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Meio ambiente

Águas de março? Seca histórica alerta para falta de retenção da chuva em Curitiba

  • PorMaria Eduarda Lass, especial para a Gazeta do Povo
  • 09/04/2020 09:50
Águas de março? Seca histórica alerta para falta de retenção da chuva em Curitiba
| Foto: Daniel Caron / Arquivo Gazeta do Povo

O mês de março de 2020 foi o mais seco em Curitiba desde 1998, quando o Simepar iniciou as medições na região. Em praticamente todo o Paraná, as chuvas esperadas para a época ficaram muito abaixo da média e as temperaturas, um pouco acima. A união destes fatores causou a baixa da vazão dos rios e dos níveis de reservatórios de água, fazendo com que algumas cidades enfrentassem – e ainda enfrentem - rodízios no abastecimento.

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Um dos principais sistemas afetados pela estiagem foi o Miringuava. De acordo com a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), o rio teve queda de 60% na vazão, passando de 1.000 litros por segundo para 400 litros por segundo.

Segundo o meteorologista do Simepar, Reinaldo Kneib, apesar do marco histórico de março, a chuva menor que a média já vem acontecendo desde junho do ano passado, o que contribuiu para o colapso do sistema neste ano. “Tivemos a atuação de bloqueios atmosféricos, e as frentes frias e úmidas que deveriam se deslocar nessa época do ano não chegaram aqui com a frequência necessária”, explica. “Mas não podemos explicar o motivo desses bloqueios terem se formado sem pesquisas científicas mais aprofundadas”, aponta o meteorologista.

Para o especialista em análise ambiental, Guilherme Karam, o sumiço das águas de março pode ter relação com fenômenos de mudanças climáticas. “A tendência é que eventos extremos – de pouquíssima chuva ou grandes enchentes – aconteçam cada vez mais”, afirma. “Não temos como criar chuva, mas podemos aumentar a capacidade de armazenamento natural de água, para que épocas de estiagem não sequem os rios dessa forma”.

O especialista fala sobre o que os pesquisadores da área chamam de “infraestrutura natural”, trabalhando na restauração dos ecossistemas já existentes. Uma solução mais longa, mas também mais barata e duradoura.

Karam coordena um projeto desse tipo que está sendo iniciado em São José dos Pinhais. A tentativa é restaurar justamente a Bacia do Rio Miringuava. O movimento, chamado Viva Água, estima um investimento de R$ 1,5 milhão nos primeiros 18 meses, somando R$ 6 milhões nos próximos 5 anos, valores muito abaixo dos orçados para grandes obras de infraestrutura “convencional”.

Encabeçado pela Fundação Grupo Boticário, o projeto reúne mais de 60 atores da região, entre empresas, poder público, cooperativas, universidades e sociedade civil. Entre as metas, está a recuperação de 650 hectares de áreas estratégicas para a disponibilidade hídrica, a conservação de 1,5 mil hectares de áreas naturais por meio de mecanismos financeiros e o apoio a 30 negócios de impacto por meio do turismo rural e da agricultura sustentável.

“Ninguém é inocente de pensar que produtores vão abrir mão de receita simplesmente em prol da natureza, o que precisamos é incentivar economicamente que isso aconteça”, explica Karam. “Se mostrarmos ao produtor que, preservando, ele pode entrar no mercado de produtos sustentáveis, isso se torna economicamente atrativo. Se o empresário do turismo depende do rio para atrair clientes e gerar empregos, a preservação se torna um interesse daquela comunidade”.

Como a preservação aumenta a captação de água

O princípio é simples e ensinado às crianças em idade escolar: o solo e vegetação que ficam em volta dos leitos também armazenam uma gigantesca quantidade de água. Em tempos mais secos, como os atuais, essa reserva ajudaria no abastecimento do rio, adiando a falta de água.

No entanto, a agricultura mal feita, que degrada a vegetação que fica às margens, além da construção de imóveis e rodovias em locais inadequados acabam eliminando essa vegetação e as áreas de solo permeável, extinguindo essa reserva.

Apesar de o tema constar no currículo da educação básica, a lição não parece ser colocada em prática pelo poder público como política de estado, ficando restrita ao orçamento das empresas como a Sanepar, que atua diretamente com o problema. “O debate sobre soluções ambientais no meio político fica restrito a certos setores. Além disso o gestor público normalmente pensa com a cabeça de 4 anos, e essas soluções costumam levar mais tempo para mostrarem resultados”, pondera Karam.

Infraestrutura convencional

A Sanepar é umas das parceiras do projeto, e já trabalha com a conscientização da população da Bacia do Miringuava, onde constrói uma barreira para aumentar o armazenamento de água. A companhia também planeja construir mais dois centros de reservação na região da capital, além da operacionalização de poços e execução de aproximadamente 30 km de adutoras, que são tubulações de grande porte para o transporte da água entre os locais de distribuição.

Para amenizar a crise, a Sanepar também colocou em funcionamento um equipamento que permite que mais 330 litros por segundo sejam enviados de outras estações para os locais que apresentam falta. No entanto, a medida não acabou com os rodízios, que continuam nos próximos dias.

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Comentários [ 3 ]

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  • M

    Marcos Aurelio Rosa Filho

    ± 1 horas

    A área rural de São José dos Pinhais, onde está o Rio Miringuava, sofre há anos de um grande processo de favelização das terras metropolitanas da Capital. Durante décadas, os políticos locais trocavam "facilidades" para quem se instalasse, pois quanto mais gente mais voto. Não faz muito tempo que a conta via a degradação ambiental por meio de pequenos e pequenos lotes chegou.

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    • A

      Armando

      ± 4 horas

      Com estiagem histórica, Paraná segue sem previsão de chuvas significativas

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      • M

        MICHAEL GUSTAV ADOLF MULL

        ± 5 horas

        Se este é o problema , tenho 2 sugestões para amenizar qualquer desabastecimento da RMC: 1) ampliar os reservatórios como já mencionado na matéria e 2) somente liberr alvará de construção quando prevê captação de chuva a ser usado em banheiro , e lavar calçadas ,etc. Fácil...basta querer resolver e não usar como meio de extorquir mais verbas seja de onde for.

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