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Novo prefeito de Colombo quer aumentar e armar a Guarda Municipal
Hélder Lazarotto, prefeito de Colombo, na região metropolitana de Curitiba.| Foto: Divulgação Prefeitura de Colombo

Além de desburocratizar o atendimento à população, modernizando serviços com uso de aplicativos, o novo prefeito de Colombo, na região metropolitana de Curitiba, Helder Lazarotto (PSD), elencou dois grandes desafios em sua gestão: construir um hospital e aumentar o efetivo e armar a Guarda Municipal.

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Eleito com apoio do governador Carlos Massa Ratinho Junior, Lazarotto tem experiência em saúde pública. Bacharel em Teologia com especialização em gestão pública e administração hospitalar, o prefeito foi secretário de saúde do município vizinho de Campina Grande do Sul e diretor regional da Secretaria Estadual de Saúde. Experiência e apoio político que ele pretende utilizar na construção de um hospital com capacidade para 30 leitos de UTI. "Temos conversado bastante com o secretário estadual de Saúde Beto Preto sobre o hospital", revela Lazarotto ao citar seu ex-chefe no governo.

Na Guarda Municipal, o novo prefeito de Colombo pretende aumentar o efetivo atual de apenas 20 agentes para 120 em quatro anos, além de armar a corporação. "Hoje, além do efetivo ser muito pequeno, nossa Guarda não tem armas", avalia. Lazarotto também fala do desafio da volta às aulas na pandemia, da perspectiva de recuperação econômica ao longo do ano e de como vai facilitar o acesso a serviços à população. Leia a entrevista:

O senhor quebrou a hegemonia do grupo político da ex-prefeita Beti Pavin, que após oito anos à frente do município não conseguiu eleger o seu candidato. O que a sua gestão vai trazer de novo em relação a sua antecessora?

Vamos investir em uma gestão mais moderna, mudando a mentalidade de uma gestão muito conservadora para uma mais ágil, moderna e tecnológica. Afinal, quando se fica muito tempo no poder, há possibilidade de se acomodar. E a gestão pública tem que seguir esses novos modelos mais ágeis de prestação de serviços à população.

Talvez o maior desafio de sua gestão que começou há cerca de um mês seja a construção de um hospital. Como será esse hospital?

Colombo é o único município com mais de 200 mil habitantes sem um hospital geral. Desde 2016 a gente vem trabalhando nesse projeto. Hoje os pacientes de Colombo têm que ir para Campina Grande do Sul, Campo Largo ou mesmo Curitiba em busca de tratamento. A ideia é que somente casos realmente mais graves sejam transferidos

O hospital terá UTI?

Sim, o projeto prevê UTI adulta, infantil e inclusive neonatal, até porque temos maternidade na cidade e mesmo assim temos que transferir os bebês em casos mais graves. O hospital terá capacidade para 30 leitos de UTI: dez para adultos, dez infantis e dez neonatais. A construção terá essa capacidade, teremos espaço para essa estrutura de 30 vagas de UTI, mas a implantação desses leitos será conforme as quatro fases de implementação do hospital. A gente prevê inaugurar o hospital com 90 leitos no total, sendo dez de UTI adulto e dez de UTI neonatal. Conforme necessidade e recurso, vamos abrindo as outras vagas. Temos conversado bastante com o secretário estadual de saúde Beto Preto sobre isso.

Como está o projeto e qual o custo do hospital?

Agora em fevereiro deve ser concluído o projeto. Para esse ano, teremos R$ 14 milhões. A expectativa é de que a licitação acabe no primeiro semestre. O total da obra é de R$ 30 milhões. Mas esse valor é só da obra, não conta aquisição de equipamentos, que será feita na segunda fase de implantação. O hospital vai atender casos de média e alta complexidade. Inclusive terá capacidade para cirurgias.

O hospital pode reforçar o atendimento de pacientes na pandemia de coronavírus?

Não acredito que até a conclusão do hospital a pandemia ainda esteja nesse estágio de hoje. Vão ser cerca de 18 meses de obra, então até lá a pandemia deverá estar controlada. Acredito que, com a vacinação, até a metade desse ano a situação da pandemia vá estar mais amena.

Como está o quadro da pandemia hoje em Colombo?

A pandemia aqui está na média da região metropolitana de Curitiba como um todo. São 8 mil casos e 300 óbitos até o momento.

Se tiver condições, a prefeitura de Colombo pretende comprar vacina de Covid-19 fora do Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde?

A princípio vamos seguir o Plano Nacional de Imunização. Até porque neste momento não é permitido a estados e municípios adquirir doses [Nota da edição: por enquanto, toda a produção do Instituto Butantan e da Fiocruz, únicos laboratórios autorizados até aqui a produzir vacinas, está destinada ao Ministério da Saúde]. Mas lá na frente podemos comprar, mas de forma complementar às doses enviadas pelo plano do Ministério da Saúde. Isso se houver oferta de vacina e recurso. Neste momento, vamos atender com as vacinas do PNI.

Como está planejada a volta às aulas em Colombo?

As aulas voltam dia 1.° de março e ainda não está definido o modelo, se será presencial ou remoto. Vamos acompanhar o movimento sanitário nesse período para tomarmos a decisão. Mas a equipe de educação está sendo preparada para as duas hipóteses. Colombo vai voltar às aulas quase duas semanas depois da rede estadual e de redes municipais vizinhas, como a de Curitiba, em que ambas voltam 18 de fevereiro.

A escolha de voltar às aulas depois foi para observar como a pandemia vai se comportar em outras escolas?

Não, na verdade a Secretaria Municipal de Educação fez um ajuste no calendário escolar. Pelo calendário normal, as aulas voltariam e aí teria uma semana de capacitação dos profissionais. Invertemos isso e acabamos ganhando um tempo para fazer essa observação nas outras redes escolares.

Alguma possibilidade de implementação do ensino híbrido, em que a mesma aula lecionada presencialmente é também transmitida remotamente para outra metade da classe?

Gostaríamos, mas o município não dispõe dessa tecnologia.

Com a pandemia, muitos pais tiveram que tirar seus filhos de escolas particulares. Foi grande a migração desses alunos para a rede escolar de Colombo?

A demanda aumentou bastante, principalmente na educação infantil, nos CMEIs. E nós já tínhamos uma fila grande por vagas nas creches antes da pandemia, de aproximadamente 7 mil crianças. Então vamos ter que buscar alternativas, talvez uma parceria público-privada.

Pinhais, também na região metropolitana, adotou bolsas de estudo na rede particular para atender essa demanda que foi aumentada na pandemia. Há possibilidade de Colombo adotar o mesmo modelo?

Já existe lei municipal de parceria da prefeitura com CMEIs particulares para receber alunos da rede pública, mas ainda não foi regulamentada. Isso não é a solução para todos os problemas, mas ajuda. Temos que regular por exemplo os valores a serem repassados às escolas particulares. Estamos trabalhando nisso agora.

Outra promessa da sua campanha foi desburocratizar os serviços municipais. O que exatamente é isso?

É agilizar processos, como ao expedir alvará de licença, guia amarela, certidões em geral, enfim, situações em que a pessoa não precise mais ir até a prefeitura para resolver. A ideia é levar esse atendimento para a internet, com o uso de aplicativos, como na Saúde, em que o paciente possa agendar a consulta de forma on-line, sem precisar ficar na fila, só precisando ir de fato à unidade de saúde na hora da consulta com o médico. Queremos fazer isso em todas as áreas.

Precisamos fazer uma revisão do nosso Código de Condutas, no Código de Obras, no Plano Diretor para agilizar o processo administrativo. O serviço público por sua essência já é burocrático. Temos que procurar modernizar toda a legislação para permitir maior agilidade, diminuir isso [papeis e atendimento presencial] ao mínimo necessário. Passando esse primeiro momento, vamos trabalhar muito nisso de modernizar a gestão.

Como a sua gestão na prefeitura vai poder ajudar na questão da segurança pública de Colombo? O senhor pretende reforçar a Guarda Municipal?

O município tendo condição, vai fazer concurso público para a Guarda Municipal. Nossa ideia é de que em quatro anos a gente chegue a 120 guardas, hoje são cerca de 20. E também queremos estruturar a Guarda Municipal com viaturas e armamentos. Hoje, além do efetivo ser muito pequeno, nossa Guarda não tem armas.

Como vai ser a adoção de armas no trabalho da Guarda Municipal?

Claro que vamos fazer isso com todos os cuidados que a lei exige. Há processos para que a Guarda possa ser armada. A Polícia Federal tem que autorizar. E para autorizar, os guardas têm que passar por todos os treinamentos, não só práticos, mas também por avaliações psicológicas.

A intenção é de que todo o efetivo passe a atuar armado?

Sim, para todo o efetivo.

E em relação ao sistema de monitoramento, o que pode evoluir?

O sistema de monitoramento de Colombo tem algumas câmeras instaladas, mas ainda em um sistema antigo, que precisa melhorar muito. E isso vai nos ajudar, junto com a interação com a Polícia Militar e Polícia Civil. Pinhais é um exemplo disso. Lá tem uma central onde ficam a Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal com monitoramento dos principais pontos da cidade, dos pontos de entrada e saída, dos parques, das praças. Isso por si só já inibe muitas situações.

Como o senhor vê o prefeito de Curitiba, Rafael Greca, eleito para a nova gestão da presidência da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Assomec)?

O Greca tem sido muito participativo, propondo políticas conjuntas, tem vontade de fazer mais ações integradas com os municípios da região metropolitana. Na última reunião, por exemplo, ele falou de ações conjuntas no combate à dengue, até porque o mosquito não respeita divisas. Ele também reabriu a Secretaria de Assuntos Metropolitanos [na verdade, Secretaria Municipal do Desenvolvimento da Região Metropolitana de Curitiba], que havia sido extinta. Ele está disposto a ter interlocução com os municípios da região metropolitana. Se isso efetivamente acontecer, vai ser um ganho.

O senhor completou um mês na prefeitura, tendo assumido em meio à pandemia. Qual é a perspectiva para a recuperação econômica de Colombo?

A gente está otimista com a vacina sendo aplicada. No segundo semestre, acredito que teremos a economia mais forte. Hoje temos dinheiro para questões básicas, porque caiu a arrecadação. Estamos fechando o mês de janeiro com perspectiva de queda de mais de 10% na arrecadação, em relação a janeiro de 2020. Estamos trabalhando com medidas para geração de renda, mas isso leva tempo. Estamos pensando em implantar um Refis [Programa de Refinanciamento de Dívidas] para compensar a perda de arrecadação, além de incentivo para que as pessoas comprem no comércio local. Além disso, vamos economizar o máximo dentro da nossa gestão.

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