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Alunos, empresário, funcionários: quem são as vítimas do massacre na Escola Raul Brasil

Dois rapazes armados invadiram o colégio nesta quarta-feira, em Suzano, e causaram uma das maiores tragédias da história recente do Brasil, deixando rastro de sangue e tristeza

  • Folhapress e Estadão Conteúdo
 | Nelson Almeida/AFP
Nelson Almeida/AFP
 
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O ataque a tiros na Escola Estadual Professor Raul Brasil, nesta quarta-feira (13), em Suzano (SP), tirou a vida de pelo menos cinco alunos, duas funcionárias e um empresário. Os estudantes foram identificados como Cleiton Antonio Ribeiro, 17 anos; Caio Oliveira, 15; Samuel Melquiades Silva de Oliveira, 16; Douglas Murilo Celestino, 16; e Kaio Lucas da Costa Limeira, 15.

Também morreram no ataque Marilena Ferreira Umezu, 59 anos, coordenadora pedagógica, Eliana Regina de Oliveira Xavier, 38, inspetora de ensino, e o empresário Jorge Antonio Moraes, 51 anos, proprietário de uma revenda de carros. Conheça um pouco da história de cada uma das vítimas:

Douglas Murilo Celestino

O adolescente de 16 anos morreu com um tiro na cabeça, disse o professor de história Robson Belchior, seu tio. O corpo estava no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes (SP). Segundo Robson, Douglas era um adolescente tranquilo. “Um moleque alegre, gente boa, participava muito da escola”.

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O filho da funcionária pública Luzia Bárbara, 45, sobreviveu ao ataque pulando o muro. O menino era muito amigo de Douglas. “Ele vivia lá em casa, jogando vídeo game, bola, andando de bicicleta”, conta ela, que foi ao hospital saber notícias de Douglas. “Ele era uma excelente pessoa, ia para a igreja todo domingo”.

Segundo os amigos, Douglas gostava de andar de skate, de jogar futebol e era ótimo desenhista. “Ele era corintiano roxo. Estava me ensinando a andar de skate”, afirma Luiz, de quem era próximo.

Cleiton Ribeiro

Era conhecido por ser o mais focado nos livros entre os 30 alunos da turma A do 3º ano do ensino médio da Raul Brasil. Segundo os amigos, o estudante sonhava em passar de primeira no vestibular. Era tão quieto que nem falava qual curso ou universidade pretendia entrar.

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Um colega de 16 anos viu os últimos minutos de vida de Cleiton. Assim que ouviram os disparos, os dois correram pelo pátio e, na tentativa de se esconderem no prédio do centro de línguas, um tiro atingiu Cleiton.

“Não conseguimos entrar no centro de línguas porque o portão estava fechado. Foi aí que o meu amigo morreu atingido por dois disparos”, relatou o amigo, que saiu ileso ao pular o muro do colégio. “Eu não sei o que vai ser daqui para frente. Como voltaremos para essa escola?”.

Samuel Melquíades

Aos 16 anos de idade, ele tinha como principal lazer o desenho. O garoto publicava nas redes sociais fotos em que estava em sua mesa de desenho e também das suas produções, algumas dedicadas especialmente a personagens dos jogos de videogame, como Link, da série Zelda, o porco-espinho Sonic e também o dinossaurinho Yoshi, da série de jogos protagonizada pelo encanador Mario.

Na segunda-feira (11), viajou com o pai Gercialdo Melquíades para Jacareí (SP). Segundo o pai, desenharam juntos pela primeira vez nesse dia.

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“Ele era um menino de ouro, fantástico, educado. Sempre ouvia, e todos diziam que ele era um menino que entendia. Em Jacareí, onde fica o nosso tempo, passamos a tarde inteira desenhando juntos, pela primeira e única vez. Foi um dia muito agradável, agradeço a Deus por esse dia e por ter sido pai dele”, diz Gercialdo, que tinha uma despedida especial diária com Samuel.

“Todos os dias a gente se cumprimentava com um toque, tipo um soco na mão do outro. E hoje da manhã não foi diferente. Eu estava cansado, meio doente, gripado, e ele chegou, ‘tchau, pai’, eu dei a mão e ele bateu”.

Caio Oliveira

O adolescente de 15 anos estava no 1º ano do ensino médio. Muitos de sua família haviam estudado no colégio. “Era muito inteligente”, lembra a professora de inglês Jacqueline Mota.

Em homenagem na rede social, uma amiga lembrou sua lealdade e companheirismo. “Mano, eu te mandei áudio hoje 10:53 falando: ‘caio quando você voltar vou te dar uma surra por me deixar preocupada’. E você não voltou, Caio, você não voltou”, escreveu.

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Kaio Lucas Costa Limeira

Descrito como “evangélico e tranquilo” por familiares, ele adorava jogar futebol, conta sua prima, a auxiliar de advocacia Francine D’ Angelo, 32 anos.

Boa parte do conteúdo publicado por Kaio nas redes sociais era relacionado a esportes. Torcedor do Real Madrid, ele também lutava judô. Uma das fotos em que Kaio aparece em luta, com um quimono azul, é comentada em tom de brincadeira por Caio Oliveira, que também morreu no massacre. “Ala nem lavava o pé”, escreveu o amigo.

Marilena Umezu

Aos 59 anos de vida, ela era coordenadora pedagógica da escola. Nas palavras do professor Álvaro Dias, que deu aulas no colégio até o ano passado, ela era uma espécie de meio de campo entre a direção e os professores. “Todos os professores gostavam muito dela, porque era o nosso ponto de apoio”, lembra.

Em 19 de janeiro, Marilena postou em uma rede social uma publicação contra a facilitação do acesso a armas no país. “Somos a favor do porte de livros, pois a melhor arma para salvar o cidadão é a educação”, dizia o texto.

Eliana Regina de Oliveira Xavier

Funcionária da escola, ela era uma espécie de faz-tudo da escola: ajudava a controlar a entrada e saída de alunos, passava recados e entregava livros e materiais aos alunos. “Era uma simpatia e muito educada”, lembra uma colega.

Jorge Antonio de Moraes

O comerciante era conhecido no bairro e tinha a loja há 27 anos. Pai de três filhos, Jorge Moraes era tio de Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, um dos atiradores da escola. Ele estava em seu escritório na Jorginho Veículos, na manhã desta quarta, quando foi surpreendido pelo sobrinho, que efetuou três disparos. O estabelecimento funcionava como estacionamento e lava car.

Moraes foi levado ao Hospital das Clínicas, onde foi submetido a uma cirurgia, mas morreu em decorrência dos ferimentos. A motivação do crime no caso dele ainda é incerta, mas, segundo testemunhas, o tio teve uma discussão com o sobrinho um dia antes.

O gerente de negócios Rodrigo Cardi, de 34 anos, trabalhou com Moraes nos últimos 15 anos e disse nunca ter visto Monteiro no local. “Parece que o Jorge tentou dar uns conselhos depois que o sobrinho foi mal na escola, mas ele não gostou. Mas no momento do ataque nada foi falado nem houve chance de defesa”, disse.

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