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Suspeita de fraude

Ex-secretários de Ratinho Junior são citados em investigação sobre fraude em licitação

Guto Silva
Guto Silva foi cotado por Ratinho Junior como pré-candidato ao governo do Paraná. (Foto: Geraldo Bubniak/AEN)

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Dois ex-secretários do governo Ratinho Junior (PSD-PR) são citados em processos que investigam suspeitas de fraude em uma licitação para sistemas de treinamento virtual de tiro policial, vencida em 2019 pela EBTS Empresa Brasileira de Tecnologias e Sistemas.

Segundo informações da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, aparecem nos autos menções aos nomes de Guto Silva, então chefe da Casa Civil, e Rômulo Marinho Soares, ex-secretário de Segurança Pública, como supostas influências no processo.

Na gestão Ratinho Junior, Silva assumiu posteriormente o comando da Secretaria das Cidades até o início de abril, quando pediu exoneração para disputar as eleições de 2026. Apesar de ser o nome preferido do governador, que articulou nos últimos anos o nome de Guto Silva como candidato à sucessão, Ratinho Junior optou pelo ex-secretário de Infraestrutura e Logística Sandro Alex, como pré-candidato ao governo do estado.

As citações constam em decisão que autorizou a quebra de sigilo bancário de Adolfo Jachinski Neto, proprietário da empresa. A investigação teve início após a circulação de um vídeo nas redes sociais que levantava suspeitas sobre a licitação, o que levou à abertura de inquérito policial. Em 2022, o caso ganhou repercussão quando Jonny Braga, ex-sócio de Jachinski, cobrou judicialmente uma dívida de R$ 4 milhões da EBTS. Áudios apresentados às autoridades passaram a embasar as suspeitas e mencionam os ex-secretários.

Na decisão mais recente, a Justiça aponta que “nos diálogos, há referências a agentes da Administração Estadual à época dos fatos”, citando Guto Silva e Rômulo Marinho Soares. Também são mencionadas, de forma genérica, supostas transferências de valores a terceiros, inclusive com suposta finalidade de financiamento de campanha.

De acordo com a publicação, em um dos áudios, Jachinski se refere a Guto Silva como “a mão direita do cara” e menciona influência sobre áreas estratégicas do governo. O conteúdo também sugere a necessidade de “acertos” e captação de recursos.

Em depoimento à polícia, Jonny Braga confirmou ser o autor das gravações e afirmou que teria sido informado previamente da vitória da EBTS na licitação, alegando uma suposta atuação coordenada entre concorrentes para simular disputa. O contrato, assinado em 2020, previa pagamento de R$ 3.833.000 pelos serviços.

Em resposta à Gazeta do Povo, Guto Silva afirma que “não conhece o empresário citado, jamais foi sócio ou manteve qualquer relação com ele ou com a empresa mencionada” e que o pregão foi conduzido pela SESP, sem qualquer participação da Casa Civil ou do então secretário.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a defesa de Adolfo Jachinski Neto e com o ex-secretário Rômulo Marinho Soares, mas não obteve retorno de nenhum dos citados até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.

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As suspeitas têm origem no Pregão nº 1133/2019, conduzido pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp), para aquisição de sistemas fixos e móveis de treinamento virtual de tiro destinados à Polícia Civil do Paraná. O contrato foi formalizado em dezembro daquele ano.

Durante o processo licitatório, Jonny Braga passou a gravar conversas com Adolfo Jachinski Neto, com quem mantinha disputa societária. Os áudios indicariam estratégias para garantir a vitória na concorrência, incluindo a simulação de competição com propostas de baixo valor e menções a supostas vantagens indevidas.

Entre 2020 e fevereiro de 2021, ocorreram movimentações financeiras relacionadas ao contrato, período incluído na quebra de sigilo bancário. A medida busca rastrear o fluxo de recursos e identificar eventuais irregularidades.

Em análise técnica, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) apontou indícios de irregularidades na licitação, como discrepâncias de valores em comparação com contrato semelhante em Goiás. Em resposta à reportagem, a EBTS informou que, em Goiás, foi vendido apenas um equipamento, enquanto o contrato no Paraná contemplava o fornecimento de dois equipamentos, com mais assessórios e atualização tecnológica. Quanto a relação com os ex-secretários, a empresa informou que manifestações seriam feitas pelos advogados.

Com a repercussão do caso, em 2022, o conflito entre os empresários se intensificou. Jonny manteve as acusações e confirmou as gravações, enquanto Adolfo afirmou às autoridades que teria mentido sobre influência política durante as conversas, alegando ter agido assim para se livrar de cobranças e pressões.

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