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Aeroporto de Foz
Aeroporto de Foz do Iguaçu, um dos ativos leiloados no início do mês| Foto: Kiko Sierich/Arquivo/Gazeta do Povo

Depois de ter inaugurado a nova pista de pousos e decolagens neste mês, o Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu/Cataratas passa às mãos da iniciativa privada. A transferência da Infraero para o Grupo CCR, que arrematou o Bloco Sul dos aeroportos leiloados no último dia 7, trará um novo aporte de investimentos em ampliações e melhorias. A concessionária, que assume o aeroporto pelos próximos 30 anos, investirá R$ 512 milhões.

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Entre as principais obras estão a construção de mais uma pista, de 3 mil metros, a ampliação do terminal de passageiros, a reforma e ampliação do pátio de aeronaves, a reconstrução do estacionamento de veículos e do sistema viário de acesso e a implantação de novas pontes de embarque.

Com a construção da nova pista, a atual passará a ser destinada exclusivamente ao taxiamento. Hoje, ela é usada para os dois fins. Dessa forma, não pode haver pousos e decolagens enquanto uma aeronave está taxiando, o que acaba tomando mais tempo para os procedimentos. Com duas pistas, uma para cada finalidade, as operações serão mais ágeis, o que contribui para viabilizar mais voos.

De acordo com o estudo de viabilidade, que consta do edital, em 2018 o aeroporto de Foz registrou uma movimentação de 20.512 aeronaves. A projeção para 2050 é de 68.899. O número de passageiros, que em 2018 foi de 2,28 milhões, deve chegar a 7 milhões até o final da concessão.

Aeroporto de Foz é lucrativo e tem perspectiva de crescimento de receita

O Cataratas é lucrativo. A receita em 2018 foi de R$ 53 milhões, com margem Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) de 35%. De acordo com a análise econômico-financeira, entre 2023 e 2050, as receitas crescerão a uma taxa média de 4,6% ao ano. Haverá um aumento da participação das receitas não tarifárias (resultantes da exploração dos espaços e de serviços como locação de veículos, estacionamento, serviços de alimentação, entre outros), que passarão dos atuais 25% para 29%, conforme a estimativa.

Essa projeção de aumento da participação vem da expectativa com a renegociação dos contratos de exploração dos espaços no aeroporto.

Investir no transporte de cargas também é importante

O industrial Rainer Zielasko, presidente do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), que atua com iniciativas pelo desenvolvimento regional, disse que há uma expectativa de aproximação do Grupo CCR com a comunidade local para uma discussão conjunta sobre as intervenções no aeroporto. “Há muitas demandas e esperamos essa proximidade para podermos fazer um trabalho conjunto”, pontuou.

Zielasko reconhece que o forte do aeroporto de Foz é o turismo, mas defende também o investimento no transporte de carga. “É claro que a vocação da região é o turismo, mas investir também em carga pode trazer um diferencial, promovendo uma integração com os outros modais e dotando o interior do Paraná de uma infraestrutura adequada”, observou. “Estamos longe dos grandes centros consumidores e do porto e precisamos dar vazão a tudo o que produzimos aqui. Por isso, precisamos da expansão do aeroporto, de uma ferrovia nova e de mais investimentos em estradas”, frisou.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Foz do Iguaçu (Acifi), Faisal Ismail, atribui, em parte, à recém inaugurada pista, o ágio pago pela concessionária pelo Bloco Sul. O Grupo CCR arrematou o bloco, composto por nove aeroportos, por R$ 2,128 bilhões, 1.534% a mais que o valor de referência, fixado em R$ 130,2 milhões. “A nova pista valorizou o aeroporto” disse.

Para o líder empresarial, com mais uma pista que será construída e as outras melhorias, abrem-se perspectivas de mais voos e também de ampliar o transporte de carga pelo terminal, beneficiando todo o Paraná.

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