram nessa ausência de 34% dos candidatos que não compareceram para fazer o vestibular no início de maio, porém, em comparação com as demais universidades públicas do Paraná que já realizaram seus vestibulares, esse índice é considerado satisfatório”, afirmou Edson Luis Marchinski, coordenador do vestibular da UEPG.

Decreto de Curitiba impactou comparecimento no vestibular da UEM

Na UEL, a abstenção recorde de 42% foi atribuída, entre outros fatores, às condições meteorológicas (chuva em Londrina) e aos dois adiamentos seguidos da data do vestibular. “Era esperado. Nenhuma universidade está fazendo vestibular com tranquilidade”, disse Sandra Garcia, da Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) da UEL.

A universidade inclusive havia tomado duas medidas para reduzir a abstenção: decidiu realizar as provas em fase única e em apenas um dia (ao contrário do processo tradicional da instituição, quando são realizadas duas fases), para facilitar o comparecimento de candidatos de outras cidades, e abaixar o preço público para a inscrição no vestibular de R$ 157 para R$ 135.

Nos próximos dias, a Cops vai avaliar e definir uma proposta para o próximo vestibular da UEL, a ser levado para o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). Segundo Garcia, até julho a universidade quer já estar com uma decisão tomada sobre datas, preço da inscrição e formato da prova. “A indicação é de que ainda teremos problemas (em razão da pandemia). Queremos resolver o mais rápido possível para que os candidatos saibam as ‘regras do jogo’ e possam se preparar”, explicou a coordenadora.

Na UEM, onde o vestibular teve 46,7% de abstenção, a presidente da Comissão Central do Vestibular Unificado (CVU), Maria Raquel Marçal Natali, entende que “não cabe falar de recorde”.

“Uma coisa tem que ser comparada com outra ocorrida nas mesmas condições. Nós nunca tínhamos feito vestibular no meio de uma pandemia. Antes, nós tínhamos vestibular de inverno e verão. Depois, ficou apenas de inverno, por conta da pandemia. A data também foi adiada para maio; estava marcada para o início do ano e foi postergada devido ao avanço da pandemia”, relatou.

Natali destacou que outro fator de influência foi a concentração de vestibulares de várias universidades em maio. Além disso, pelos protocolos de segurança da UEM, candidatos com sintomas de Covid-19 ou que tiveram contato recente com pessoas com suspeita ou confirmação de infecção não puderam fazer as provas, o que também pode ter impactado no comparecimento.

“Também precisamos considerar a questão econômica, as dificuldades geradas pela pandemia, e a transferência do local de provas de Curitiba para Ponta Grossa (em razão de decreto da capital que proibiu concursos na cidade), que gerou ausência grande, tínhamos muitos candidatos que iriam para Curitiba, inclusive pela facilidade de deslocamento via aeroporto”, acrescentou.

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