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uma rara unanimidade

Estudioso e preparado: quem é Rogério Galloro, o novo chefe da Polícia Federal

Delegado da PF há 23 anos, novo diretor-geral da corporação tem um perfil técnico que agradou a todo mundo: sindicalistas, investigadores da Lava Jato e membros do Palácio Planalto

  • Brasília
  • Evandro Éboli e Flávia Pierry
 | André Dusek/Estadão Conteúdo
André Dusek/Estadão Conteúdo
 
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A escolha do delegado Rogério Augusto Viana Galloro como novo diretor-geral da Polícia Federal (PF) foi um alento para todos: policiais, sindicalistas, investigadores da Lava Jato e até membros do próprio governo gostaram da mudança. A turma do sindicato argumenta que se trata de recuperar a sobriedade da gestão de Leandro Daiello, que antecedeu Fernando Segovia no cargo, demitido nesta terça-feira (27). O pessoal da Lava Jato respira porque não terá um diretor que interfere nos casos em andamento. E o Palácio do Planalto sabe que terá um dirigente da PF que, se não pode ajudar muito, ao menos não atrapalha.

Galloro deixará a Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça, que tratava dos mais variados temas, como migração, refugiados, estrangeiros, recuperação de ativos e classificação indicativa, entre alguns outros. Ele ocupava o cargo desde novembro do ano passado.

Desde setembro de 2017 integra o Comitê Executivo da Interpol como representante das Américas. É tido como um técnico dentro da Polícia Federal. Na gestão de Daiello era uma espécie de secretário-executivo do órgão. O número 2. Teve cotado para assumir o comando da PF desde a época da presidente Dilma Rousseff, quando o ministro da Justiça era Eugênio Aragão. Já no governo Temer, contava com a simpatia do primeiro ministro da Justiça do peemedebista, Alexandre de Moraes, hoje no Supremo Tribunal Federal (STF), e do atual ministro Torquato Jardim.

Leia também: Segovia soube de sua queda na PF pelo noticiário, dizem interlocutores

Currículo invejável

Galloro não deve se intrometer na Lava Jato. Sua especialidade é outra. Delgado da PF desde 1995, atuou em unidades de repressão à droga, cuidou de crimes fazendários e na área de inteligência. Foi superintendente regional da PF em Goiás e adido policial na embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

É bacharel em Direito desde 1992 e tem MBA pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em Gestão de Políticas de Segurança Pública e Especialização pela Universidade Nacional de Brasília (UnB) em Relações Internacionais.

O novo diretor da PF é também ex-aluno da Universidade de Harvard no Programa Segurança Nacional e Internacional da Harvard Kennedy School. Na PF, ocupou inúmeros cargos de chefia, além de ter sido professor da Academia Nacional de Polícia na cadeira Migração por cinco anos.

Galloro foi também o representante da Polícia Federal junto à ICAO (Organização de Aviação Civil Internacional) em Montreal (Canadá) e coordenou o projeto do Novo Passaporte Brasileiro em 2006.

Repercussão positiva

Segundo a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Galloro “é considerado um perfil operacional, discreto e com bom relacionamento com os servidores do Órgão”. “Tem se destacado pela dedicação nos setores onde foi lotado. É reconhecido pelos colegas como um nome qualificado para desempenhar as importantes atribuições da função e chegou a ser cogitado pelo Presidência da República na ocasião da última troca de comando da Polícia Federal, em setembro de 2017”, lembrou, em nota, a entidade, que alegou ter visto “com naturalidade a troca no comando da Polícia Federal”.

O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, Flávio Werneck, elogiou a escolha de Galloro. “Espero que ele resgate a gestão do Leandro Daiello e que não enterre as propostas positivas do Segovia, nas tentativas de saneamento de problemas internos”, disse.

O presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais, Marcos Camargo, afirmou que “processos de mudança são naturais no âmbito da administração pública”. “É imprescindível, entretanto, que qualquer ação nesse sentido ocorra de forma a garantir que a instituição continue funcionando de acordo com o interesse público, livre de pautas corporativas e de pressões políticas, que não devem, sob nenhuma hipótese, influenciar o trabalho investigativo e a produção isenta da prova material, com a devida autonomia técnica, científica e funcional à perícia criminal federal”, disse.

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