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Em Londrina, a concentração foi na frente da sede da 10ª Subdivisão Policial.
Em Londrina, a concentração foi na frente da sede da 10ª Subdivisão Policial.| Foto: Fábio Calsavara / Gazeta do Povo

Escrivães e investigadores da Polícia Civil do Paraná deram início nesta quarta-feira (28) a uma paralisação nas atividades por 48 horas. A mobilização é um protesto contra o pacote do Governo do Estado que unifica ambas as categorias, criando a carreira de Agente de Polícia Judiciária.

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A paralisação começou pela manhã, após ter sido aprovada em assembleia pelos policiais. Em Londrina, a concentração foi na frente da 10ª Subdivisão Policial, e em Curitiba os agentes se agruparam na Assembleia Legislativa do Paraná. Um dos objetivos era evitar que o projeto de lei, que tramita em regime de urgência no Legislativo Estadual, fosse votado nesta quarta-feira.

O presidente da Alep, deputado Ademar Traiano (PSD), anunciou para a próxima segunda-feira (3) o início da tramitação em Plenário do pacote de projetos de Governo. Ele explicou que entende como normal a insatisfação “de algumas categorias” de servidores, mas que como o projeto será discutido em duas sessões, será possível que os deputados apresentem emendas ao projeto.

“Será uma sessão ordinária e uma extraordinária. É normal que haja a insatisfação de alguma categoria. Ontem mesmo recebi manifestações. Mas há a possibilidade de apresentação de emendas durante o trâmite aqui na Casa que podem atender a esses interesses”, afirmou.

Líder do Governo, o deputado Hussein Bakri (PSD) afirmou que “as emendas não serão partidarizadas e, as que forem boas, serão aceitas levando em conta o orçamento e a constitucionalidade”. “A avaliação é que os projetos deveriam ter chegado antes para haver debates com as categorias. Mas a oposição irá apresentar emendas em bloco e a base também, para mudar alguns pontos”, adiantou o Líder da Oposição, deputado Requião Filho (PT).

Sindicato fala em perdas para os escrivães e investigadores

De acordo com o Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol-PR), o texto do projeto de lei, caso seja aprovado da forma como foi apresentado, trará perdas para a categoria, uma vez que com a unificação das carreiras os policiais terão um acúmulo de funções sem a devida compensação financeira.

Em um material que circulava entre os agentes, ao qual a reportagem da Gazeta do Povo teve acesso, os manifestantes apresentaram valores que, segundo eles, comprovam a disparidade entre as remunerações entre escrivães, investigadores e delegados. Segundo a postagem, um delegado em início de carreira, quarta classe nível I, recebe hoje R$ 19,1 mil. Com o novo enquadramento, este mesmo profissional passaria a pertencer ao nível III, com salários de R$ 23,2 mil, um reajuste de 21,36%.

Por sua vez, um investigador em início de carreira, quinta classe nível I, recebe hoje R$ 6,7 mil, segundo a postagem. Com a aprovação do pacote do Governo, esse agente passaria a receber R$ 7,2 mil, com um reajuste de 7%.

"Vergonha" e "desrespeito"

Para a Presidente do Sinclapol-PR, Valquiria Gil Tisque, o projeto é “uma vergonha e um desrespeito ao policial civil”. Em um vídeo distribuído entre os agentes, ela destacou o fato de que escrivães e investigadores, além das 160 horas mensais de trabalho normal, serão colocados em uma jornada mensal de 160 horas de “sobreaviso” sem a devida compensação salarial.

“Teremos mais atribuições do que as que já temos com uma média de reajuste de salário de R$ 200. Teremos que trabalhar além do que nós já trabalhamos. Nós, policiais civis, que atendemos a população paranaense com dignidade e respeito, que estamos nas ruas e delegacias atendendo as vítimas de crimes estamos sendo tratados desta maneira pelo Governo do Estado do Paraná”, disse.

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