| Foto: NELSON ALMEIDA/AFP

O PT e aliados prometem fazer uma “rebelião” no país, promover a “desobediência civil” contra instituições “antidemocráticas” e partir para o “confrontamento” com seus adversários nas ruas. Tudo para garantir que o ex-presidente Lula seja candidato ao Planalto. Dentro da estratégia do partido estão previstas greves, bloqueios de estradas e grandes mobilizações de massa contra o que chamam de continuidade do “golpe”.

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A nova estratégia do PT foi revelada nesta quinta-feira (25), durante reunião da cúpula do partido em São Paulo, nos discursos do próprio Lula e no de líderes da sigla e de integrantes de movimentos sociais aliados do partido. O encontro ocorreu um dia após o TRF-4 condenar Lula a 12 anos e um mês de prisão. Condenado na segunda instância da Lava Jato, Lula está inelegível e, em tese, terá sua candidatura barrada pela Justiça Eleitoral.

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“Não cabe a nós [adotar] o comportamento de bombeiro”

“Esse senhor aqui não tem nenhuma razão para respeitar a decisão [do TRF-4]”, disse Lula em pronunciamento no qual “aceitou” a convocação do PT para ser candidato.

Os demais discursos seguiram, em geral, no mesmo tom de “partir para a briga” contra os “golpistas”. “Eles [o TRF-4 e seus supostos aliados] botaram fogo no país. Não cabe a nós [adotar] o comportamento de bombeiro”, disse o deputado federal Whadi Damous (PT-RJ). “O fascismo se enfrenta nas ruas.”

Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Humberto Costa (PT-PE) defenderam que o enfrentamento se dará nas ruas. “Venham, que nós estamos preparados para lutar nas ruas. (...) Pra derrotar o golpe, tem de ter enfrentamento social, tem de ter mobilização popular”, disse Lindbergh. “A única maneira de barrar o golpe é se nós formos às ruas, se nós partirmos para uma desobediência civil”, afirmou Costa.

Fundador da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim afirmou que “decisões inconstitucionais [do Judiciário] não merecem ser respeitadas”. Segundo ele, os juízes são “ilegítimos” porque não passaram pelo crivo do voto. “Não vamos obedecer à farsa de ontem [o resultado do julgamento do TRF-4]. (...) Não há outro caminho que não a rebelião e a desobediência civil.”

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CUT promete greve geral e ameça: “O desempenho das empresas vai cair”

Foi o presidente da CUT, Vagner Freitas, quem explicou exatamente o que o PT e seus aliados consideram ser a “desobediência civil” e a “rebelião”. “Vamos fazer greve nos bancos de vocês [os “capitalistas” que deram sustentação ao “golpe”], nas empresas de vocês, no agronegócio de vocês. O desempenho das empresas vai cair”, disse Freitas.

Ele afirmou ainda que os sindicatos vão estar nas ruas e nas estradas, promovendo paralisações “para resgatar a democracia”. A CUT já marcou a data para uma greve geral: 19 de fevereiro, dia em que o governo Temer pretende votar a reforma da Previdência no Congresso. Após ameaçar o setor produtivo, Freitas impôs uma condição para não paralisar o país: que Lula seja candidato.

O coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, disse que os sem-terra farão parte da greve de 19 de fevereiro. Ele também disse que o MST vai se insubordinar contra a Polícia Federal e o Judiciário se for expedido um mandado de prisão contra o ex-presidente. “Não pensem que vocês mandam no país. Nós faremos de tudo para impedir que o companheiro Lula seja preso”, afirmou Stédile.

Vozes dissonantes

Dentre as várias lideranças petistas e de movimentos sociais que falaram no encontro do PT, duas vozes caminharam num sentido oposto ao do “enfrentamento”: as dos governadores da Bahia (Rui Costa) e de Minas Gerais (Fernando Pimentel). Costa e Pimentel defenderam o argumento de que o PT tem de buscar unir o país, e não disseminar o discurso do ódio.