O senador Aécio Neves (PSDB-MG)| Foto: Moreira MarizAgência Senado

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, onde majoritariamente se defendeu das acusações que enfrenta em virtude das delações da JBS, o senador Aécio Neves (MG) afirmou também que não se pode descartar uma nova candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República. "Depois de um determinado período, em junho, quando as convenções são realizadas, acho difícil impedir uma candidatura presidencial." 

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 O que achou do agendamento do julgamento do recurso de Lula no TRF-4 para janeiro? O ex-presidente FHC disse que prefere enfrentar Lula nas urnas do que vê-lo preso.

Eu não torço pela prisão do Lula. Não torço pelo que ele representou para o país. Mas ele tem de responder para a Justiça, que não pode ser seletiva. O que o ex-presidente Fernando Henrique externou é um sentimento pessoal. Temos de resgatar na eleição a capacidade de discutir o País. Temos de sair da delegacia de polícia e voltar a falar ao coração das pessoas. Precisamos restabelecer um clima minimamente respeitoso. 

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Lula consegue se candidatar?

Deve-se trabalhar com a possibilidade do Lula candidato. Não é apenas a decisão do TRF da 4.ª Região, mas os recursos que ele ainda pode entrar. Depois de um determinado período, em junho, quando as convenções são realizadas, acho difícil impedir uma candidatura presidencial. Quanto mais cedo essa questão for resolvida, melhor para o processo eleitoral. O PSDB precisa estar preparado para disputar com qualquer um, até mesmo com o Lula. 

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Como sair da "delegacia de polícia" num momento em que a classe política enfrenta um desgaste tão forte, com ex-governadores e ex-ministros presos, assim como um ex-presidente da Câmara?

Isso não vai desaparecer. Vai estar presente nas eleições, mas não pode ser o mote da eleição. Se trouxermos o Supremo ou o juizado de primeira instância para ter protagonismo nas eleições, quem perde é a população. Mas reconheço que todos os partidos políticos passam por uma gravíssima crise de representação, no Brasil e no mundo. As pessoas estão buscando outra conexão com seus representantes, que não seja pelos partidos. 

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O sr. chegou a dizer que a "falência da política" explicaria uma possível pré-candidatura do Luciano Huck à Presidência. Ele, por sua vez, disse que estava decepcionado com o senhor...

Depois de algum tempo, eu voltei a conversar com ele. Restabelecemos uma relação. O que eu quero em relação ao Luciano e a qualquer outra pessoa é uma oportunidade de apresentar minha defesa sem prejulgamento. Há um desgaste político enorme, mas não houve crime. Quando falo da falência da política, não me refiro a ele especificamente, mas ao surgimento de figuras fora do campo político. Serve para outros nomes chamados de outsiders. 

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Discute-se uma proposta de semipresidencialismo. Alguns partidos de esquerda disseram que é golpe. O que acha?

Eu defendo o parlamentarismo. Com 28 partidos no Congresso, seria inviável. Seria queimar uma bela saída para o Brasil.  

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Como vê a possibilidade de o Supremo restringir o foro privilegiado?

O foro vai acabar. É uma tendência natural. Defendo que acabe para todo mundo. Conversei com o presidente (da Câmara) Rodrigo Maia (DEM-RJ) sobre isso. Ele acha que até o fim de março será votado na Câmara.