| Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

A fase não é das melhores para o prefeito paulistano João Doria (PSDB), que quer ser candidato a presidente da República em 2018 mas enfrenta, dentro de seu partido, a resistência do governador paulista Geraldo Alckmin, antigo padrinho político.

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Doria teve um fim de semana marcado por “barraco” e queda nas pesquisas. A partir de sexta-feira, trocou ofensas nas redes sociais com o vice-presidente do PSDB e ex-governador Alberto Goldman. No domingo (8), uma pesquisa revelou piora na avaliação da gestão do prefeito e a rejeição de boa parte dos paulistanos à sua candidatura à presidência da República e às constantes viagens que ele faz pelo país e ao exterior – nesta semana, Doria vai à Itália pela segunda vez desde o início do mandato.

Barraco

A troca de ataques com Goldman começou na sexta-feira (6), quando o ex-governador publicou um vídeo nas redes sociais acusando Doria de se dedicar mais a uma eventual candidatura à Presidência do que à gestão na prefeitura. A resposta do prefeito, no dia seguinte, não foi das mais elegantes.

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Em gravação, Doria chamou o ex-governador de fracassado e medíocre. “Você vive em casa, de pijamas”, disse o prefeito. Um tom que lembra o empregado pelo prefeito paulistano contra o ex-presidente Lula, seu alvo preferencial, a quem costuma chamar de “sem vergonha, preguiçoso e mentiroso”.

A nova resposta a Doria veio em outro vídeo gravado por Goldman. Nele, o ex-governador afirmou que o prefeito é “raivoso e preconceituoso”.

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Parlamentares tucanos de fora de São Paulo viram erros estratégicos nos termos usados por Doria, que poderiam ser interpretados como uma ofensa aos idosos, que representam 17% do eleitorado, segundo relatos da coluna “Painel”, da “Folha de S.Paulo”. Aparentemente, o episódio fez crescer a antipatia de líderes tradicionais do PSDB em relação ao prefeito.

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Pesquisa desfavorável

Na pesquisa Datafolha, o tucano despencou quase dez pontos percentuais na aprovação de sua administração. O prefeito tem 32% de aprovação, 26% de rejeição e 40% de avaliação regular entre os paulistanos. Há quatro meses, Doria pontuava 41% de ótimo/bom, 22% de ruim/péssimo e 34% de regular.

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A pesquisa entrevistou 1.092 pessoas em 4 e 5 de outubro e tem margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou menos.

Conforme o levantamento, 49% dos paulistanos acreditam que as viagens de Doria trazem mais prejuízos do que benefícios à cidade; 35% dos entrevistados aprovam a iniciativa. A maioria (77%) vê benefício pessoal a Doria enquanto 14% acreditam que a cidade de São Paulo é beneficiada.

De acordo com 37% dos entrevistados pelo Datafolha, o prefeito de São Paulo será candidato a presidente. Em junho, 21% tinham essa expectativa. Entretanto, 58% querem que Doria prossiga na função atual, em oposição a 10% que desejam vê-lo na briga pelo governo federal ou a 15% que preferem que ele se candidate a governador de São Paulo.

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Dos entrevistados, 55% afirmam que não votariam no prefeito para presidente. Na candidatura a governador, a taxa é de 47%. Conforme 45% dos eleitores da capital, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) é quem deveria ser o candidato do PSDB a presidente; 31% preferem Doria.

“A culpa é do PT”

Em reação à pesquisa, o prefeito pôs a culpa na falta de dinheiro e na herança do PT, que governou a cidade antes dele. “Nós estamos com nove meses de gestão à frente da prefeitura de São Paulo, sem recursos. Temos R$ 7,5 bilhões de déficit no orçamento, que foi herança do PT, e nós estamos fazendo uma política responsável de controle de despesas”, afirmou.

“É duro fazer gestão pública sem recursos, depender de apoio do setor privado, da cooperação e solidariedade de muitas pessoas”, disse Doria.

Por falar em solidariedade, as doações empresariais à cidade continuam sendo malvistas pelos moradores, segundo a pesquisa Datafolha. Para 46% dos paulistanos, elas não são transparentes (eram 45% em junho). Já 9% as veem como transparentes.

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