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Acúmulo de mais de 20 centímetros de poeira em alguns pontos da esteira poderia levar a uma explosão, apontaram os auditores.
Acúmulo de mais de 20 centímetros de poeira em alguns pontos da esteira poderia levar a uma explosão, apontaram os auditores.| Foto: Divulgação / MTE

Uma equipe de auditores do Ministério do Trabalho e Emprego interditou um dos principais locais de transporte de grãos para os navios no Porto de Paranaguá. A fiscalização realizada nesta quarta-feira (3) identificou falta de manutenção e um perigoso acúmulo de poeira na esteira responsável pela operação do Terminal de Exportação do Corredor Leste. Segundo os auditores, o equipamento apresentava um potencial risco de explosão.

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A auditoria está sendo realizada pouco mais de um mês após a ocorrência de um incêndio em uma das correias do corredor de exportação do porto. As operações de abastecimento do berço 214 foram temporariamente suspensas no fim de fevereiro, e não houve feridos. As causas do incêndio ainda estão sendo investigadas.

Além desse caso, a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) recebeu denúncias anônimas sobre irregularidades na operação das esteiras. Algumas das empresas fiscalizadas na ação desta quarta-feira já haviam sido notificadas em uma inspeção anterior, e os problemas foram sanados. A empresa responsável pela estrutura interditada foi notificada para tomar todas as medidas exigidas por parte da fiscalização para que a esteira volte a operar normalmente.

As operações de escoamento da safra de grãos foram impactadas, mas de acordo com o auditor e coordenador da operação Diego Alfaro o serviço deve continuar. A interdição pode resultar em redução na eficiência do processo de carga dos navios, que necessitarão de mais tempo atracados.

Acúmulo de poeira estava "muito acima do normal", avaliou auditor

Segundo Alfaro, o acúmulo de poeira encontrado na esteira estava “muito acima do normal”. “Identificamos em uma dessas esteiras aéreas um acúmulo de poeira de até 20 centímetros, quando o máximo permitido pelas normais brasileiras é de apenas meio centímetro. O nível estava tão elevado que poderia gerar uma concentração de gases nesses locais, com um iminente risco de explosão com qualquer faísca”, explicou.

Como a área das esteiras é considerada de risco, materiais e equipamentos como luminárias ou maquinários instalados nesses locais precisam de registros e especificações próprias, que atendam aos requisitos de segurança. Para o coordenador da fiscalização, não foi o que os auditores encontraram.

“As áreas classificadas são aquelas áreas que exigem uma atenção especial com maquinário, iluminação, aterramento, justamente para não gerar um aumento de temperatura ou uma faísca que venha a gerar um incêndio ou até uma explosão. Já tivemos alguns sinais com incêndios recentes que ocorreram na área”, afirmou o fiscal.

O maior risco no caso de um incêndio, explicou Alfaro, é o potencial alastramento das chamas para outros locais interligados. “Esse acúmulo de irregularidades combinado com a falta de proteção ou adequação do maquinário para a área classificada, nos levou a fazer essa interdição”, concluiu.

Em nota enviada à imprensa, a Portos do Paraná informou que a correia interditada não tem relação com o incêndio ocorrido em fevereiro de 2024. “O berço 214 segue operando normalmente e a interdição não afeta a movimentação de cargas. A empresa pública está à disposição dos órgãos competentes para quaisquer informações”, conclui a nota.

Explosões que deixaram mortos e feridos em cooperativa foram causadas por poeira em túnel de transporte de grãos

Em 26 de julho de 2023, a unidade da cooperativa C.Vale em Palotina, no Oeste do Paraná, sofreu uma série de explosões. O acidente ocorreu por volta das 17h em um túnel de transporte de cereais. A estrutura estaria passando por uma manutenção quando houve a explosão. O estrondo foi sentido a quilômetros de distância da unidade da cooperativa. Além do barulho, moradores da cidade também relataram tremores, o que fez com que as casas mais próximas à cooperativa fossem evacuadas.

No início de março de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego apontou em relatório que houve problemas de gestão de segurança e falha na limpeza, com acúmulo de poeira, nas explosões que ocorreram na unidade da C.Vale em Palotina. Nove pessoas morreram (oito haitianos e um brasileiro) e 11 ficaram feridas.

O relatório concluiu que o acúmulo de poeira, gerado pela movimentação de grãos nos silos, criou uma atmosfera explosiva. O ministério aponta falha no plano de limpeza. “O alcance das detonações também indicou a presença de poeira em camadas em todos os túneis da unidade. O nível de destruição verificado, inclusive no setor de expedição, indicou que o acúmulo de poeiras em camadas não era desprezível”.

O inquérito aberto pela Polícia Civil do Paraná concluiu que a causa das explosões que ocorreram foi o excesso de poeira no ar em conjunto com faíscas geradas pelo contato de ferramentas metálicas com o piso de concreto, durante a remoção de grãos de milho derramados. Três pessoas foram indiciadas por homicídio culposo e lesão corporal culposa.

Em nota, a C.Vale reafirmou o compromisso de colaboração com as investigações e reparação dos danos. “De igual sorte manterá ativa suas políticas de segurança, intensificando as medidas necessárias a averiguar a regularidade estrutural de todas as suas unidades de recebimento de grãos”.

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