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Curitiba sanciona lei que abre caminho para modelo cívico-militar na rede municipal de ensino

Curitiba sanciona lei que pode abrir caminho para escolas cívico-militares.
Curitiba sanciona lei que pode abrir caminho para escolas cívico-militares. (Foto: Isabella Mayer/Arquivo Prefeitura de Curitiba)

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Uma lei aprovada pela Câmara Municipal de Curitiba e sancionada nesta terça-feira (23) pelo prefeito em exercício Leonidas Dias (Podemos) abre caminho para a implantação de um modelo semelhante ao cívico-militar na rede municipal de ensino. A Lei 16.754/2026 estabelece diretrizes para a promoção de valores cívicos e da convivência ética e cidadã nas escolas.

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A proposta provocou intenso debate entre os vereadores: enquanto os defensores destacaram os resultados obtidos pelos colégios cívico-militares da rede estadual, os críticos apontaram possíveis vícios de inconstitucionalidade no texto.

De acordo com o projeto, as diretrizes só serão adotadas após os responsáveis pelas crianças e a escola votarem e aprovarem o modelo. Em seu Artigo 2º, a lei detalha o projeto com as seguintes premissas:

  • I – atender os alunos de ambos os sexos que estejam cursando o Ensino Fundamental (6º ao 9º ano);
  • II – fortalecer a gestão pedagógica, administrativa e educacional, visando à melhoria da qualidade de ensino e aprendizagem;
  • III – fortalecer os valores cívicos, sociais e éticos, fomentando o respeito às normas de convivência, às instituições democráticas e ao bem comum;
  • IV – aprimorar o ambiente escolar, incentivando a valorização dos princípios da convivência harmônica e da responsabilidade coletiva;
  • V – preparar os estudantes para o pleno exercício da cidadania, desenvolvendo comportamentos, valores e atitudes que contribuam para seu crescimento pessoal e coletivo;
  • VI – elevar a qualidade de ensino, medida pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), e aumentar a proficiência dos estudantes;
  • VII – promover a coparticipação da comunidade escolar.

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De acordo com o texto sancionado, o objetivo é fortalecer nos jovens o civismo, a dedicação, a excelência, a honestidade e o respeito como pilares da formação cidadã, além de focar no desenvolvimento de habilidades que capacitem o aluno para o exercício consciente da cidadania e a boa convivência social.

Para atingir os objetivos descritos, a lei determina que, se implementadas, as diretrizes vão sugerir as seguintes mudanças:

  • I – o apoio à gestão pedagógica e administrativa das unidades escolares, por meio de metodologias e práticas que favoreçam o ambiente de ensino, utilizando-se, preferencialmente, o quadro de pessoal existente;
  • II – a colaboração de profissionais de segurança pública, por meio de convênios ou outros instrumentos de cooperação, para a promoção da disciplina e a condução de atividades de caráter cívico;
  • III – a revisão do Regimento Interno da Unidade Educacional;
  • IV – o estabelecimento de mecanismos de acompanhamento e avaliação contínua da efetividade das ações, a fim de garantir sua adaptação e aprimoramento.

Novidade possibilita participação de agentes de segurança nas escolas

Um dos autores do projeto, o vereador Guilherme Kilter (Novo), acredita que o modelo dos colégios cívico-militares reduz casos de violência e é desejado pela população. “A gente quer trazer as boas práticas, já provadas no estado, para o ensino municipal, que vai poder contar com profissionais de segurança pública nos colégios, garantindo a segurança de todos: professores, alunos, pais e responsáveis”, disse.

Segundo a vereadora Laís Leão (PDT), uma das que mais questionou a tramitação do projeto, o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) não deveria se ausentar numa discussão tão importante. O prefeito está em missão oficial no exterior.

“O prefeito se absteve de fazer a sanção ou mesmo o veto dessa lei, o que é bastante grave. A gente tem o questionamento sobre uma invasão de competência do Executivo, e o prefeito abre mão de sancionar uma lei que afeta diretamente a educação do município”, disse a vereadora.

Leão lembrou também sobre a eventual inconstitucionalidade da lei. “A preocupação do nosso mandato é a educação, e a gente vai estudar as medidas cabíveis, mas a gente entende que há inconstitucionalidade e vamos atrás dos recursos judiciais para deixar claro que isso não pode acontecer em Curitiba”, afirmou.

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