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A doctor performs a mouth swab on a patient to test for for Coronavirus Covid-19 in a new tent extension of Danish National Hospital Rigshospitalet in Copenhagen, Denmark, on April 2, 2020. (Photo by Niels Christian Vilmann / Ritzau Scanpix / AFP) / Denmark OUT
Coleta de amostra de saliva para teste de coronavírus.| Foto: Niels Christian Vilmann/Ritzau Scanpix/AFP

Com número contado de kits para o diagnóstico do novo coronavírus, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) tem seguido a recomendação do Ministério da Saúde (MS) para que, uma vez ultrapassada a linha de 100 casos confirmados, os testes passem a ser feitos somente em pacientes que apresentem sintomas graves.

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O Paraná já registra 258 casos e 4 mortes decorrentes da Covid-19, de acordo com o boletim divulgado nessa quinta-feira (2). Mas o número de testes positivos não reflete a realidade completa da doença: em Curitiba, por exemplo, apesar de os exames laboratoriais confirmarem 109 casos do novo coronavírus também até esta mesma data, a Prefeitura afirma que acompanha diariamente, por telefone, outras milhares de suspeitas da doença no município, que não serão testadas a menos que evoluam para casos que necessitem de internação.

“Desde que anunciamos a linha telefônica para casos suspeitos da Covid-19, atendemos mais de 12 mil pessoas, das quais, separamos 5 mil com sintomas sugestivos, para serem acompanhadas. Diariamente, nossos profissionais de saúde ligam e monitoram a evolução dos quadros de saúde dessas pessoas, que são orientadas a permanecerem isoladas. Grande parte destes 5 mil casos já completou o ciclo de 14 dias e foi considerada liberada do monitoramento”, afirmou a infectologista da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMSC), Marion Burger, na transmissão ao vivo para atualizar os casos da doença na capital, nesta quinta-feira (2).

No interior, a situação é ainda mais difícil, já que os testes precisam ser enviados para a capital, o que além de tudo atrasa um diagnóstico mais preciso. Esse processo deve ser otimizado com universidades estaduais fazendo os exames longe de Curitiba, o que ainda vai demorar um pouco para acontecer.

Por que focar nos casos graves?

“Temos hoje a estimativa de que 80% a 82% dos casos da Covid-19 não necessitam de internação”, afirma o secretário estadual da saúde, Beto Preto. “Isso não significa que a doença não seja grave, ou que podemos afrouxar as medidas de isolamento, uma vez que os casos assintomáticos podem ser responsáveis por um aumento insuportável dos pacientes graves”.

A principal preocupação das autoridades de saúde é com o gerenciamento de leitos em hospitais. Principalmente porque o tempo de uso desses leitos é muito maior para pacientes acometidos pela Covid-19 do que por outras doenças.

Enquanto casos de infarto, cirurgias eletivas e até mesmo traumas costumam ocupar um leito de UTI por dois, três ou cinco dias, os pacientes graves com Covid-19 precisam de mais de 10 dias de cuidados intensivos e isolados. Se muitas pessoas adoecerem ao mesmo tempo, não haverá leito para todos. Com a escassez de testes para a doença, a escolha por concentrar esforços nos casos graves atende à necessidade imediata das autoridades, ainda que deixe de representar o todo.

De acordo com secretário, o ápice da infecção por coronavírus é esperado, no Paraná, na metade de abril. “Será principalmente no final de abril que poderemos, de fato, entender a curva da doença no estado, e planejar as ações que precisarão ser tomadas dali em diante”, afirma. “O isolamento domiciliar continua sendo nossa principal arma não medicamentosa”.

Falta de insumos para os exames

Segundo Beto Preto, o Paraná recebeu, do Ministério da Saúde, cerca de 4.500 kits para detecção do coronavírus. De acordo com o último boletim divulgado pela Sesa, 3.848 exames já foram usados pelo Laboratório Central do Estado (Lacen) em exames que deram negativo. Entre os 258 casos confirmados até agora, mais de 130 também foram feitos pela rede pública.

A estratégia adotada pelo estado para “economizar” inclui testes também em profissionais da saúde ou de pessoas que tiveram contato direto com infectados pelo coronavírus. Essa medida já vem sendo adotada há cerca de dez dias.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é quem trabalha na confecção dos kits para detecção do coronavírus no Brasil, e já distribuiu mais de 54 mil testes de biologia molecular, chamados RT-PCR, para os estados. A produção e distribuição dos exames continua, mas, com uma pandemia em curso, a procura pelos insumos para o diagnóstico aumentou no mundo todo, e, com isso, eles já começam a faltar.

Segundo o Ministério da Saúde, para esta semana está prevista a entrega pela Fiocruz de outros 40 mil testes para os estados. O secretário estadual não deu previsão específica para a data da chegada ou quantidade de novos kits destinados ao Paraná.

A nova aposta, por enquanto, é na remessa de 500 mil “testes rápidos” para o coronavírus, que chegou ao Brasil no último dia 30, e está sendo distribuída aos estados. Segundo Beto Preto, uma parte dos testes deveria chegar ao Paraná ainda nesta quinta, informação que não foi confirmada pela Sesa até a publicação desta reportagem.

Os kits rápidos, importados da China, prometem resultados em 15 minutos, mas só funcionam quando utilizados em pacientes que começaram a apresentar sintomas entre sete a dez dias do contágio. Se utilizados antes, podem acusar “falsos negativos”.

Ainda segundo o MS, estes exames devem ser destinados prioritariamente a profissionais da saúde e da segurança pública, que trabalham na linha de frente de combate ao coronavírus. Portanto, para fins de vigilância da epidemia, os testes moleculares, realizados pelo Lacen, continuarão sendo feitos em casos graves e, em casos leves, somente por amostragem.

Estimativa mais próxima da realidade

Para buscar estimativas mais próximas à realidade, especialmente quanto aos casos leves, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que fechou um aparceria com o MS para realizar a PNAD-Covid. O monitoramentoserá feito pelo IBGE remotamente, pelo telefone, e entrevistará as mesmas pessoas por pelo menos três meses, com estatísticas oficiais da Covid divulgadas semanalmente.

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