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Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais.
Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

O registro da primeira morte pela variante indiana do coronavírus no Brasil, registrada na cidade de Apucarana, no norte do Paraná, é um alerta para que os viajantes cumpram a quarentena de dez dias quando chegarem ao país. A vítima era uma mulher grávida de 42 anos que vivia no Japão e veio visitar a família na cidade paranaense. O bebê sobreviveu após nascer em uma cirurgia de cesariana de emergência enquanto a mãe estava internada. O Ministério da Saúde confirmou que esta é a primeira morte no país pela cepa também conhecida como delta.

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A Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) confirmou que a gestante foi o caso originário da transmissão da variante indiana a outra mulher de 71 anos. Dias antes de a senhora ter confirmada a infecção por Covid-19, ela havia se encontrado com uma das filhas, amiga da gestante com quem teve contato. Além dessa filha, outros dois parentes da mulher de 71 anos também contraíram o coronavírus: o marido e o filho de 58 anos que faleceu.

Deste caso em Apucarana, mais 17 sequenciamentos genéticos estão sendo feitos na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, para verificar se mais pessoas se contaminaram com a variante também conhecida como delta. São familiares e pessoas que tiveram contato com a gestante e com a família da mulher de 71 anos não só de Apucarana, mas também da cidade de Rolândia, entre eles o marido e o filho da senhora. A filha que teve contato com a gestante acabou realizando exame rápido de farmácia para verificar se estava com Covid-19, cuja coleta não pode ser sequenciada geneticamente.

A coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Sesa, a médica Acácia Nasr, explica que a mulher grávida fez o teste RT-PCR ainda no Japão, antes de embarcar para o Brasil no dia 5 de abril, que deu negativo. Dois dias depois, em 7 de abril, um novo exame já no Brasil deu positivo para coronavírus e, na sequência, a Sesa enviou a amostra para a Fiocruz.

"A pessoa pode desenvolver a doença em 14 dias, mas, neste caso, a paciente pode também ter contraído a doença no trajeto da viagem, que era longa. Por isso quem chega de outro país tem que tomar muito cuidado com as medidas sanitárias e fazer o isolamento por dez dias. A pessoa deve evitar qualquer contato com outras pessoas nesse período", enfatiza a coordenadora de Vigilância Epidemiológica. "E mesmo depois do isolamento ao chegar ao país, a pessoa deve seguir todas as prevenções, com o uso de máscara e distanciamento de 1,5 metro de outras pessoas", reforça a representante da Sesa.

Segundo Acácia, pelo caso de Apucarana ainda não é possível afirmar que a variante indiana está circulando pelo estado. Isso porque a paciente que originou a transmissão não vivia na cidade, o que não se configura em caso autóctone - quando o contágio ocorre entre dois moradores da mesma localidade -, tratando-se de um caso importado. "Ainda não registramos casos comunitários no Paraná, que é quando não tem como identificar a origem da transmissão numa determinada localidade", explica a médica.

Rastreio

A Sesa chegou à variante indiana do coronavírus no Paraná a partir de rastreios que o Laboratório Central do Estado (Lacen) faz em todas as regionais de saúde do estado para averiguar quais variantes estão em circulação. No caso, as amostras de Apucarana chamaram a atenção dos técnicos laboratoriais pelo fato de fugir do padrão das cepas detectadas no estado. Além disso, o fato de um caso envolver uma paciente que veio de outro país também fez com que a Sesa aumentasse a suspenta antes de encaminhar amostras para a Fiocruz.

"A partir desses indícios, também coletamos 234 amostras de pacientes da região de 15 dias antes e 15 dias depois do caso que comprovaram que a cepa dominante lá ainda é a mesma de todo o Paraná, a P.1, originária do estado da Amazonas", explica Acácia.

O Paraná, assim como todos os outros estados, tem uma cota mensal de 40 sequenciamentos genéticos de amostras na Fiocruz justamente para detectar a presença e, principalmente, a circulação de novas cepas. Porém, explica a coordenadora da Vigilância Sanitária, cada estado pode enviar coletas extras ao Rio de Janeiro cada vez que identificar indícios de que há infecções por novas variantes, como foi o caso em Apucarana.

A coordenadora da Vigilância Sanitária no Paraná explica que o monitoramento da entrada do coronavírus nos aeroportos cabe à Infraero. Porém, no começo de junho, parceria entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a própria Infraero permitiu a realização de 458 testes de coronavírus em passageiros que chegaram no Afonso Pena, em São José dos Pinhais, com sete casos positivos.

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