O presidente do Chile, Sebastián Piñera, e o presidente Jair Bolsonaro em encontro no Palácio de La Moneda, em Santiago (Chile).| Foto: CLAUDIO REYES/AFP

Em discurso na manhã deste sábado (23) em um café da manhã para empresários em Santiago, no Chile, o presidente Jair Bolsonaro fez críticas à “velha política” e aos recentes atritos que vêm tendo com o Congresso. As declarações ocorrem em meio a uma troca de farpas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, sobre a articulação política da reforma da Previdência.

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“Temos chance de sair dessa situação em que nós nos encontramos com as reformas. E a primeira delas, a mais importante é essa, da Previdência.”

E acrescentou: “Os atritos que acontecem no momento, mesmo eu estando calado e fora do Brasil, acontecem na política lá dentro porque alguns, não são todos, não querem largar a velha política”.

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Na sexta-feira (22) e na manhã deste sábado, Rodrigo Maia deu declarações afirmando que Bolsonaro deveria assumir suas responsabilidades e não terceirizar a articulação política pela reforma ao Congresso. Maia disse ainda que Bolsonaro precisa mostrar o que é a “nova política”, discurso com o qual se elegeu.

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“É importante que o governo acerte na articulação e ele não pode terceirizar a articulação como estava fazendo. Transfere para o presidente da Câmara e para o presidente do Senado a responsabilidade que é dele e fica transferindo e criticando. ‘Ah, a avelha política está me pressionando, estão me pressionando’. Ele precisa assumir essa articulação porque ele precisa dizer o que é a nova política”, disse Maia.

‘Não temos outra alternativa a não ser fazer essas reformas’, diz Bolsonaro

Ainda no evento a empresários, Bolsonaro disse que a reforma será boa para o Brasil e para o Chile. “Nós temos que dar certo e tenho dito que não é um plano meu como presidente, mas o do Brasil. Nós não temos outra alternativa a não ser fazer essas reformas. Acreditamos que o Parlamento vai aprovar as reformas, obviamente com algumas alterações, mas no meu entender serão suficientes para sairmos da situação em que nos encontramos.”

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Bolsonaro acrescentou que, com relação à reforma trabalhista, tem dito à sua equipe que “devemos beirar a informalidade porque a nossa mão de obra talvez seja uma das mais caras do mundo”. “Estamos a caminho da quarta revolução industrial, a mão de obra física cada vez fica cada vez mais dispensável e nós temos uma série de profissões que deixarão de existir”, disse.

Eleito por “dois milagres”

Depois disse que sua chegada à Presidência se deu por “dois milagres” – um deles, “ter sobrevivido a um atentado político, uma tentativa de homicídio”, e o outro, fazendo com poucos recursos e “sendo massacrado pela mídia, com acusações homofóbicas, racistas, fascistas, essas coisas chatas que não colaram perante a opinião pública brasileira”.

Disse que governa “sem acordos político-partidários” e que “escolheu um ministério técnico”, em que as pessoas “querem participar por patriotismo, e isso desagradou os políticos tradicionais.”

Ainda alfinetando a “velha política”, afirmou que “somos os campeões de corrupção, o que está exposto aí perante a mídia, grande parte é verdade.”

Acrescentou que, se a eleição tivesse sido ganha pelo petista Fernando Haddad, “ele não estaria aqui conversando com vocês, ele estaria conversando com o Maduro”.

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Disse estar feliz por estar no Chile e que depois visitará outro país que admira, Israel. “Porque, o que é Israel? É um mar de areia, nem petróleo tem. E olha o que eles são. E o Brasil, que tem tudo e olha o que nós somos. Onde tá o erro nisso, qual é o nosso problema? Está na classe política.”