Projeto deve alcançar cerca de 500 pequenos negócios de todo o Brasil até dezembro| Foto: BigStock
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O mercado de comunicação foi sem dúvidas um dos setores mais afetados pela pandemia do coronavírus. Com a redução do consumo, houve também menos investimentos em publicidade, que por sua vez ocasionou demissão em massa de trabalhadores do ramo. A tradicional Escola de Criatividade Redhook, de Curitiba, sentiu de perto esse looping que impactou não apenas profissionais renomados do meio, como também fornecedores e estudantes, que viram vagas de estágio serem encerradas e perderam ali uma ferramenta de aprendizado importante.

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Para Celinha Camargos, diretora da escola, o momento foi de repensar tudo o que estava consolidado até então dentro do seu próprio negócio e criar novas estratégias para movimentar todo o segmento e gerar novas oportunidades para todos. “Sabemos que quando a crise chega, a comunicação é a primeira a ser afetada nas empresas, o que se mostra um erro depois de um tempo e prejudica todo o setor”, diz.

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Mas como dar novo fôlego para um mercado que depende imensamente da cadeia varejista, de empresas e prestadores de serviços, uma vez que esse segmento também foi profundamente afetado pela crise? Segundo uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), o varejo paranaense amargou perdas de 19,46% em abril em relação a março, o primeiro mês da pandemia no país. Já na comparação com abril de 2019, a queda foi ainda mais expressiva, de 31,13%.

Fomentando novos negócios

A gestora arregaçou as mangas e reuniu especialistas de várias especialidades da comunicação para prestar então uma mentoria gratuita aos pequenos empreendedores e ajudar empresas de todo o país a movimentarem seus negócios, criando uma estratégia de marca e conquistando novas oportunidades de negócio inserindo esses empreendedores no mercado digital. “Queremos dar fôlego para agências, estimular os profissionais e dar ferramentas e oportunidade para que eles voltem ao mercado de trabalho", diz a gestora.

No caso das pequenas empresas, muitas tiveram que fechar a porta e viram seus negócios ameaçados por não ter uma presença consolidada na internet e, dessa maneira, continuar a oferecer seus produtos e serviços. Em alguns casos, profissionais que perderam o emprego se viram obrigados a atuar em atividades da própria família, que por já estarem há muitos anos ocupando uma determinada região, acharam que essa transição para o digital não era necessária. “Esse novo cenário exige que as empresas estejam no mundo digital. Todo mundo, sem exceção. E pelo menos o básico você tem que saber, mas a maioria dessas pequenas empresas não sabe”, lamenta Camargos.

A iniciativa colaborativa mobilizou agências de comunicação, profissionais e fornecedores do mercado, como designers, analistas de mídia e conteudistas. O trabalho também ajudou a conectar os profissionais afetados pela crise com novas oportunidades.

Ajuda remota

O publicitário Diego Siqueira participou da ação como voluntário e conseguiu algumas indicações profissionais. “Para mim a parte mais legal do projeto foi poder ter essa troca com outros profissionais e clientes. Como foi o meu caso. Eu ajudei um pequeno empreendedor do interior da Bahia e foi um grande desafio”, diz. Segundo ele, a motivação para participar do projeto foi a questão social e o momento pelo qual estamos passando. “Sabemos que esse é um período complicado para as empresas, principalmente para as pequenas empresas. Poder dedicar algum tempo para apresentar uma solução para esse empreendedor é muito satisfatório. As duas lições mais importantes que tiro deste projeto é poder ajudar as pessoas que estão precisando e também poder crescer como profissional, tendo essa troca com outros colegas de profissão”, diz.

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A primeira iniciativa do projeto, em formato piloto, foi lançada na última semana de maio e reuniu professores e alunos da escola durante um dia inteiro para trabalhar em estratégias em prol dos pequenos negócios. Até o momento foram realizadas duas edições, que beneficiaram 22 empresas, em mais de 1500 horas de imersão online."A partir de um briefing, alunos e mentores criaram uma estratégia de execução para apresentar ao cliente. Nesta primeira edição realizamos um diagnóstico das empresas com estratégias de negócios e comunicação com ações como: reformulação de logos, identidades visuais, descritivo para redes sociais, campanhas promocionais, ações de PDV, entre outros” explica Celinha.

Profissionais e estudantes de diversos setores da comunicação se uniram para realizar consultorias gratuitas para pequenos empreendedores. | Foto: Reprodução

O projeto reuniu 130 pessoas, divididas em equipes multidisciplinares, que se mobilizaram para pensar e apresentar propostas de comunicação estratégica para cada negócio.As empresas que participaram até agora são do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pará, Mato Grosso, Bahia.Todas elas serão acompanhadas de um a seis meses para mensuração dos resultados. A ação tem ainda a participação das startups paranaenses Ebanx e vhsys, e deve alcançar aproximadamente 500 pequenos negócios até dezembro.

Para o publicitário Guilherme Rosa, que trabalha como diretor de arte em uma agência de Curitiba, a experiência foi a melhor possível. Ele relata que, como profissional, conseguiu ter contato com pessoas com conhecimentos diversos e unidos para usar suas competências e fazer um trabalho bacana para os pequenos negócios que precisam muito de ajuda, principalmente nesse momento. “Além de todo o envolvimento da equipe, o mais legal é apresentar o projeto e ver o brilho no olho das pessoas que inscreveram suas empresas. Inclusive soubemos que alguns desses já estão implantando em seus negócios algumas das soluções que sugeridos. Isso tudo é muito gratificante”, diz.

Mentoria internacional

Thany Moraes é publicitária, mora em Buenos Aires (AR) e trabalha para uma agência de publicidade portenha. Ela afirma que, apesar de viver fora do Brasil, procura estar conectada com o mercado daqui e busca sempre contribuir de alguma forma e por isso topou ser mentora em uma dessas rodadas de consultoria para pequenas empresas. “É muito legal poder contribuir com iniciativas como essa, que colocam em contato quem precisa de apoio com quem tem algo pra oferecer e ajudar. Acredito que além de ser uma experiência bastante interessante, é parte da nossa responsabilidade como profissionais de comunicação”, diz.

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Ela lembra que muitos profissionais renomados da comunicação estão acostumados a trabalhar para grandes empresas e marcas conhecidas, que geralmente têm uma estrutura montada pra atravessar momentos difíceis como este que estamos vivendo. O desafio agora, segundo Moraes, é usar parte desse conhecimento para ajudar os pequenos negócios. “Existem muitas empresas, e empreendedores por trás dessas empresas, que estão nadando contra a corrente e que contam com poucos recursos. Então porque não usar o conhecimento que a gente adquiriu e a rede de contatos que a gente tem pra contribuir de alguma forma?”, questiona.

Bolsas para voluntários

Outra iniciativa do movimento, o Blue-Learning, oferece cursos virtuais na área de comunicação e marketing, em que todas as pessoas que tiverem tempo livre e quiserem trocar por ajuda a uma pequena empresa inscrita no projeto, ganham bolsas que variam entre totalmente gratuitas até 70% de desconto nos cursos da escola: “As empresas demitiram muita gente. A ideia é incentivaro desenvolvimento de mercado de forma colaborativa, ajudando as pequenas empresas e também as pessoas. É um projeto que atinge todo o Brasil. Tivemos empresas e pessoas de várias regiões no primeiro laboratório”, diz Celinha.

Próximos encontros

A próxima edição do Blue-Lab no Brasil será dia 11 de julho e irá beneficiar um novo grupo de empresas filtradas das bases da escola, de seus parceiros e inscritos no site do Bluehook. Se você é profissional ou pequena empresa interessada em realizar uma consultoria gratuita, pode se inscrever pelo site:bluehook.com.br.