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Bandeira da Ucrânia com marcas de tiros disparados pelas  forças russas na cidade de Malin, perto da fronteira com a Bielorrússia.
Bandeira da Ucrânia com marcas de tiros disparados pelas forças russas na cidade de Malin, perto da fronteira com a Bielorrússia.| Foto: EFE/Esteban Biba

A Fundação Araucária - órgão de fomento à pesquisa do governo do estado - já preencheu 12 das 50 bolsas para que universidades do Paraná recebam pesquisadores da Ucrânia. O Programa de Acolhida a Cientistas Ucranianas foi criado em março pela fundação junto com a Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), poucos dias após a Rússia invadir a Ucrânia na guerra que assola o leste europeu.

No total, 14 universidades públicas e privadas estão aptas a receber cientistas da Ucrânia. Oito já confirmaram a vinda de ucranianos para projetos de extensão.

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O estado vai investir R$ 18 milhões no pagamento das bolsas do projeto, cujo nome é no feminino porque todos os homens ucranianos de 18 a 60 anos estão proibidos de sair do país para reforçar o efetivo militar no conflito. Mesmo assim, a Fundação Araucária já cooptou três pesquisadores que obtiveram licença do governo da Ucrânia para atuar nas universidades paranaenses.

Dos 12 cientistas já confirmados, três vão para a Universidade Estadual de Londrina (UEM), dois para a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e dois na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Outras cinco universidades já confirmaram o acolhimento de ao menos um cientista ucraniano: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pontifícia Universidade Federal do Paraná (PUC-PR), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

A Fundação Araucária registrou o interesse de 30 ucranianos no projeto. Os pesquisadores estão sendo contactados via embaixada brasileira na Ucrânia, além de pesquisadores brasileiros que informam os colegas ucranianos das bolsas, com ajuda também do Alto-Comissionado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Entre os 12 já confirmados para virem ao Paraná há estudiosos das áreas de humanas, de engenharia, da saúde e das ciências da terra.

Na UENP, por exemplo, o professor já confirmado do programa é um doutor da área de ciências humanas aplicadas que vai trabalhar com um projeto chamado "Política Criminal da União Europeia" no curo de Direito. Já na PUC-PR o pesquisador é da área de educação e vai atuar na extensão chamada "Educação e Direitos Humanos - bem-estar e melhoria da qualidade de vida na escola e na comunidade".

"Trazer pesquisadores de áreas de conflito é estratégico porque além de cumprir a questão humanitária com os refugiados, que vão vir para cá sem nada. E é uma ótima oportunidade de o país de oxigenar o campo de pesquisa a partir da experiência de cientistas de outros países", enfatiza o gerente de projetos da Fundação Araucária, o professor Unioeste Nilceu Jacob Deitos. "A contribuição que esses cientistas darão à pesquisa no estado é um bom investimento para o período que ficarão aqui", complementa Deitos.

Adaptação

O gerente de projetos da fundação afirma que o objetivo é manter esses pesquisadores no estado após o prazo do programa. "Eu acredito que vai ser difícil esses pesquisadores ficarem depois do fim da bolsa, seja porque queiram voltar ao seu país, ou porque recebam outras ofertas. Mas eles podem permanecer depois via concurso público ou mesmo nas universidades particulares", avalia.

Serão duas bolsas concedidas aos ucranianos pelo programa pelo período de dois anos, podendo optar por universidades públicas ou privadas, conforme a linha de estudo. Para os pesquisadores mais experientes, o valor mensal será de R$ 10 mil, com a exigência de ter mais de cinco anos de experiência como professor universitário e um grau mais alto de produtividade acadêmica. A outra bolsa será de R$ 5,5 mil para quem tiver menos de cinco anos de docência acadêmica.

O projeto também custeia a passagem de ida e volta dos cientistas a partir da Polônia, já que voos para a Ucrânia estão suspensos pela guerra. Os pesquisadores também poderão trazer até três familiares que receberão R$ 1 mil por mês cada, desde que sejam menores de idade ou acima de 60 anos.

A fundação ainda abriu outro programa no valor de R$ 888 mil de bolsas a estudantes e professores universitários para ajudar os ucranianos na ambientação nas universidades e no próprio Brasil. Uma das bolsas será de R$ 1.310 por mês por um ano para estudantes auxiliarem os ucranianos no dia a dia, ajudando na busca por moradia, a obter documentação para ficar no Brasil, questões bancárias, entre outros. "Esse bolsista estamos chamando de anjo. É ele quem vai ajudar muito na acolhida desses pesquisadores", explica Deitos.

Já a bolsa para professores será de R$ 1.375 também por 12 meses para a ambientação acadêmica dos cientistas. Esse professor que receber a bolsa vai ajudar a articular o plano de extensão do pesquisador dentro da universidade na qual ele for atuar. "Esse bolsista pode ajudar o pesquisador ucraniano, por exemplo, na participação de seminários", cita Deitos.

Por último, a Seti também lançou em março edital para contratar cinco professores para ensinar a língua portuguesa aos ucranianos. O processo seletivo é pelo programa Paraná Fala Idiomas (PFI) de internacionalização das universidades estaduais. A bolsa será de R$ 2,5 mil por mês aos professores para uma carga horária de 40 horas semanais. As aulas serão de forma remota.

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