| Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom /ABr

“Bolsonaro representa o autoritarismo e a intolerância tanto na economia quanto nos costumes.” Foi com essa frase que o Livres, ala de renovação dentro do Partido Social Liberal (PSL), negou que o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) esteja migrando para a legenda para disputar a Presidência da República em 2018. 

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Menos de 24 horas depois de Bolsonaro afirmar que estava “namorando” o PSL e poderia migrar para o partido, o Livres rebateu com veemência a investida. Foram divulgadas duas versões de notas pelo partido, uma delas via Facebook. Em ambas, o partido afirma que o presidente da legenda, deputado Luciano Bivar, apenas recebeu o deputado em reunião, por solicitação de Bolsonaro. 

Em uma das versões, o PSL/ Livres afirma que eles trataram sobre o projeto do imposto único, bandeira tradicional dos liberais. As duas notas destacam que há “evidentes e conhecidas divergências de pensamento” entre o Livres e Bolsonaro, e que o projeto do deputado é “absolutamente incompatível com os ideais do Livres e o profundo processo de renovação política com o qual o PSL está inteiramente comprometido”.

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Somente numa versão enviada à imprensa, o PSL carrega nas críticas e tacha Bolsonaro como representante do “autoritarismo” e da “intolerância”. 

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Bolsonaro recua e diz que não desistiu do PEN/Patriota. Mas flerta com outros partidos

Depois do desentendimento com o PSL, Bolsonaro recuou e disse que “ainda não saiu” do PEN/Patriota, partido para o qual anunciou que iria migrar para concorrer à Presidência (hoje ele está no PSC). No outro lado do debate, Adilson Barroso, presidente do PEN, endureceu as críticas contra o deputado, ao afirmar que Bolsonaro pediu mais do que o partido estaria disposto a entregar. 

A movimentação recente de Bolsonaro pode indicar que ele está buscando abrir negociações com outros partidos. Depois de dizer que estaria saindo do PEN e na reta final das negociações com o PSL, o presidenciável também disse que estaria conversando com o PR, partido do mensaleiro Valdemar Costa Neto. “O PR também está interessado no meu passe. Converso com todo mundo, menos com aqueles ‘partidecos’ de esquerda”, disse Bolsonaro à Gazeta do Povo. 

Outras legendas que podem estar negociando com Bolsonaro seriam o PHS e o PTB, segundo interlocutores do deputado. 

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Infográficos Gazeta do Povo[Clique para ampliar]

Bolsonaro havia dito que haveria uma “limpa” na ala liberal do PSL

 Ainda é nebuloso o que teria levado Bolsonaro a ameaçar terminar o relacionamento com o PEN de forma abrupta e anunciar que estaria flertando com o PLS, mesmo sem concordância da ala liberal do partido. O pré-candidato disse que estaria “90% fechado” com o PSL e que o presidente da sigla, Luciano Bivar, havia prometido fazer uma limpeza dentro do PSL, retirando os liberais mais radicais do partido (que defendem o livre mercado e também liberdade nas pautas ligadas aos costumes). Em troca, o partido passaria a adotar os valores defendidos por Bolsonaro, como defesa da família e do armamento. 

“Estou namorando o PSL. Tive uma conversa excelente com o Bivar. (...) Esse partido é liberal. Vai mudar seu regimento. Além de defender valores familiares, vão defender a questão do armamento. Tem uma ala, o ‘Livres’, que vai deixar de existir e não terá mais espaços no partido”, afirmou Bolsonaro, na entrevista à Gazeta. 

“Livres” negam que presidente do PSL prometeu tirá-los do partido

O PSL/ Livres nega que essa promessa de Bivar tenha de fato sido feita a Bolsonaro. Eles confirmam a reunião entre Bivar e Bolsonaro no dia 19 de dezembro, na qual o deputado havia perguntado sobre a possibilidade de filiação, mas que teria ouvido do líder do PSL que compromisso de renovação do partido, com a criação do Livres, seria irreversível. 

Representantes do Livres alegam que Bivar está comprometido com a modernização do partido. O surgimento da ala jovem e liberal dentro do partido vem ocorrendo há dois anos.

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Há duas semanas, o Livres anunciou que passou a integrar seus quadros a economista Elena Landau, que foi assessora da presidência do BNDES e, posteriormente, diretora da área responsável pelo Programa Nacional de Desestatização durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Elena agora preside o Conselho Acadêmico da Fundação Indigo, ligada ao Livres. 

O partido defende “um Brasil baseado nos ideais de liberdade individual, igualdade perante a lei e expansão de oportunidades”. “Queremos demolir os obstáculos para que cada indivíduo possa ser o senhor de suas próprias escolhas, agindo com liberdade e responsabilidade. O Livres quer uma sociedade mais justa, com inclusão social através de um mercado mais livre”, afirma a ala do partido em manifestação em seu site.