Oferta final na região Sul se esgotaria em 16 meses sem novos lançamentos no “estoque”| Foto: Roberto Dziura Jr / AEN
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A região Sul do Brasil foi na contramão da tendência nacional e registrou aumento na venda de imóveis residenciais nos últimos trimestre de 2023. Enquanto a média nacional de vendas caiu 3,2% em comparação com o terceiro trimestre do ano passado, no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul as negociações foram 8,8% maiores do que o período anterior.

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Os números fazem parte do balanço apresentado nesta semana pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic). O guia de Indicadores Imobiliários Nacionais reúne os dados de 220 cidades brasileiras. No Paraná, além de Curitiba e Região Metropolitana, também fazem parte do levantamento os mercados imobiliários de Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel.

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Os dados nacionais mostram que o número de imóveis lançados caiu 11,5% em 2023 na comparação com o ano anterior – foram 293.013 no ano passado contra 331.010. Os dois últimos anos, mostra o balanço da Cbic, tiveram resultados menores do que os registrados em 2021, quando foram lançados 341.739 novos empreendimentos.

Mesmo com a queda nos lançamentos, a leitura do mercado é de valorização dos imóveis. Isto porque no acumulado do ano de 2023 o valor total de vendas deste mercado chegou a R$ 181 bilhões. Somente o quarto trimestre do ano passado registrou R$ 49 bilhões no chamado Valor Geral de Vendas, a soma de todos os imóveis negociados no período, contra R$ 40 bilhões do mesmo período de 2022.

“A gente vem de uma taxa Selic alta desde 2021 e com desemprego e inflação também em alta. Agora, o cenário está começando a mudar, com a taxa de juros caindo, assim como a inflação e o desemprego. Estes três indicadores são importantíssimos para o mercado imobiliário, que manteve o nível de vendas apesar de tudo isso estar contra neste período”, avaliou Renato Correia, presidente da Cbic.

"Prateleira" para venda de imóveis ficou mais escassa no país em 2023

Segundo Fábio Tadeu Araújo, sócio-diretor da Brain Inteligência Estratégica, a diminuição da oferta e a elevação nas vendas indica que “a prateleira de imóveis pode não estar tão diversificada quanto os consumidores gostariam”. Mesmo assim, a oferta final de imóveis – o “estoque” de unidades disponíveis para serem comercializadas – recuou 11% em 2023 na comparação com o período anterior.

Em um cenário no qual não há mais lançamentos de novos imóveis residenciais, explicou o analista, a oferta final de imóveis em nível nacional se esgotaria em cerca de 11 meses. No Sul do país, o cenário é um pouco diferente, com uma oferta final girando em torno de 15 a 16 meses.

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“É como entrar em uma loja e ter menos produtos para comprar”, compara Araújo. “Ainda assim a demanda permaneceu com força Isso nos permite antever um ano de 2024 com um potencial ainda melhor do que foi 2023”, completa o especialista.

Primeiro semestre de 2023 no programa Minha Casa Minha Vida foi "perdido"

O levantamento da Cbic separou os dados dos lançamentos e vendas de imóveis enquadrados dentro do programa Minha Casa Minha Vida, relançado pelo governo Lula (PT) para substituir o Casa Verde e Amarela, do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O economista Celso Petrucci destacou alguns pontos de mudança positiva no programa, como o aumento no valor limite para o enquadramento nos limites do Minha Casa Minha Vida.

Os dados da Cbic mostram que houve queda nos lançamentos (-3,1%) e nas vendas (-17,6%) entre 2022 e 2023. A oferta final para este segmento caiu 6,7% no período. Ainda assim, a participação dos imóveis do Minha Casa Minha Vida no mercado nacional cresceu durante 2023, chegando a quase metade dos imóveis lançados nos últimos três meses do ano passado.

Para Petrucci, os números poderiam ter sido melhores se o primeiro semestre não tivesse sido “perdido”. “O novo governo estava assumindo em um processo de recomposição. A reação começou no terceiro trimestre e no quarto trimestre houve um aumento de 26,5% nos lançamentos do Minha Casa Minha Vida”, pontuou.

Com base nos dados do levantamento, a Cbic projeta crescimento de 5% a 10% nas vendas e lançamentos do programa habitacional do governo federal. Uma outra estratégia que tem como objetivo aumentar o limite de renda disponível para famílias que ganham até dois salários-mínimos, o FGTS Futuro, deve alavancar esta fatia do mercado imobiliário. Para o mercado em geral, a tendência deve ser de estabilidade ao fim deste ano.

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“Nós vamos passar por uma Reforma Tributária que mexe na estrutura organizacional dos impostos. Levamos anos para amadurecer este mercado para que ele pudesse dar essa resposta. No fim do dia, quem vai ser beneficiado é o morador que está comprando esse imóvel”, analisa Renato Correia, presidente da Cbic.

Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]