Protesto na Câmara: tumulto e invasão do prédio| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

A negociação do pacote de ajuste fiscal do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), causou tumulto e tensão na Câmara Municipal nesta terça-feira (13). Depois de protestos que culminaram com a invasão do Palácio Rio Branco, onde os vereadores estavam reunidos, a votação do pacote de medidas foi adiada para a próxima semana. A prefeitura se comprometeu a receber os sindicatos nesta quarta-feira (14) para negociar possíveis modificações nas propostas. Após uma votação apertada, os manifestantes começaram a deixar a Casa Legislativa por volta das 22h desta terça-feira e terminaram a liberação do prédio por volta das 0h20 de quarta, após a conclusão da vistoria.

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Veja galeria de fotos da invasão à Câmara de Curitiba nesta terça-feira (13).

Apesar do tom de descontentamento de muitos servidores, os líderes dos sindicatos que organizam o protesto não veem a decisão de sair da Câmara como uma derrota. “Derrota seria se fosse definido o fim da greve sem nenhuma resposta dos vereadores para um calendário de negociação”, aponta um dos diretores do Sismmac, Rafael Furtado. 

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Segundo ele, a decisão tomada dá um novo fôlego ao movimento até a próxima terça-feira (20), quando os vereadores devem retornar a votação das propostas enviadas pelo prefeito Rafael Greca. “Esperamos que, na reunião de amanhã, eles coloquem a mão na consciência e recuem, retirando esse pacotaço”.

Dia tumultuado na Câmara

Uma multidão de servidores do município e sindicalistas cercou o Legislativo municipal desde o início da manhã, impedindo a entrada de pelo menos cinco vereadores que se posicionavam a favor do pacote de medidas do prefeito. Com isso, a sessão em que quatro projetos seriam votados, marcada para as 9 horas, foi suspensa. O cerco também impediu a entrada da imprensa e até de comida para quem estava do lado de dentro do prédio.

Os servidores reclamavam da austeridade das medidas e da falta de diálogo com os sindicatos. As quatro propostas apresentadas pela prefeitura, e que tramitam em regime de urgência, abrangem as mudanças no sistema previdenciário do município; a suspensão da data-base e dos planos de carreira dos servidores; o leilão de dívidas da prefeitura; e a criação de uma lei de responsabilidade fiscal municipal.

Dos protestos à invasão

Durante a manhã, os servidores impediram a entrada de cinco vereadores. Fabiane Rosa (PSDC), Zezinho do Sabará (PSB), Beto Moraes (PSDB), Sabino Picolo (DEM) e Dona Lourdes (PSB) foram barrados na porta. Todos eles se posicionaram a favor das medidas. Os vereadores passaram o restante do dia se mudando de um endereço para outro nas imediações da Câmara, no Centro, para poder voltar caso vissem que isso era seguro. Chegaram a se esconder no Instituto Médico Legal.

A expectativa até o início desta terça-feira era de que o pacote fosse aprovado por 26 votos contra nove. Durante o dia, porém, sob pressão partidária, pelo menos dois vereadores pareceram mudar de posicionamento. O PSD de Ney Leprevost forçou sua bancada a rejeitar o projeto e o PDT de Gustavo Fruet também cogita fazer o mesmo. 

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Durante a tarde, os vereadores aceitaram se reunir com os sindicatos. No entanto, quando parecia haver um encaminhamento para deixar tudo para a semana seguinte, houve a invasão do prédio. Servidores invadiram o edifício por uma janela. Centenas ocuparam o plenário e ficaram à porta da sala da presidência, onde o procurador Olympio Sotto Maior mediava uma negociação entre as partes. Após quase cinco horas, os servidores concordaram em deixar o prédio.

Sem Greca

Na negociação, o líder do prefeito, Pier Petruzziello (PTB), ofereceu uma reunião com o secretário de Governo da prefeitura, Luiz Fernando Jamur, para esta quarta. Nela, os sindicatos poderiam apresentar propostas de emendas aos projetos. Os servidores, porém, insistiam que só aceitavam se reunir com Greca e pediam insistentemente a retirada da urgência na votação. Nos bastidores, os vereadores admitem que Greca não aceitará qualquer reunião pessoal com os servidores.

O prefeito, que manteve a sua agenda regular, se resumiu a fazer um vídeo pedindo a aprovação dos projetos para que “suas mãos sejam desatadas” e ele possa governar. O vídeo acirrou ainda mais as tensões.