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Alexandre Leprevost (Solidariedade) é irmão mais novo do secretário estadual da Justiça, Família e Trabalho Ney Leprevost (PSD)
Alexandre Leprevost (Solidariedade) é irmão mais novo do secretário estadual da Justiça, Família e Trabalho Ney Leprevost (PSD)| Foto: Divulgação

Empresário dos setores de eventos e de gastronomia, Alexandre Leprevost (Solidariedade) foi eleito vereador de Curitiba na primeira eleição que disputou. Contou com um cabo eleitoral importante: seu irmão Ney Leprevost (PSD), secretário estadual da Justiça, Família e Trabalho e deputado federal licenciado. Não quer restringir sua atuação aos interesses da classe que representa e, após acompanhar de perto o trabalho de médicos e enfermeiros na linha de frente do combate à Covid-19, diz que pretende homenagear os profissionais de saúde assim que assumir o mandato.

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Mais novo de uma família de quatro irmãos, Alexandre conta que lançar sua candidatura foi uma decisão totalmente individual. “Na minha família nunca houve incentivo para que eu entrasse na política. Sabemos que não é um mundo de alegrias, pelo contrário, é um universo bem delicado. Sempre me diziam ‘para que ter mais um político na família?’”

Apesar da carreira bem sucedida na iniciativa privada, o empresário sempre gostou do debate público. “Trabalhei nas campanhas do Ney e sempre conversei com ele sobre política”, diz. A virada ocorreu neste ano, com a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. “Pude observar que algumas injustiças estavam sendo cometidas com diversos setores, inclusive o meu, da gastronomia, dos bares e restaurantes, mas não só”, explica.

Quando decidiu colocar seu nome à disposição, seu irmão era pré-candidato a prefeito de Curitiba. Caso a candidatura se confirmasse, Alexandre recuaria na decisão. “Como ele não saiu, considerei que eu poderia sair mais à vontade, sem causar nenhum tipo de indisposição ou desgaste”, afirma. “Depois disso, tive apoio total da minha família, mesmo eles não achando aquele o cenário ideal.”

Mais jovem, já passou por uma grande mudança de carreira. Começou a trabalhar aos 16 anos, como radialista. Na época, Ney apresentava um programa na Rádio Colombo. “Quando ele não podia apresentar, como nas épocas em que ele estava em campanha, eu o substituía”, conta. Teve uma pequena participação como repórter esportivo, ainda na mesma emissora, na equipe do narrador Joel Mendes. “O rádio foi o meu primeiro trabalho, onde comecei a tomar uma certa independência e a assumir responsabilidades.”

Já no ano seguinte, mudou de ares e começou a trabalhar na área de eventos, organizando principalmente reuniões corporativas. Em 2004, quando atingiu a maioridade, passou a produzir festas pela cidade. Junto com seu outro irmão, João Guilherme, abriu duas empresas, a Prêmio Promoções e Eventos e a CWB Brasil, onde trabalhou como diretor de marketing, produzindo algumas das maiores festas e shows de Curitiba nos últimos anos, como o Country Festival, um dos maiores festivais sertanejos do Brasil – hoje não trabalha mais na empresa.

Em 2005, enquanto ainda cursava publicidade e propaganda na Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), abriu a primeira unidade do King Temaki, rede de restaurantes de comida oriental que hoje inclui três lojas com a marca, uma representação no bar Mais 55 e o Chō Street Food, localizado no Shopping Hauer, no Batel. Herdou a vocação para o setor da família. Seu pai, Luiz Antonio, gerenciou a rede Guilhermo, que contava com lojas em três shoppings de Curitiba. Já João Guilherme foi proprietário do Bar Brahma, que funcionou por mais de 20 anos no Rebouças, ao lado da antiga fábrica da AmBev.

Para disputar o cargo de vereador, saiu candidato pelo Solidariedade e recebeu o apoio de Ney durante a campanha. Conquistou 4.385 votos, obtendo a primeira das duas cadeiras do partido na Câmara Municipal.

Encerrada a campanha e confirmada sua eleição, não teve tempo nem de descansar, nem de comemorar: sua mãe foi diagnosticada com Covid-19 e precisou ser internada. Na sequência, seu pai, também com a doença, também precisou ser hospitalizado. O novo coronavírus infectou ainda um de seus irmãos e seu filho, Enrico, que acaba de completar 14 anos. Ao acompanhar os cuidados que seus pais receberam nos hospitais do Trabalhador e Nossa Senhora das Graças, conta que ficou sensibilizado.

“É impressionante a entrega e a dedicação dos profissionais de saúde. Como vereador, a partir do momento que eu assumir, pretendo buscar alguma maneira de fazer uma homenagem a esses verdadeiros heróis. Enfermeiros e médicos, eles estão totalmente entregues. As pessoas que estão na linha de frente são diferenciadas, estão fazendo um excelente trabalho. Acho que a população precisa se conscientizar e tomar os cuidados. Adotar as medidas de segurança é uma forma de respeitar essas pessoas que, neste momento, estão precisando do nosso apoio”.

Algumas de suas principais propostas lançadas durante a campanha estão relacionadas exatamente à saúde pública. Quer atuar fortemente no combate ao diabetes, doença considerada silenciosa e que mata em média dez pessoas por dia no Paraná, segundo dados do Ministério da Saúde. Uma de suas propostas é o programa ABCDiabetes, que pretende levar informações para escolas e creches municipais, com o objetivo de orientar, prevenir e promover o diagnóstico precoce. “Hoje a criança diabética chega a sofrer bullying. No momento em que vai aplicar insulina ou quando é excluída no recreio das crianças que estão comendo doces, por exemplo. Isso por falta de informação.”

Outra ideia, ainda no combate ao diabetes, é levar, por meio de unidades móveis equipadas, médicos especialistas e enfermeiros para bairros menos favorecidos, para orientação, prevenção, diagnóstico e atendimento a idosos. “As pessoas mais velhas que não têm muito acesso à informação, quando ficam sabendo da doença, pode ser muito tarde. Acabam ficando cegos, tendo de amputar a perna, por exemplo.” Ele reconhece que o projeto é ousado, mas acredita ser possível de ser implantado. “Curitiba já teve grandes programas na área da saúde, como o Mãe Curitibana, que, com boa vontade do poder público, são viáveis.”

Pretende ainda direcionar emendas para entidades na área da saúde e vai buscar autorização de órgãos de vigilância sanitária para o projeto Remédio Solidário, de doação de medicamentos que ainda estejam na validade e que não serão mais utilizados. Esses remédios seriam coletados e redistribuídos, mediante receita, para quem não tem condições de compra-los.

Quer propor parcerias público-privadas para implantar programas de incentivo à prática esportiva. “Todo bairro de Curitiba, por mais humilde que seja, tem uma grande empresa, uma indústria, um supermercado. Como vereador, quero ir pessoalmente propor para cada empresário que entre com os custos de oficinas esportivas e a prefeitura, com os espaços ociosos.” Os parceiros teriam estímulos para aderir ao programa por meio de isenções fiscais.

Pretende fomentar ainda o turismo de eventos e negócios, com o objetivo de aquecer a economia da cidade. Uma das propostas nessa área é a criação do Festival de Inverno de Curitiba. Na área da cultura, quer que salas ociosas das Ruas da Cidadania possam ser transformadas em estúdios para que artistas locais possam gravar músicas e vídeos para divulgar seus trabalhos.

Na Câmara, vai atuar como representante do setor de bares e restaurantes, mas também do micro, pequeno e médio empresário. “São pessoas que vão realmente precisar do apoio do setor público ao fim da pandemia, que estão passando dificuldades tremendas”, avalia.

Considera-se um político de centro e afirma que assumirá uma posição independente dentro da Câmara Municipal. “Não vou ser vaquinha de presépio do prefeito. Mas, se eu achar que está tramitando um projeto dele que seja positivo para a população, vou votar a favor”, afirma.

Diz que quer manter um bom diálogo com o Executivo, apesar da disputa acirrada que seu irmão travou com o prefeito reeleito Rafael Greca (DEM) no segundo turno das eleições de 2016 e nos bastidores das eleições de 2020 – Ney acabou tendo sua candidatura retirada após um acordo de Greca com o governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), presidente estadual de seu partido.

Conta que tem um bom relacionamento com o vice-prefeito reeleito, Eduardo Pimentel (PSD), de quem foi colega de turma no Colégio Positivo Ângelo Sampaio, no ensino médio. “Pretendo ter um bom relacionamento com a prefeitura. É o que faz com que a gente consiga colocar as coisas em prática. Mas, se por acaso, em determinados assuntos, eu discordar, eu achar que a prefeitura está agindo de forma incorreta, serei o primeiro a falar.”

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