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Pandemia deixa universidades públicas e privadas em ritmos diferentes de ano letivo

  • PorGustavo Ribeiro, especial para a Gazeta do Povo
  • 13/07/2020 20:53
UFPR
Universidades públicas, como a UFPR, tiveram o ano letivo afetado pela pandemia| Foto: Gazeta do Povo

As aulas nas universidades paranaenses seguem em ritmos distintos no meio da pandemia do novo coronavírus. Ao mesmo tempo em que há alunos que já finalizaram o primeiro semestre e estão de férias, há outros que estão iniciando agora as atividades do ano letivo e ainda aqueles que sequer viram o calendário acadêmico andar e não sabem quando terão aulas, sejam remotas ou presenciais.

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O descompasso é notado especialmente na comparação entre instituições privadas e públicas. Com maior disponibilidade de recursos e experiência com ensino a distância, as universidades particulares responderam rapidamente à determinação de suspender todas as atividades presenciais, com a migração para a modalidade remota.

Do outro lado, diante de orçamentos restritos e limitações tecnológicas, as instituições estaduais e federais não conseguiram ter a mesma versatilidade e rapidez ou optaram por não adotar atividades remotas.

Os alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a maior do estado, tiveram apenas uma semana de aula antes da suspensão em 16 de março. Desde então, a universidade tem trabalhado em um plano chamado Ensino Remoto Emergencial (ERE), no qual os estudantes terão aula de forma remota pelo computador ou telefone celular. O ERE, porém, não é obrigatório nem para professores e alunos, com uma oferta limitada de disciplinas, dependendo do colegiado de cada curso. O início das primeiras atividades nessa modalidade é em 13 de julho.

“Esse formato de ensino será um desafio para todos nós, professores, técnicos e estudantes. Teremos que fazer grandes ajustes nos nossos projetos pedagógicos. Portanto, antevemos um período de intensa aprendizagem para toda a comunidade universitária, mas que em nada comprometerá os padrões de qualidade e inclusão que já alcançamos”, comunicou a Pró-Reitoria de Graduação da UFPR.

Entre as instituições estaduais, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi a primeira a adotar o ensino remoto, em 29 de junho, para todas as turmas de graduação — o semestre vai se estender até 18 de dezembro.

Na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), as atividades em ambiente virtual vão começar em 20 de julho, não antes de um longo debate interno. “Hoje, estão dadas as informações sanitárias que permitem a conclusão de que, em Ponta Grossa e em nossa região, em pleno pico da pandemia, só teremos condições de atividades presenciais plenas em fevereiro de 2021, e que até lá temos que dar uma resposta à comunidade interna e externa com aulas remotas que possam cumprir o seu efetivo papel formador e transformador, sem exclusões”, disse o reitor da UEPG, Miguel Sanches Neto, durante reunião do Conselho Universitário que definiu a retomada das aulas.

O cenário de retomada das atividades é ainda incerto na Universidade Estadual de Maringá (UEM), que sequer iniciou o calendário devido à greve do ano passado — as aulas estavam previstas para começar em 6 de abril. Já houve uma tentativa de adotar atividades de forma remota, mas o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEP) da universidade não aprovou. Diversos departamentos da UEM têm elaborado um projeto para apresentar ao CEP para que emergencialmente seja possível retomar as aulas, mesmo que não presencialmente. “Estamos trabalhando para que essa possibilidade seja colocada novamente para iniciarmos o nosso calendário acadêmico”, confirmou a pró-reitora de ensino da UEM, Alexandra Cousin.

Um dos principais empecilhos é a escassez de recursos e a dificuldade de acesso a equipamentos por parte de alunos que não têm condições financeiras. Por isso, a universidade tem contado com parcerias e vai lançar um programa de inclusão digital para doações de aparelhos e liberação de internet para que todo o corpo discente seja contemplado.

Todas as ações em busca do modelo remoto, segundo a pró-reitora, são para diminuir os impactos para alunos. “Nós temos noção que o ensino presencial que havia antes da pandemia não deve retornar esse ano. E por isso pensamos em outras possibilidades para não haver prejuízo para alunos, instituição e a sociedade como um todo.”

Ritmo normal nas particulares

Logo que as condições sanitárias exigiram a suspensão das aulas presenciais, as instituições privadas lançaram mão do ensino remoto, e desde março têm trabalhado dessa maneira. Não por acaso o calendário letivo seguiu intacto e muitos alunos já estão de férias aguardando o reinício das aulas do segundo semestre. Isso não significa que não houve desafios e que todas as atividades previstas tenham sido cumpridas.

Apesar da experiência em ensino à distância, as universidades precisaram investir em tecnologia para que o ambiente virtual de aprendizagem fosse estendido para todos os estudantes. A principal mudança foi a adoção de atividades síncronas, em tempo real, com os mesmos professores, os mesmos alunos e nos mesmos horários programados. Nos cursos tradicionais de ensino a distância, muitas aulas são gravadas, o que não é o caso do modelo remoto.

“Quando entramos, em 17 de março, com a suspensão das aulas presenciais, não tínhamos a menor ideia de quando a presencialidade seria retomada. Por isso tivemos que investir em tecnologia no prazo de uma semana de uma maneira muito profunda”, comenta o reitor da Universidade Positivo (UP), José Pio Martins.

Mas nem tudo é possível realizar remotamente. Apenas as aulas teóricas e poucas atividades práticas foram possíveis. Por isso, muitas disciplinas não puderam ser finalizadas e somente serão completadas quando for possível retomar o convívio nos campi. “Nós entendemos que as atividades práticas são o momento em que o estudante é desafiado, que mobiliza conhecimento, estratégia, habilidades e valores para resolver uma determinada situação. É quando ele está ativo. Tudo o que era possível fazer remotamente, sem perda de qualidade, foi feito. As atividades práticas que exigem presencialidade serão realizadas quando os indicadores de saúde permitirem”, explica o vice-reitor da PUCPR, Vidal Martins.

A principal dúvida é quando essas atividades práticas poderão ser feitas, bem como o retorno das aulas presenciais. Apesar de trabalharem com diversos cenários, as universidades não conseguem precisar quando isso ocorrerá.

A UP tem um plano de retorno para agosto, mas o reitor da instituição admite que a data não deve se concretizar. “Temos o planejamento pronto para retomar, mas definitivamente não consigo acreditar que em agosto devemos voltar. A educação é essencial, mas não é vital. Acredito que voltar com os alunos em sala de aula, em laboratórios, não será antes de novembro”, projeta Pio Martins.

Para o vice-reitor da PUCPR, é difícil imaginar que a presencialidade retorne antes de outubro. Com isso, é possível que o período de férias de dezembro e janeiro seja reduzido para que as atividades práticas sejam finalizadas. “É uma possibilidade [entrar nas férias], mas temos que respeitar um mínimo de descanso dos professores e alunos, pois a vida deles seguiu relativamente normal. Normalmente teríamos cerca de dois meses e meio de férias, mas é possível que esse período seja de um mês”, planeja Vidal Martins.

Veja os cenários em diversas universidades do estado:

UFPR

Após a primeira semana de aula, a universidade suspendeu as atividades presenciais em 16 de março. Vai adotar um regime emergencial de ensino remoto a partir de 13 de julho.

UEPG

As aulas iniciaram de forma presencial em fevereiro e foram suspensas em 16 de março. A retomada será feita de forma remota a partir de 20 de julho.

UEL

O ensino presencial está suspenso desde 17 de março, após duas semanas de aula. Em 29 de junho, a universidade retomou o calendário no modelo remoto.

UEM

Devido à greve de 2019, as aulas previstas para começar em abril não foram iniciadas. Ainda não há previsão de retomada, inclusive se no modelo remoto.

PUCPR

Universidade adotou ensino remoto em março e finalizou o primeiro semestre em 29 de junho. O retorno às aulas será em 3 de agosto no modelo remoto.

Unibrasil

Modalidade remota foi adotada em março e seguiu até o fim do primeiro semestre em 4 de julho. O retorno está programado para 10 de agosto ainda remotamente.

UP

Desde março a universidade está em ensino remoto. Os alunos entraram de férias em 11 de julho e retornam para o segundo semestre em 3 de agosto ainda de forma remota.

UTP

O primeiro semestre foi realizado de forma remota com previsão de término em 12 de julho. A previsão de retorno é 17 de agosto ainda remotamente.

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Comentários [ 7 ]

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  • V

    VBSB

    ± 5 horas

    UFPR está morta. Vergonha!!!! Mais uma destruição vermelha!

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  • L

    L. Luz

    ± 6 horas

    Não tenho números em mãos, mas tenho a impressão que dois meses de gratificações dos professores e gestores (sem comprometimento dos salários) seriam suficientes pra adquirir tablets com conexão 4G para todos os alunos carentes. Aposto que eles nem sabem quem são...

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    Adriano

    ± 8 horas

    Decepcionante a UEM, após sair de uma greve, não ter dado um único passo para atender aos alunos. Acredito que haja muita gente que gostaria de continuar trabalhando, mas tem um grupo forte que emperra o avanço da universidade. Esse pessoal precisa ser tirado de lá, porque esta já foi uma instituição de muito respeito.

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  • C

    Carlos Indio do Brasil de Paula Neves.

    ± 11 horas

    As universidades públicas estão dando prova de sua incapacidade de gestão. As faculdades particulares estão na frente, não pararam, o EAD está a todo vapor. Por essas e outras é que defendemos uma reforma institucional profunda nessas instituições. É muita incompetência, muito dinheiro gasto e pouco resultado prático. A sociedade não vê produto gerado, o que todos veem são os polpudos salários.

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    Carlos Indio do Brasil de Paula Neves.

    ± 11 horas

    As universidades públicas estão dando prova de sua incapacidade de gestão. As faculdades particulares estão na frente, não pararam, o EAD está a todo vapor. Por essas e outras é que defendemos uma reforma institucional profunda nessas instituições. É muita incompetência, muito dinheiro gasto e pouco resultado prático. A sociedade não vê produto gerado, o que todos veem são os polpudos salários.

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  • O

    Osvaldo Colarusso

    ± 12 horas

    Traficantes e venda de preservativos em alarmante crise

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  • M

    Marcia

    ± 12 horas

    Alegando aumento de desigualdade no acesso à internet, há instituições públicas que nem sequer terminaram as discussões para aulas remotas. Isso não pode ser desculpa para a inépcia. Os alunos são os mais prejudicados e a sociedade arca com todo o ônus financeiro dessa falta de ação. Lamentável.

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