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Atendimento remoto passa pela triagem de mais de 100 alunos da área da saúde.
Atendimento remoto passa pela triagem de mais de 100 alunos da área da saúde.| Foto: Divulgação/ Seti

Em funcionamento há 15 dias, o atendimento psicológico remoto, disponibilizado gratuitamente pelo aplicativo Telemedicina Paraná, já recebeu 93 pacientes. A plataforma que funciona desde o dia 22 de março com atendimentos médicos para casos suspeitos da Covid-19, agora conta também com o trabalho de 54 psicólogos voluntários.

O medo, seja de estar infectado ou ter parentes infectados pelo coronavírus, seja de perder o emprego, o sustento ou deixar a família desamparada, é o principal problema relatado por quem procurou o atendimento até agora.

Segundo a psicóloga Jeanine Rolim, uma das idealizadoras e coordenadora do projeto, o atendimento de idosos, frequentemente ajudados por filhos ou netos na hora de acessar a tecnologia, têm sido frequentes. “Estar isolado é a contramão do ser humano. Recebemos desde quadros de tristeza, desesperança com o presente e o futuro, até crises agudas de ansiedade e intenções suicidas”, relata.

As consultas acontecem por vídeo chamada, em uma sessão que dura cerca de 50 minutos. “É um atendimento emergencial, para um momento de crise. Nada impede que a pessoa volte a procurar o serviço, mas tentamos, neste atendimento único, não apenas ouvir as queixas, como também passar algumas técnicas que possam ajudar a pessoa a lidar com os sentimentos que relata”, explica a psicóloga.

O sistema funciona diariamente das 8h às 23h e, segundo a coordenadora, tem sido uma ferramenta importante para levar atendimento psicológico gratuito a quem não tem condições de acessá-lo de outras formas. “Sabemos que o acesso à saúde mental no Brasil é bastante elitizado. Tem sido emocionante atender pessoas que sabemos que, de outro modo, provavelmente nunca teriam acesso a um psicólogo”, afirma Jeanine.

Os coordenadores da iniciativa que começou como um movimento voluntário e focado na crise da Covid-19, planejam agora expandir o projeto, transformando o atendimento em uma política pública disponível também após a pandemia. “Tivemos algumas reuniões com o governo estadual, ainda é algo muito inicial, mas acreditamos que a experiência que está sendo feita agora vai provar a importância desse serviço para a população”, diz Jeanine.

De acordo com a Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do governo estadual, o aplicativo Telemedicina Paraná foi criado durante a pandemia para funcionar, a princípio, por quatro meses, sendo possível a prorrogação por mais quatro. No entanto, a pasta afirma que não descarta a possibilidade de fazer perdurar o projeto.

Psicólogos atendem de casa, por meio de vídeo chamadas.
Psicólogos atendem de casa, por meio de vídeo chamadas.| Divulgação/ Seti.

Telemedicina Paraná

O aplicativo Telemedicina foi desenvolvido pela Companhia de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar) após o Ministério da Saúde passar a permitir as consultas remotas em território nacional, por conta da pandemia de coronavírus. A plataforma foi criada para disponibilizar consultas através do computador ou celular, e funciona desde o dia 22 de março com os atendimentos médicos.

De acordo com a Seti, o objetivo da plataforma é evitar o atendimento presencial de casos leves, diminuindo aglomerações nos postos de saúde e evitando também que pessoas com outras doenças sejam expostas ao coronavírus.

O atendimento psicológico foi incorporado no dia 1º de maio. A ideia surgiu da psicóloga Carolina Simeão e a colega, Jeanine Rolim, que intermediou o contato com a Celepar, para incluir no aplicativo o atendimento feito pelos voluntários da psicologia.

Atualmente, 74 médicos e 54 psicólogos prestam atendimento por meio da plataforma. Além disso, 160 estudantes da área da saúde trabalham realizando a triagem dos casos, antes de serem encaminhados às consultas. O bolsista pergunta ao paciente se há interesse na consulta ou pode também identificar, durante essa interação, se há a necessidade de atendimento nessa área. Após algumas perguntas para identificar a sintomatologia, o paciente é então encaminhado para a conversa com o profissional.

Os voluntários e bolsistas estão espalhados por todo o Paraná, e o trabalho é supervisionado por professores das universidades estaduais. O Conselho Regional de Psicologia também participa do projeto.

O aplicativo tem 3.030 usuários ativos e, além das 93 consultas com psicólogos, já realizou 1.048 consultas médicas.

Como acessar

Para acessar o serviço, é preciso instalar o aplicativo Telemedicina Paraná no celular, preencher um cadastro e passar por uma “entrevista” inicial, feita por um robô inteligente, que encaminha os pacientes à triagem feita pelos estudantes bolsistas e, em seguida, ao atendimento médico e/ou psicológico.

O serviço é gratuito e pode ser acessado de qualquer localidade paranaense. O aplicativo está disponível para os sistemas Android  e iOS.

Entre no site do serviço clicando aqui.

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