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estabelece complicações em toda a rede de produção de bens e causa deficiência produtiva em setores adjacentes, isto é, um efeito cascata na cadeia produtiva do mundo.
estabelece complicações em toda a rede de produção de bens e causa deficiência produtiva em setores adjacentes, isto é, um efeito cascata na cadeia produtiva do mundo.| Foto: Lineu Filho/Gazeta do Povo

Um levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostra que o Paraná tem quatro dos cem municípios mais ricos do agronegócio no país. De acordo com os dados, Guarapuava está no top 50, enquanto Cascavel, Tibagi e Toledo integram a lista em posições posteriores.

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Os dados utilizados no levantamento da pasta são da produção Agrícola Municipal (PAM) referente a 2020 e considera o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios, segundo o obtido pelo Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, e o valor da produção das lavouras permanentes e temporárias.

Guarapuava ficou na 49ª posição, com produção de R$ 1,167 bilhão. Para o prefeito Celso Góes (Cidadania), “a tecnologia de ponta foi o que aumentou a produção e ela é resultado de altos investimentos no agronegócio”. O grande destaque do município é a produção de cevada.

Cascavel, que é forte em exportação de grãos e na venda de aves e carne suína, teve uma produção de R$ 1,109 bilhão, ocupando a posição 58 no Brasil. Já Tibagi, em 71º, com R$ 932 milhões, é destaque no trigo. Toledo, na posição 79, teve produção de R$ 825 milhões.

De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), a metodologia do Mapa não contempla a produção pecuária, a extração vegetal e a silvicultura. “No nosso levantamento de 2020, por exemplo, os municípios que figuram nas primeiras posições são, respectivamente, Toledo, Cascavel e Castro, pois são considerados também os produtos florestais e pecuários”, informou Larissa Alves, coordenadora da Divisão de Estatísticas Básicas do Deral.

Toledo está nos dois rankings e é o maior polo produtor de proteína animal. Para João Nogueira, pós-graduado em agronegócio e diretor do Departamento de Agropecuária e Desenvolvimento do município, a cidade tem uma vantagem no cenário econômico do agronegócio que é a presença de muitas pequenas propriedades, o que faz com que haja uma renda distribuída no campo e leva ao desenvolvimento urbano. “São pequenas propriedades que fazem produtos de qualidade e exportam para o mundo todo. Essa renda distribuída no campo reflete no urbano”, explica.

Outra característica do município do Oeste do estado é a diversificação do campo e a qualidade dos produtos. “Produzimos líquidos, sólidos, suínos, frangos e peixes. E o segmento secundário, que é da indústria, evoluiu muito. Os produtores se tecnificaram”, diz.

Mais um destaque na região é Cascavel, que conquistou a segunda posição tanto no levantamento do Mapa quanto do Deral. De acordo com o secretário municipal da Agricultura, Renato Segala, além da grande extensão territorial, o município investe pesado no agronegócio - o segmento representa cerca de 35% do PIB da cidade.

“Nós triplicamos o orçamento que nós tínhamos na secretaria, criando condições de infraestrutura, de manutenção e construção de estradas rurais, facilitando e criando condições de escoamento da safra”, explica. A modernização do parque de máquinas também foi citada como fator importante para o desenvolvimento de Cascavel a ponto de se tornar um dos municípios mais ricos no agronegócio do Paraná e do Brasil.

Próximo ciclo: quebra de safra e cenário político preocupa agronegócio no PR

A maior estiagem histórica dos últimos 91 anos mexeu com o setor produtivo do Paraná. As condições econômicas e políticas em 2022 também lançam alertas e os municípios já se organizam para melhorar o cenário no Paraná.

Para João Nogueira, “é hora do setor econômico socorrer o setor produtivo, para a gente não matar a galinha dos ovos de ouro”. Uma das soluções, segundo o especialista, é retomar a política de estoque regulador, para atender aos pequenos produtores com valores mais acessíveis.

Em reunião com a ministra de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina Dias, as secretarias municipais e outras organizações apresentaram formas de melhorar as condições para os produtores locais.

O secretário Renato Segala, destacou as principais necessidades levadas ao governo federal para diminuir os danos nesses anos de estiagem. “Temos expectativas com a prorrogação das operações de crédito dos produtores, tanto de custeio quanto de investimento, a possibilidade de novos créditos e a agilidade na regulação do sinistro do seguro agrícola e do Proagro”, afirma.

Além da seca, outras variantes pesam para as medidas de economia agro. “Em ano eleitoral, o mercado de capitais reage mal, com maior evasão de divisas e moeda brasileira desvalorizada”, pontuou João Nogueira. “O produto brasileiro é barato, e o que compramos pode ficar mais caro em 2022”, acrescenta. Hoje, 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura são importados e há a tendência de que eles cheguem com um valor bem mais alto daqui para frente.

Todo cenário atual do agronegócio paranaense, no entanto, só vai ser calculado em meados do ano que vem, quando o Deral divulgar os números do VBP (Valor Bruto da Produção) da safra 2022/2023.

“As principais culturas do estado são a soja, o frango de corte, o milho e o leite. Para o VBP de 2021, é esperado o crescimento do faturamento dessas culturas, com exceção do milho. Em 2022, o impacto das perdas da safra de verão serão bastante expressivos, dada a dimensão da estiagem”, explicou Larissa Alves, do Deral.

Por enquanto, as estatísticas dos últimos anos podem orientar a produção no estado.

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