História do comerciante se confunde com a da loja que carrega no nome de vereador| Foto: Reprodução/Facebook/João 5 Irmãos
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Gerente comercial da rede de lojas 5 irmãos, João Carlos Rodrigues diz ter como princípio ajudar o próximo – aprendeu com a mãe, Dona Eroni, hoje com 76 anos. E promete que vai levar a missão à Câmara Municipal de Curitiba a partir de 2021, quando assumirá seu primeiro mandato de vereador, após receber o voto de 4.423 eleitores.

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“Da mesma maneira que atendo meus clientes na loja, quero atender no meu gabinete e no meu escritório”, diz João, que rejeita o rótulo de empresário – prefere ser chamado de comerciante. Também dispensa o sobrenome. Na campanha e na urna usou o nome João da Loja 5 Irmãos. No Legislativo municipal, quer ser conhecido como João da 5 Irmãos.

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É que sua história se confunde com a do comércio, que nasceu como Bar e Mercearia 5 Irmãos, no ano de 1986, no bairro Cajuru. Filho número 4, João tinha apenas 10 anos de idade, mas ficava responsável pelo negócio ao lado da irmã Marilda, filha número 3, à época com 14, enquanto a mãe trabalhava como servente de limpeza no Hospital Cajuru e o pai, João Antônio, na fábrica da Coca-Cola. Os irmãos mais velhos já haviam deixado de morar com eles. Do mais novo, eles cuidavam. “Meus pais chegavam à noite e nos orientavam. Trabalhávamos de domingo a domingo”, conta o agora vereador eleito.

A família desembarcara na capital paranaense oito anos antes, em 1978, vindo do pequeno município de Guamiranga, ao lado de Prudentópolis, na região Central do Paraná. Os tempos eram outros. “O Cajuru não tinha nem rua, era só carreiro”, recorda. “O Córrego Jardim Natália era um valetão e, como não tinha ponte nem nada, eu e meu pai usávamos caliça, resto de construção que o pessoal desovava aqui, para o padeiro conseguir chegar para trazer pão, o verdureiro trazer mercadoria para a gente vender.”

“Nós tínhamos um Fusca verde que já era velho na época, ano 1959. Era o que meu pai podia comprar.” Era final dos anos 1980 e, com a hiperinflação vigente à época, o governo federal, então sob a gestão de José Sarney, distribuía tíquetes para famílias carentes trocarem por leite. “O pessoal fazia fila de madrugada, porque a gente recebia uma quantidade limitada de caixas de leite.”

Com o crescimento do comércio, os pais logo saíram de seus empregos para investir no negócio. Em 1990 abriram a Loja 5 irmãos, na sala da casa, um espaço de cerca de 20 metros quadrados. “Minha mãe costurava, comprava retalho, vendia roupa de criança. Eu e minha irmã fazíamos entregas de bicicleta”, lembra.

Hoje a 5 Irmãos é uma rede de lojas de departamento, com cinco unidades e 50 empregados diretos. Todos os irmãos, além de Dona Eroni, trabalham para a marca – Seu João Antônio faleceu em 2009. “A gente sempre teve isso de ajudar o próximo”, conta João. “Uma vez minha mãe falou um negócio que marcou muito. Ela tinha ido levar uma pessoa no hospital e explicou ‘do que adianta a gente ter as coisas e não poder ajudar os outros?’.”

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Levou aquilo para a vida. Em 2005, depois de se formar em ciências contábeis pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), entrou para o movimento comunitário, participando como voluntário de projetos de incentivo a atividades como futebol e capoeira entre crianças e jovens.

Em 2008 veio o convite para sair candidato a vereador pelo PSL. “Fui na cara e na coragem, sem conhecimento nenhum, sem equipe, sem recurso”, diz. Fez 2.327 votos, 266 a menos do que Dirceu Moreira (PSL), o vereador eleito com menos votos naquela eleição. No ano seguinte, foi convidado pelo então prefeito Beto Richa (PSDB) a trabalhar como gestor municipal na regional do Cajuru. Trabalhou cerca de um ano e meio na função, recebendo demandas da população e participando de audiências públicas e reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do bairro como representante da prefeitura, por exemplo.

Em 2012 decidiu que não se candidataria. “Estava envolvido na expansão da loja e resolvi dar um tempo nesse projeto”, diz. “Continuei com o trabalho de ajudar a igreja, apoiar o futebol amador.” Em 2016, convencido por um amigo do antigo PRP (fundido com o Patriota em 2018), tentou novamente uma cadeira no Legislativo municipal. Fez 2.654 votos e novamente não entrou por pouco. “Daí eu falei: vamos nos planejar, fazer o negócio mais profissional a partir de agora.”

Nos anos seguintes, manteve o trabalho social. Na Vila Torres atua no projeto Magia da Luta, que promove as artes marciais na comunidade, com doação de uniformes, mas também no dia a dia da iniciativa. “A gente leva um palestrante, uma psicóloga, um pastor, sempre com essa veia de projetos sociais ligados ao esporte.” Em 2017, ajudou a criar um circuito de skate, com campeonatos sem cobrança de taxa de inscrição, para permitir a participação de todos. “Sempre orientando os jovens, encaminhando para o CIEE [Centro de Integração Empresa-Escola], para uma qualificação profissional.”

Candidato novamente em 2020, fez 4.423 votos, obtendo a segunda das três cadeiras do PSL. Embora se considere de direita, diz que escolheu o partido principalmente por ver sua eleição mais viável na sigla. “Sabíamos que íamos fazer uns 4 mil votos e analisamos onde que entraríamos”, explica. “Não foi para surfar onda, porque sabemos que a onda do Bolsonaro já acabou. Na periferia, as pessoas não votam pelo partido. Talvez 5% votem, mas 95% vão pela pessoa.” Apesar de eleito pela legenda que lançou Fernando Francischini à prefeitura, não quer fazer oposição a Rafael Greca (DEM). Pretende ter atuação independente na Câmara Municipal. “Não adianta ficar só batendo. Sou um cara coerente, do debate de união, não de divisão”, diz.

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João entende que a área mais importante para qualquer política pública deve ser sempre a educação. “Enquanto as pessoas ligadas ao poder não tiverem a visão da educação como elemento transformador da sociedade, o resto vai ser só paliativo”, acredita. “Projetos esportivos são muito bons, quanto mais tiver, melhor. Vou lutar por isso, continuar fazendo, mas, de maneira geral, o fundamental é a educação.”

Deseja que a educação pública no país tenha a mesma qualidade da que conheceu na Europa, onde viveu por seis meses. “No primeiro mundo, as crianças vão às 9 horas para a escola e voltam às 17h, e isso faz toda a diferença. Faz pessoas mais conscientes, mais preparadas em todas as áreas. Elas conseguem ser mais produtivas e o país, em cadeia, vai ter mais desenvolvimento, mais cultura”, avalia.

“No Brasil, a classe média até tem condições de pagar uma educação melhor, um inglês, uma escola de futebol, uma aula de violão. Aqui na Regional do Cajuru, das 16 escolas municipais, só três são integrais. Por que não ao longo do tempo ir ampliando isso, sobretudo onde mais precisa, nos bolsões de pobreza?”

Quanto à Loja 5 Irmãos, pretende continuar a ajudar, quando der tempo. “Meu compromisso é com o mandato, e vou honrar os meus votos, mas no horário em que for cabível, vou estar presente aqui.” Pretende montar ainda um escritório do mandato no bairro para receber as demandas da população. “Não adianta ser eleito e depois sumir. É preciso respeitar as pessoas. Se alguém te procura, é porque confia em você.”

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]
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