Violência atinge o transporte coletivo em Curitiba.| Foto: Lineu Filho/Tribuna do Paraná

Os constantes casos de violência no transporte coletivo durante o ano passado intensificaram o debate sobre soluções para a segurança de passageiros, motoristas e cobradores em Curitiba. Uma das soluções debatidas foi a melhoria nos “botões do pânico”, que já existem nos ônibus, terminais e estações tubo de Curitiba. Entretanto, dados consultados pela Gazeta do Povo, mostram que o uso do dispositivo como é hoje tem se provado ineficiente.

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Em 2017, dos 1.147 acionamentos do dispositivo, 1.113 foram involuntários, causados por algum esbarrão acidental ou por falha no sistema. No ano passado, apenas em duas ocasiões o botão foi apertado em alguma situação real de emergência.

Os números estão em um relatório encaminhado pela Urbs ao vereador Dr. Wolmir (PSC), que solicitou as informações para entender melhor o funcionamento do dispositivo, cogitando, inclusive, que haja botões também ao alcance dos passageiros.

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Hoje o botão funciona da seguinte maneira: assim que o motorista ou cobrador aperta o botão, um alerta é recebido, de forma simultânea, pela empresa responsável pelo veículo e pela Urbs que, em conjunto, analisam a melhor forma de atender o chamado.

Discussão na Câmara

Os vereadores também entraram na discussão sobre a segurança nos ônibus e a Câmara Municipal promoveu uma audiência pública sobre o tema. Dois parlamentares apresentaram um projeto de lei que torna o “botão do pânico” um dispositivo obrigatório nos ônibus do transporte coletivo de Curitiba.

Na justificativa, os parlamentares Cristiano Santos (PV) e Dr. Wolmir (PSC) afirmam que um botão à disposição de motoristas e cobradores seria acionado em casos específicos e geraria um alerta para os órgãos públicos competentes. A ideia também é defendida pelo Setransp, o sindicato que representa as empresas de transporte.

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Erros

O Setransp, porém, reconhece que “há uma quantidade inadmissível de apertos involuntários do botão do pânico”. Segundo o diretor-executivo do sindicato, Luiz Alberto Lenz César, esbarrões e panes são as principais causas de acionamento involuntário.

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“O Setransp periodicamente convoca seus chefes de tráfego, apresenta os relatórios sobre o disparo involuntário e orienta seus colaboradores para que tenham mais atenção e cuidado durante as viagens”, diz.

Segundo ele, no caso dos cobradores, o botão já foi realocado e as empresas já estão em contato com a Urbs para mudar a posição também para os motoristas. A Urbs confirma as tratativas.

“Para tentar diminuir os acionamentos involuntários, a Urbs estudará junto com o Setransp a reinstalação do botão do pânico numa outra posição, especialmente dentro dos ônibus. O dispositivo deve estar num local de fácil acesso, mas não próximo dos operadores a ponto de ser acionado com a simples movimentação ou distração”, diz, em nota, a empresa responsável pela gestão do transporte coletivo.

Sobre as falhas no sistema do botão, Lenz César defende a atualização do aparelho. “O botão precisa ser modernizado, pois hoje sofre muita interferência – umidade, água da lavagem dos ônibus, curtos circuitos – que causam um acionamento indevido”, avalia.

Defesa do dispositivo

Apesar da atual ineficiência do botão, as empresas seguem defendendo seu uso para garantir segurança aos passageiros e trabalhadores do transporte.

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“A ideia do Setransp é conectar o botão do pânico diretamente com a polícia para que o atendimento seja mais rápido e menos pessoas corram qualquer tipo de risco. Sem dúvida, o grande número de acionamentos involuntários mostra que ainda é preciso evoluir antes que essa conexão seja feita. Mas a ideia é benéfica, só que o funcionamento precisa ser corrigido”, diz Lenz César.

Ele defende, entretanto, que a principal forma de diminuir os assaltos aos coletivos é o pagamento da tarifa com cartão transporte, reduzindo, dessa forma, o dinheiro em circulação.

A reportagem tentou entrar em contato com representantes do Sindicato de Motoristas e Cobradores, mas as ligações não foram atendidas.

Com a colaboração de Maria Scroccaro.