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O jornalista Adilson Arantes ficou cinco dias na UTI, com falta de ar por causa do novo coronavírus.
O jornalista Adilson Arantes ficou cinco dias na UTI, com falta de ar por causa do novo coronavírus.| Foto: Arquivo Pessoal

O jornalista Adilson Arantes é uma das 107 pessoas curadas do novo coronavírus em Curitiba. O apresentador da TV Evangelizar e das rádios Caiobá, Ouro Verde e Difusora, recebeu alta no início da semana passada após sete dias internado no Hospital Ônix. Desse período, cinco dias foram os mais preocupantes, quando na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde chegou a perder 10 quilos e temeu pela própria vida.

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Sem histórico de doenças, o jornalista de 54 anos não tem a menor ideia de como contraiu o vírus, mesmo tomando todas as medidas de prevenção. “Não saí de Curitiba. Não conheço ninguém que teve coronavírus. Tomei todos os cuidados com higiene, estava sempre usando álcool gel”, assegura Arantes.

Isolado no quarto de casa e ainda sem voz, Arantes detalhou como foi a batalha contra o Covid-19. “Você não faz ideia do que é buscar o ar e não ter. É terrível”. O apresentador também revela que ficou assustado com o número de pessoas na rua quando saiu do hospital. “Parecia um dia normal. Estão achando que é brincadeira. Não é uma gripezinha”, ressalta.

Quando você começou a se sentir mal?

Na segunda-feira, 23 de março, senti os primeiros sintomas. Eu tinha jogado basquete com meu filho no final de semana e acordei com dores no corpo e febre. Achei estranho porque faço caminhadas todos os dias. Fui ao hospital e o médico me receitou comprimido para dor e me pediu para ir monitorando os sintomas. E as dores realmente sumiram. Só que a febre seguiu com 38 e 39 graus. Na terça-feira pela manhã, eu estava apresentando o programa na rádio e parecia que a hora não passava. Aí o médico foi me observando, fui tomando os remédios de 6 em 6 horas durante a semana.

Você tem ideia de como e onde se contaminou?

Não saí de Curitiba e não faço ideia mesmo. Foi transmissão comunitária. Fui ao mercado, caixa eletrônico, à feira de orgânicos. Não tem como saber. E aqui em casa somos neuróticos com limpeza. A gente já toma normalmente cuidado lavando as mãos e estávamos tomando mais cuidado ainda coim isso. Eu estava usando álcool gel sempre.

Quando você entendeu que era hora de voltar ao hospital para internação?

Eu não estava indo trabalhar, disse para o pessoal da TV que não conseguia apresentar o programa. Estava em casa e a febre não passava. Aí no sábado, 28 de março, saí tomar sol e me faltou ar. E a falta de ar continuou, com muito cansaço. Então na segunda-feira, dia 30, não teve jeito. Fui para o hospital de novo. Fiquei menos de um dia no quarto e a suspeita de coronavírus já era grande. Eram todos os sintomas. Então tive que ir para UTI.

Como foi sua chegada ao hospital?

Avisei que estava com falta ar e o pessoal já foi chamando a equipe de enfermeiros. Já colocaram agulha para os teste e, pelos sinais, já fui tratado como paciente de coronavírus. Já imaginava que era Covid-19 porque eram todos os sintomas. Primeiro fui para o quarto, mas de segunda para terça-feira já fui para UTI porque não conseguia respirar.

O que passou pela sua cabeça no momento em que foi para UTI?

Pensei no pior. A cada hora você está pior. Você não faz ideia do que é buscar o ar e não ter. Não ter força para nada. Você fica acabado. Foi muito difícil, muito mesmo.

Você foi entubado?

Não precisei por sorte. Mas se demoro para ir para o hospital, teria sido entubado. A fisioterapeuta disse que pelo fato de eu ser radialista, meu diafragma aguenta mais do que uma pessoa normal. Mas precisei de máscara de oxigênio.

Você conseguia ver como estavam os outros pacientes com covid-19 na UTI?

Como eu era o único que não estava entubado, conseguia ver muita coisa que estava acontecendo.Os enfermeiros para entrar lá pareciam que iam para Marte, vestidos com os EPIs. Chegava gente gritando todo dia. Teve um caminhoneiro que chegou tossindo tanto que dava desespero. Tiveram que entubar ele.

Como era feito o contato com a família?

Os funcionários do hospital ligavam para minha família e passavam um boletim uma vez por dia. Às vezes eu até via os enfermeiros na ilha fazendo contato com os familiares. Vi eles até falando com minha família. É complicado não ter contato com ninguém.

Como foi o momento da alta, de ser liberado para voltar para casa?

Eu chorei de emoção quando vi o sol. Mas vou falar o que mais me impressionou. Fiquei assustado com o tanto de gente na rua no caminho para casa. As pessoas estão achando que é brincadeira. Acham que só vai acontecer com os outros até acontecer com você.

Agora como está sendo a sua rotina? Você está isolado?

Sim. Vou ter que ficar 14 dias dentro do quarto. Não tenho contato nenhum com minha mulher e meu filho mais novo. A Luciana [esposa] deixa a comida na porta do quarto e só. Conseguimos conversar pela porta e pela janela do quarto. Eles estão usando máscaras. Teoricamente eu não tenho mais o vírus, mas como é novo, ninguém sabe se ele ainda está no meu corpo. Então, tenho que esperar esse período por precaução.

Você que passou por tudo isso, que teve que ficar sozinho na UTI, longe da família, que recado deixa para as pessoas ?

O vírus não tem classe social. Não tem mais forte ou mais fraco. Atleta ou não atleta. Não é uma gripezinha. Não é um resfriadinho. Eu não saí de Curitiba. Tomei todos os cuidados de higiene, evitei contato com as pessoas, e mesmo assim me contaminei. As pessoas precisam se cuidar, respeitar as orientações. Eu enfatizo: fiquem em casa, porque o negócio é sério.

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