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Central de operações da Copel, em Curitiba
Central de operações da Copel, em Curitiba| Foto: Divulgação/Copel

A diminuição de quase 15% no quadro de funcionários e a conclusão de grandes obras de investimento são algumas das explicações para o crescimento do lucro da Companhia de Energia do Paraná (Copel). A empresa de economia mista -- com controle de 58,6% do Governo do Paraná – obteve lucro líquido de R$ 613,5 milhões no 3º trimestre deste ano. O valor é 42,4% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

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O Ebitda também apresentou crescimento. A sigla, em inglês, é para “Earnigns before interest, taxes, depreciation and amortization”. Na tradução em português, “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”. O indicador é usado (especialmente por investidores) para analisar as atividades operacionais de uma empresa antes do balanço de investimentos financeiros, empréstimos e impostos.

O Ebitda do 3º trimestre deste ano atingiu R$ 1,2 bilhões, 40,5% mais do que os R$ 855 milhões registrados no 3º trimestre de 2018.

O diretor de finanças e relações com investidores da Copel, Adriano de Moura, afirma que a política de enxugamento de gastos com pessoal foi um dos pilares desses resultados. “Nós fizemos três PDVs (Programa de Demissão Voluntária) até agora. Conseguimos reduzir mais de mil pessoas. Isso dá 15% do nosso quadro de funcionários”, observa. Segundo o diretor, a Copel não vai fazer novo concurso público para repor a mão de obra, mas investirá em tecnologia e inteligência artificial para melhorar processos internos e dar conta do serviço.

Outro destaque pontuado pelo diretor foi o início da operação comercial da Copel com as usinas Colíder, que fica no Mato Grosso, e Baixo Iguaçu, entre os municípios Capanema e Capitão Leônidas Marques (sudoeste do Paraná), além do Complexo Eólico Cutia, localizado no litoral do Rio Grande do Norte. “A Copel hoje já passa de 6 mil e 500 megawatts de geração, de capacidade total”, afirma Moura.

O sócio e analista do setor elétrico da XP Investimento, Gabriel Francisco, afirma que os bons resultados da empresa têm feito o mercado acionário dar ainda mais atenção aos números da companhia. “O resultado dos custos foi bom. O que nós chamamos de variação dos custos gerenciáveis (pessoal, material e serviços) está indo muito bem”, afirma.

Tarifa teve influência?

O peso da tarifa é muito pequeno em resultados de lucro.

O balanço financeiro da Companhia de Energia do Paraná também aponta os preços médios de tarifa de energia. O valor cobrado pelo serviço de distribuição aos consumidores ficou mais caro, enquanto o valor pago pela Copel para comprar energia ficou mais baixo. A empresa (assim como outras do setor) compra parte da energia que distribui. E esse preço pago para compra ficou mais barato.

Fazendo os cálculos a partir do balanço divulgado pela Copel, chega-se à seguinte análise. A Tarifa Média de Compra passou de R$ 207,19 (em setembro de 2018) para R$ 184,78 (em setembro de 2019). Ou seja, a tarifa de compra ficou 10,8% mais barata. Enquanto isso, a Tarifa Média de Venda (repassada ao consumidor) passou de R$ 472,81 (em setembro de 2018) para R$ 497,18 (em setembro de 2019), ficando, portanto, 5,15% mais cara.

A Companhia esclarece que a empresa não obtém lucro com a compra de energia. Isso porque o valor investido é totalmente repassado ao consumidor. O cálculo do custo médio é realizado sempre no mês de julho (que é o mês do reajuste aos consumidores). O valor estipulado tem por base uma estimativa de preços e contratos. Depois de um ano, é que o cálculo do que foi gasto efetivamente com a compra de energia é feito e, assim, repassado à tarifa. Ou seja, segundo esclarece a Copel, não é possível fazer a comparação entre setembro de 2019 e setembro de 2018.

Em junho deste ano, por determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a tarifa de energia elétrica ficou 3,41% mais alta aos consumidores paranaenses. O reajuste médio aos consumidores residenciais foi de 1,85%, enquanto para os consumidores industriais (de alta tensão), o reajuste ficou em 4,32%. Em junho do ano passado (2018), o reajuste foi bem maior. A tarifa ficou, em média, 16% mais cara aos paranaenses.

Segundo o analista do setor elétrico da XP, o reajuste tarifário é neutro para o resultado de lucro. Gabriel Francisco afirma que o que impacta nos resultados financeiros de qualquer distribuidora de energia só vem quando há revisão tarifária, que é feita a cada quatro anos e que define o valor de energia pago pelo consumidor. A próxima revisão da Copel é em 2021.

No entanto, Francisco afirma que um percentual pequeno dos resultados tem a ver com a energia que é vendida no mercado livre, também conhecido como “de curto prazo”. Esse mercado é onde geradoras comercializam energia com grandes indústrias e empresas, além de outras geradoras. O analista afirma que a Copel obtém ganhos quando possui energia para vender e consegue, de forma rápida, fazer a transação, cobrando, normalmente, preços mais elevados.

O diretor de finanças e relações com investidores da Copel, Adriano de Moura, avalia que o cenário de preços mais altos contribuiu para o resultado, mas não foi o diferencial. Para ele, a empresa tem colhido os frutos de uma “estratégia de melhoria na eficiência operacional”.

O diretor destaca dois outros pontos essenciais para alavancar os lucros da Companhia: “Conseguimos vender ativos que não faziam parte do nosso portfólio. Além disso, conseguimos equacionar nossa dívida”. Segundo balanço da empresa, atualmente a dívida da companhia chega a R$ 10,9 bilhões.

Copel contesta

A Copel entrou em contato com a Gazeta do Povo no início da noite desta quinta-feira (5) para contestar o conteúdo desta reportagem. Houve uma série de razões para o crescimento do lucro e o aumento da tarifa não teve peso, segundo a Copel. “A Parcela B, que de fato influencia o resultado da empresa, teve uma participação de apenas 1,12% no percentual de reajuste tarifário homologado em junho/2019”, informou.

A Copel também contesta a utilização dos números sobre a compra de energia. “O custo médio de compra de energia que compõe a tarifa é homologado nos processos tarifários apenas uma vez ao ano. Em 24 de junho, no caso da Copel. Se, ao longo dos próximos 12 meses, houver variação para cima ou para baixo do valor de compra da energia, esse valor é compensado no processo tarifário subsequente. Portanto, não é possível fazer esta comparação”, acrescentou. O conteúdo desta reportagem permanece em apuração.

Conteúdo editado por:Carlos Coelho
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